Arquivo da tag: vida

Um só é bom! (Mt 19.17)

Num mundo de valores invertidos, não é tão fácil ouvir a intensidade da voz do Mestre: “Não há bom, senão um só que é Deus”(Mt 19.17). Só Deus é bom ou mais que bom. Seria desafiar a própria estrutura das coisas arrumadas com base no relativismo e na fragmentação de todos os valores. A voz de Cristo entra na vida humana, tal como a flor de Drummond que teima em nascer no chão do asfalto. Se é difícil imaginar uma flor nascer na terra dura de um asfalto, avalie então a unidade formidável do bem que é Deus poder entrar no emaranhado mundo de valores relativos, que urgentemente precisa ser revisto.

As pessoas sentem-se paralisadas com um consumismo compulsivo. Há gente por aí que sai de casa para comer comida de casa. Compra as mesmas coisas apenas para satisfazer seu sujeito de desejo, simplesmente para massagear o seu ego. Procuram-se lugares de prazer intenso quando o único lugar é dentro de nós mesmos numa comunhão indissociável com o uno, a unidade absoluta e indestrutível, Deus.

Infelizmente, não se ouve mais essa voz que não quer e não pode, também não deve calar. “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; e vem e segue-me”(Mt 19.21). Antes desse apelo do Mestre, o jovem rico se perguntava sem cessar: “(…) que me falta ainda?”. A resposta estava ali, incrivelmente presente na pessoa de Jesus, bem como o chamado à unidade absoluta.

A pergunta do jovem a Jesus é avassaladora, uma vez que pontua admiravelmente a extensão da ansiedade humana. Não somente em dado momento o homem se pergunta pelo que falta, porém em todos os momentos do curso da história, pois é a marca do quanto se é insaciável, do quanto se é insatisfeito.

A insatisfação, a sede, a procura, a falta é a marca da sociedade presente. Mas, não são as roupas, não são as compras, não são as comidas, não são as bebidas, tampouco o dinheiro, muito menos qualquer bem em particular que possa imediatamente trazer-lhe saciedade e realização pessoal ou autossatisfação, é seguir o apelo do Mestre: “Um só é bom”. Deixe-se atrair pelo Bom, pelo Único, pela Totalidade, pelo Infinito. Seguir a Jesus implica ouvir a sua voz que não é a voz da multidão, que não é a voz da ilusão, que não é a voz de falsas verdades.


Prof.: Jackislandy Meira de Medeiros Silva
www.umasreflexoes.wordpress.com
www.twitter.com/filoflorania

 

Etiquetado , , ,

Generosidade…

Cá estou eu novamente para grafar os últimos devaneios deste ano. “Um bom ano”. Lembram do filme que traz esse título!? Nele o autor leva o espectador a viajar do ritmo frenético dos negócios a uma pacata cidadezinha da França, cheia de vinhedos, com suas peculiaridades convencionais e muito provinciana. Da cidade à Província. Está aí uma bela passagem. Ou vice-versa. Uma das muitas passagens que podemos fazer: Da agitação à calmaria. O protagonista do filme consegue encontrar o seu destino onde menos esperava. Ao tomar conta dos negócios do vinhedo do tio numa pequena cidade, encontra-se pessoalmente e descobre o amor e a felicidade.

Para sair e fazer a passagem do “grande” ao “pequeno” sujeito, como diria Charles Chaplin, será preciso que a generosidade nos acompanhe em cada gesto. Dar um pouco do que é seu a outro revela uma parte sua antes desconhecida. Dar lugar à generosidade nesse fim de ano parece ser uma boa sugestão para quem, de fato, ainda pretende livrar-se de si mesmo e de suas vicissitudes egoístas e desonestas. A generosidade nos faz mergulhar maravilhosamente na mais pura vida, sem dinheiro e sem politicagem, e ir experimentar o quase nada dos outros. Passar do solitário ao solidário com as mãos e o coração cheios de amor e de atenção para dar.

Já se perguntou o que pode dar? Dar. Dar o quê? Dar algo além de presentes, dinheiro e uma boa mesa. O falso clichê de que “ninguém dá o que não tem” se confronta com a ideia de que algo se pode dar do que se é. Sim, pode-se dar o que se é. Não há nada que não possamos dar de nosso ser, uma vez que é próprio do ser dar, dar sempre mais. Quem nunca ouviu a frase: “Ninguém é tão necessitado que não tenha nada para dar e ninguém é tão suficiente que não tenha nada para receber”. Generoso ao dar, mas generoso também ao receber em todos os sentidos. Por exemplo: Há pessoas que são muito generosas para falar, mas pouco generosas para ouvir.

Não me refiro somente ao nada econômico, o mais desprezível de todos porque é o valor mais focado por todos, mas me refiro ao que quase ninguém liga mais, aos afetos, ao que é interno e que se encontra na linha do amor. Na estreita linha do amor estão os inexplicáveis atos de bondade e de generosidade tão próprios aos seres humanos, a tudo que é humano. É daí que vem, sim, a verdadeira generosidade.

