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A Crise da Memória na Educação

A tão badalada decoreba está com os seus dias contados no universo de nossas Escolas! Estamos como que decretando a morte da memorização no ensino-aprendizagem dos alunos. Durante muito tempo, este método levou muitos alunos a sofrer nos bancos das Escolas e Universidades, dificultando muitas vezes formar uma consciência crítica e aberta à imaginação, à criação.

Com o avanço da tecnologia e com as novas mídias ocupando o tempo e o espaço de nossas vidas, memorizar informações parece ser quase desnecessário hoje em dia. Vivemos uma crise da memória principalmente na educação.  Mais ainda, estamos a mercê de inúmeros recursos que nos eximem de vasculhar os anais de nossa memória. Se queremos guardar dados que iremos precisar futuramente, utilizamos várias alternativas tais como: cds, dvds, pendrives, HDs externos ou nosso próprio PC com memórias gigantescas.

Esse assunto tem a ver com o famoso tempo no qual estamos vivendo, a era das informações velozes. Estamos pulverizados de informações a todo instante. Quando menos esperamos, somos logo acometidos por uma enxurrada de informações que nos colocam de imediato no contexto. Seria como se o virtual nos pusesse de volta no real. Que coisa! À medida que somos tomados pelo virtual, vem logo uma informação e nos derruba para o real.

Estava estes dias, por ocasião do dia do Repórter, assistindo a uma entrevista do jornalista Tino Marcos da Rede Globo, no Programa “Redação Sportv”, ao afirmar que o repórter, diferentemente de há vinte anos, não tem mais tanto prazer em ir atrás da notícia, do fato, do ocorrido. Isso já não importa tanto, pois as informações, as notícias estão chegando rapidamente via celular pela internet ,“on line”, 24 horas por dia, sem que se precise correr aonde elas estão. Mas o desafio do repórter hoje mudou, é importante agora sua competência no contar bem a história. Aquele que contar melhor a notícia sai na frente e sua matéria sai estampada nas principais páginas dos jornais, sites e blogs.

Ora, se na imprensa muita coisa mudou com o avanço das mídias, o que dizer então da Educação, uma área que se alimenta de conhecimento, de dados informativos para o ganho formativo da humanidade.

Como disse, as informações em nosso dia a dia estão cada vez mais disponíveis na memória de um aparelho celular, no PC e no “google”. Sendo assim,  qual o destino de nossa própria memória? Para que decorar uma imensa quantidade de dados, se o acesso às informações está mais democrático, e se podemos contar com aparelhos de memórias portáteis?

Frente a isso, a Dra. em Filosofia e Educação Viviane Mosé discute com propriedade as imensas transformações que caracterizam o mundo contemporâneo e quais a suas inferências na Educação. Afinal, o que se torna fundamental aprender? Que tipo de conteúdos a escola deve ensinar?

Para Viviane Mosé, numa sociedade em que cada vez mais as máquinas fazem o trabalho manual e mental, resta a atividade em que o homem é imprescindível e essencial: criar. Inovação, criatividade, atitude, são moedas de alto valor na sociedade que se configura. Além disso, com as constantes inovações, próprias da era tecnológica, é fundamental aprender a aprender, para que o processo educativo permaneça depois da escola. A invasão de informações também deve ser filtrada e processada, por isto é essencial desenvolver métodos de pesquisa. Estas são algumas das inúmeras questões que precisamos pensar, quando educamos no mundo contemporâneo.

Portanto, a memória ou a decoreba não é mais um sinal de avanço na Educação, porque há aparelhos que agora fazem esta função com muito mais qualidade, no entanto é fundamental educar para os valores, educar na formação da opinião e na criação de conceitos necessários à vida em todos os seus aspectos. Uma máquina não pode valorar, criar, imaginar, inovar, ter atitudes. Isso sim, ela não pode fazer: Que seja possível formar um homem sábio!


 

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Licenciado em Filosofia pela UERN, Especialista em Metafísica pela UFRN e Especialista em Estudos Clássicos pela UnB
Páginas na internet:

www.umasreflexoes.wordpress.com

www.twitter.com/filoflorania

 

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Serenidade

Antes mesmo de encerrar algumas linhas sob o aspecto da serenidade, é importante ressaltar que desde Epicuro até Heidegger, o grande sábio é aquele que atinge a serenidade, a paz.

No correr desses dias, de altos assuntos tecnológicos, principalmente pela morte recente de Steve Jobs, acionista majoritário da “apple”, um gênio da informática e idealista do “imac”, do “iphone” e do “ipad”, insurge-se em torno de nós uma preocupação extrema com as próximas novidades tecnológicas, uma vez que Steve era obcecado pelo novo, pelas mudanças. A pergunta que não quer calar vem à tona: O que virá agora? Muitos jovens, adolescentes e até adultos, bem como uma parte considerável da população mundial, certamente, está se perguntando agora. O que virá depois da morte de Steve Jobs? Mas, pergunto-me, o que tem a ver a serenidade com tudo isso? Ah! Veremos.