Quantos não fecharam suas mãos, não só as mãos, mas fecharam o coração durante todo este ano! Portanto, é hora de abrir as mãos, o coração, a cabeça, os olhos, a vida para quem não pode abrí-los devido aos inúmeros impedimentos, a saber: fome, miséria, doença, desemprego, violência, corrupção, ganância e egoísmo. Romper a barreira de todos esses impedimentos é a graciosa sugestão da generosidade possível ao homem.

O mais engraçado da generosidade é que sem gratidão dificilmente poderá ser experimentada. A gratidão é a força da generosidade. Sem gratidão, a generosidade se transforma em vaidade. A honra da generosidade é um coração grato. Veja que, só com amor, a generosidade faz sentido. Para conservarmos a dignidade do ato de dar, é necessário reconhecermos nossa consciência, vontade e liberdade ao dar. Ser generoso é, antes de tudo, ser gracioso pelas muitas coisas que chegaram até nós sem esforço algum. Reconhecer que o calor do sol, a luminosidade da lua, a fonte dos rios, o movimento dos mares, a fertilidade da terra, o carinho dos animais, a bondade das pessoas, a beleza das florestas e o presente dos filhos não têm preço, é de graça que recebemos, na verdade, já são um esplendor de generosidade.


Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva

Licenciado em Filosofia em Estudos Clássicos, Bacharel em Teologia e Especialista em Metafísica

Páginas na internet:

www.umasreflexoes.wordpress.com

www.twitter.com/filoflorania

Etiquetado , , ,

Um alerta sobre drogas e más companhias

 

Caros jovens, abaixo segue a história de uma carta de alguém muito jovem que acabou perdendo a vida por causa das drogas, em consequência das más companhias. Faça uma análise na sua vida e observe com quem você tem andado. Se seus amigos não são cristãos, ou se comportam de uma maneira que desagrada a Deus, isso significa que você precisa cortar essas amizades e fazer novos amigos. Lembre-se: a igreja ainda é o lugar mais seguro para se desfrutar boas amizades (Pv 4.18).

Influenciado por seus “amigos”, começou a usar drogas. As drogas afetaram severamente a sua saúde, levando-o ao hospital. Bastante debilitado ele escreveu uma carta para o seu pai, relatando sua triste experiência. Veja um trecho da carta escrita por ele antes da sua morte.

“Sinto muito, meu pai, acho que esse diálogo é o último que tenho com o senhor…

           O tóxico me matou, meu pai. Travei conhecimento com meu assassino aos 15 ou 16 anos de idade. É horrível, não pai?

            Sabe como nós conhecemos isso? Por meio de um cidadão elegantemente vestido, bem elegante mesmo e bem falante, que nos apresentou ao nosso futuro assassino: o tóxico. Eu tentei, mas tentei mesmo recusar, mas o cidadão mexeu com meu brio, dizendo que eu não era homem. Não preciso dizer mais nada, não é? Ingressei no mundo do tóxico.

            No começo foram as tonturas, depois as alucinações e a seguir a escuridão. Não fazia nada sem que o tóxico estivesse presente. Depois veio a falta de ar, o medo, as alucinações, e, em seguida, a euforia novamente. Sabe, pai, a gente, quando começa, acha tudo ridículo. Hoje, neste hospital, eu reconheço que Deus é o ser mais importante no mundo. Eu sei que sem a ajuda d’Ele não estaria escrevendo o que estou…

            Pai, eu só tenho 19 anos e sei que não tenho a menor chance de viver; é muito tarde para mim. Para o senhor, tenho o último pedido a fazer: diga a todos os jovens que o senhor conhece e mostre-lhes esta carta. Diga-lhes que, em cada porta de escola, em cada cursinho, em cada faculdade, em qualquer lugar, há sempre um homem elegantemente vestido, bem falante, que irá mostrar-lhes o seu futuro assassino, o destruidor de suas vidas que os levará à loucura e à morte como eu.

            Por favor, faça isso, meu pai, antes que seja tarde demais também para eles…

            Adeus meu pai”

Depois desta carta, ele morreu. Este é um caso verídico. Aquele jovem morreu no hospital em 23 de maio, na cidade de São Paulo.

Carta transcrita por Jackislandy Meira de M. Silva da Revista da Escola Dominical de Adolescentes “Conselhos para o dia a dia”, editora CPAD.