Com tantos achados tecnológicos e a incrível emancipação humana frente à ciência, será possível ainda que o mundo venha a se perguntar por novidades tecnológicas? É… Não estamos satisfeitos! Quanto mais entramos e nos infiltramos no interior das máquinas de ponta do mundo contemporâneo, mais e mais nos sentimos seduzidos por elas. Quem seduz quem? É a inversão(confusão) do sistema capitalista. Nos relacionamos muito mais com os nossos notbooks, iphones e ipads; do que com os nossos irmãos, pais e amigos. Isso produz, compulsivamente, sujeitos de desejos que se atraem por novas e cada vez mais novíssimas máquinas com designers diferentes. As pessoas não se contêm e correm avassaladoramente para as incríveis, não menos tentadoras, invenções tecnológicas.

Dessa forma, dificilmente conseguimos pensar. A esfera tecnológica, repleta de entretenimentos, nos faz suspender o pensamento, ou pelo menos, pensar de outro modo. Porém, se sentimos falta da reflexão, do pensamento, do verdadeiro pensar, é porque precisamos repensar a serenidade. Coisa parecida escreve Heidegger: “Há dois tipos de pensar, cada um dos quais é, por sua vez e a sua maneira, justificado e necessário: o pensar calculador (rechenende Denken) e a reflexão meditativa (besinnliche Nachdenken). É a esta última a que nos referimos quando dizemos que o homem de hoje foge ante o pensar”(Cf. M. Heidegger,Serenidade, trad. M.M. Andrade e O. Santos, Lisboa, Ed.Instituto Piaget, 1959, p.13-13).

Aí está o caminho da reflexão. Nessa direção se dá o anúncio dessa estranha tendência filosófica que supõe a Serenidade no dizer de Heidegger:“Podemos utilizar os objetos técnicos tal como eles têm de ser utilizados. Mas podemos, simultaneamente, deixar esses objetos descansar em si mesmos, como algo que não interessa àquilo que temos de mais íntimo e de mais próprio. Podemos dizer sim à utilização inevitável dos objetos técnicos e podemos ao mesmo tempo dizer não impedindo que nos absorvam e, desse modo, verguem, confundam e, por fim, esgotem a nossa natureza (…) Deixemos os objetos técnicos entrar em nosso mundo cotidiano e ao mesmo tempo deixemo-los repousar em si mesmos como coisas que não são algo de absoluto, mas que dependem elas próprias de algo superior”(idem, p. 22-23s).

Heidegger viveu numa época de deslumbramento da técnica, ao ponto de reivindicar uma melhor relação da ciência com a filosofia. Aliás, dificilmente se fazia filosofia sem ciência. Nietzsche, Heidegger e outros foram o grande contraponto desse momento. Mesmo assim, a ciência insistia em se impor. Os dias de Heidegger não eram tão diferentes dos nossos. O início do séc. XX provou ser o alvorecer dos encantos e desencantos da ciência: Criação e testes da bomba atômica, criação de armas químicas, guerras, fome no mundo, doenças… Um século que se mostrou contraditório e por demais desumano que viu morrer 6 milhões, senão mais, de judeus e outras inúmeras pessoas, submissas ao ódio de um tirano no poder. Tempos horríveis que despertaram no humano uma tremenda sede de paz, de serenidade. Fomos marcados, injustificavelmente, por duas grandes guerras mundiais com consequências terríveis de destruição em massa.

Os tempos são outros, mas com algumas semelhanças. Como se não bastasse, já somos herdeiros de uma ideologia norte-americana que tem ódio do terror do Oriente Médio. Vimos o assustador 11 de setembro de 2001. Não obstante, há um certo maravilhamento comparado à época de Heidegger, em que se vislumbram inovações tecnológicas capazes de nos deixar perplexos pelo conforto, pela praticidade, pela mobilidade e, mais que isso, pelo entretenimento oferecido aos usuários das inventividades de Steve Jobs. Este é o mundo de Bill Gates, Steve Jobs e de outros mais. Querendo ou não, este é o nosso mundo!

Todavia, não é deste mundo que vem a nossa paz, tal como afirma a Sagrada Escritura: “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá”(Jo 14.27). Somente com a experiência da serenidade é que podemos dizer sim ou não a este mundo, pois a serenidade ou o estado sereno diante da vida ou das coisas nos permite ascender a um outro estágio de mistério e contemplação que é a sabedoria segundo Heidegger. Na linha da natureza e da vida sem ascendê-las, Epicuro nos assegura que a serenidade é uma espécie de imperturbabilidade da alma que culmina numa vida boa, não numa boa vida, chamando a isso também de vida sábia. Portanto, serenidade é sim sabedoria.


Prof. Jackislandy Meira de M. Silva
Bacharel em Teologia, Licenciado em Filosofia e Especialista em Metafísica e em Estudos Clássicos
Páginas na net:

www.umasreflexoes.wordpress.com

www.twitter.com/filoflorania

 

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PROEMI – Ferramentas filosóficas: Oralidade, interpretação textual e tecnologias

Inscreva-se já! Você que é estudante da Escola Estadual Teônia Amaral, as inscrições para inúmeras oficinas do Programa do Ensino Médio Inovador, que funcionarão no contraturno da Escola, estarão abertas a partir desta terça-feira, dia 19/03 e vão até 22/03.

O Prof. Jackislandy Meira estará oferecendo a oficina de FERRAMENTAS FILOSÓFICAS: ORALIDADE, INTERPRETAÇÃO TEXTUAL E TECNOLOGIAS. O estudante interessado é só procurar o Professor ou a direção da Escola para se inscrever.

Conheça o Projeto do Professor Jackislandy Meira de Medeiros Silva e venha participar:

PROEMI – PROGRAMA DO ENSINO MÉDIO INOVADOR

ESCOLA ESTADUAL TEÔNIA AMARAL – ANO 2013

FLORÂNIA – RN

FERRAMENTAS FILOSÓFICAS: ORALIDADE, INTERPRETAÇÃO TEXTUAL E TECNOLOGIAS.

Oficinas:

1) Com a fala também se aprende;

Objetivo geral:

Desenvolver no estudante a possiblidade de aprender com seus argumentos por meio de diálogos dramáticos, debates, mesa-redonda, seminários, conversações, entrevistas e demais exposições.

Objetivos específicos:

O estudante poderá aprimorar sua extensão vocal, impostação e colocação da voz. Alcançará maior fluidez na linguagem quando precisar comunicar ou divulgar o seu trabalho. Terá oportunidade de educar a sua fala, bem como dominá-la mais, trabalhá-la e torná-la ainda mais eficaz nos trabalhos escolares e em outras apresentações de interesse individual e coletivo. Será interessante também, gerar no estudante um apelo auditivo; saber ouvir; viver o que o outro está ouvindo e sentindo. A possibilidade de, com a leitura e com a audição da fala do outro, imprimir certa comoção na turma ou nos colegas.

2) A descoberta das ideias no texto

Objetivo geral:

Conduzir o estudante por diversos tecidos textuais, de modo que estabeleça comparações, releituras a partir de sua visão de mundo, de sua vida.

Objetivos específicos:

O estudante manterá contato mais direto com o texto escrito, no caso aqui o texto ou fragmentos ou diálogos filosóficos para fazer uma relação com a dimensão oral vista anteriormente. Importante notar que a interpretação surgirá aos poucos como apoio para o entendimento do conteúdo daquilo que se fala, do contrário, seria praticamente difícil imprimir sentimento, vida e emoção ao que se está falando ou dialogando.

3) Uso de ferramentas tecnológicas: e-mails, internet, blogs, portfólio virtual, ebooks, vídeos…

Objetivo geral:

Subverter a ordem tecnológica do puro entretenimento para uma nova ordem inteligente do uso dessas ferramentas em que o estudante informe-se, aprenda e reflita conteúdos veiculados em rede.

Objetivos específicos:

A tecnologia será muito mais uma via de mediação para a desenvoltura da fala e da interpretação do texto filosófico do que simplesmente um mecanismo de entretenimento de alienação e controle. O estudante descobrirá o quanto ele está no controle das tecnologias e não o contrário. O estudante, depois que adquirir habilidade do uso da fala e uma razoável compreensão do que está sendo dito, poderá se comunicar com mais segurança e confiança. E para inteirá-lo ao mundo da comunicação rápida e virtual, será oferecido a ele aulas de criação de e-mails, blogs e navegação na internet, de modo que estas ferramentas auxilie à sua aprendizagem, amplie sua socialização e atue numa constante troca de conteúdos em tempo real para a vida toda.

Autor: Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva

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Parafraseando-me

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Filosofia Crítica

"Levar a filosofia às pessoas, levar as pessoas a filosofar." tiomas@yahoo.com

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"Filosofar é aprender a morrer". Montaigne

Luciano Ezequiel Kaminski

Textos sobre Filosofia e Sociologia

OUSE SABER! BLOG DO PROFº MARCOS FABIO A. NICOLAU

O blog visa disponibilizar material didático on line das atividades docentes no semestre [aulas, cursos, oficinas, grupos de pesquisa], assim como minha produção acadêmica [publicações, artigos, comunicações e palestras]

kely Brenzan

Esta é a pagina e blog a da autora