Disponível em:

www.umasreflexoes.wordpress.com

www.twitter.com/filoflorania

Etiquetado , ,

A graça da vida

(apreciação da obra: Calmaria II, de Tarsila do Amaral)

É curioso, mas toda vez que me reencontro com a palavra “graça”, ocorre-me a impressão de que ela nos põe em conexão com uma abertura ou fissura presente no mundo, no cotidiano ou mesmo no curso mais simples da vida. Se é óbvio que a vida é contingência pura, tão óbvio que a cada ano somos tomados pela experiência do fim, pela sensação do ponto final que nos lança para outras continuidades, a graça, em contraluz a esta carga de contingência, parece ser muito mais uma potência de esperança, uma explosão de alegria e uma assustadora busca por mansidão.

A graça da vida está na descoberta desta mansidão. Nosso mestre Jesus disse coisas admiráveis em relação a isso. Aos seus amigos que estavam apavorados com o mar bravio, Jesus os advertiu para que não tivessem medo, pois estava com eles; o mar se acalmou(Cf. Mt 8.26). Repare bem, Jesus propõe ser uma abertura de salvação ao fechamento imposto pelo medo. Quando a mulher adúltera é apedrejada pelo povo em sinal de condenação, Jesus mais uma vez intervém com palavras de abertura: “Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra”(Jo 8. 7). A intervenção da graça que é Jesus não só interrompe a condenação imposta pelo povo, mas salva aquela mulher.

Quantas vezes Jesus não se tornou a possibilidade de abertura para um mundo fechado à violência, ao medo e à contingência da morte, do fim! O convite “Vinde a mim todos vós que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei”(Mt 11. 28) é a prova de que a vida não fecha seu ciclo sem que antes não ganhe verdadeiro sentido no alívio, na paz trazida por Jesus. Quem não lembra dos que ladeavam Jesus quase morto no alto da cruz, os ladrões, pedindo misericórdia, mas antes murmuravam, “Se és o Cristo, salva-te a ti mesmo”(Lc 23. 39), blasfemavam, injuriavam. Não poucos de nós, também, assim como estes ladrões, continuamos a murmurar por algo que nem sequer entendemos ou desejamos de verdade.

Às vezes reclamamos por alguma coisa que sequer precisamos. Não temos discernimento para compreender o que Deus está querendo fazer conosco há um mês, dois meses, um ano, uma década. Deus simplesmente quer fazer algo maravilhoso conosco e tem uma vida toda pra isso. Mas não temos paciência para agradecer o que Deus já está fazendo e, por isso, murmuramos como fizeram os ladrões. Não sabiam eles o que Jesus estava preparando: “Hoje estarás comigo no paraíso”(Lc 23. 43).

Muitos passam uma vida inteira atolados na contingência de uma vida sem sentido; num trabalho exaustivo, com um salário miserável; numa família conflitiva e desestruturada; numa sociedade hipócrita e mentirosa; numa cultura ideológica dominante e alienante; num mundo frio, sem calor humano, e violento, onde não há quase lugar para o diálogo e os afetos. A vida, por sua própria contingência, já é cheia de sofrimento e dor, imagine então se nos fecharmos nela mesma, se nos irritarmos com qualquer besteira, se darmos lugar para tolices, se passarmos o dia inteiro reclamando de tudo, ora, não haverá lugar para a paz, a mansidão, uma vez que estaremos fechados em nossa própria ignorância.

Pense, então, se a vida já traz suas próprias desgraças, problemas e mazelas, por que torná-la insuportável, quando podíamos aliviá-la e torná-la melhor, cheia de graça!? Qual a graça da vida se ela não produz maravilha alguma? Qual a graça da vida se ela está fechada em si mesma? Eis a abertura para a graça da vida: paciência e muita, muita mansidão.

Encontre a graça da vida: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus”(Sl 46. 10).


Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva

Bel. em Teologia, Licenciatura em Filosofia, Esp. em Metafísica/UFRN e em Estudos Clássicos pela UnB/Archai/Unesco.

Etiquetado , , ,
Parafraseando-me

Meu fazer e refazer constantes

Didáctica de la Filosofía

Enseñanza de la filosofía

Filosofia Crítica

"Levar a filosofia às pessoas, levar as pessoas a filosofar." tiomas@yahoo.com

Clube Literário do Porto

Um lugar onde a Cultura acontece

Poesias, frases e textos

Melhores poesias, frases, crônicas, textos e música

Da Literatura

Um blog sobre livros e amor pela leitura

O Meio e o Si

Seu blog de variedades, do trivial ao existencial.

ZÉducando

Educação, Tecnologia, Reflexão e Humor: combate ao "não-pensantismo" *

aultimaestrofe

Just another WordPress.com weblog

φρόνησις

"Filosofar é aprender a morrer". Montaigne

Luciano Ezequiel Kaminski

Textos sobre Filosofia e Sociologia

OUSE SABER! BLOG DO PROFº MARCOS FABIO A. NICOLAU

O blog visa disponibilizar material didático on line das atividades docentes no semestre [aulas, cursos, oficinas, grupos de pesquisa], assim como minha produção acadêmica [publicações, artigos, comunicações e palestras]

kely Brenzan

Esta é a pagina e blog a da autora