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A relação do estrangeiro

“Mas eu penso que a relação do estrangeiro com o estrangeiro, tornando-se amor e abnegação, atesta mais a ordem de Deus. Sempre admirei, na Bíblia, a fórmula: ‘Amarás o estrangeiro’. Essa relação pode se prolongar nas relações fraternais, mas é certamente na relação com outro homem, em meus deveres, em minhas obrigações, em que lhe diz respeito, que há, para mim, a palavra de Deus. É nesse ponto que a subversão considerável da ordem natural se produz: alguém, que não me diz respeito, me diz respeito, é bem isso o paradoxo do amor do estrangeiro. Inicialmente, ser, é persistir em seu ser. É nesses termos que Spinoza entende a existência. Ser é o esforço de ser, o fato de perseverar em seu ser. E eis de repente uma ruptura desse esforço. Em minha responsabilidade no tocante a outrem, que logicamente nada é, que é outro, que é separado, que é estrangeiro. Eu tenho essa responsabilidade a partir do momento em que abordo o outro homem. Nesse sentido, falo aqui da palavra de Deus que converte a perseverança em meu ser em solicitude para com outrem”

POIRIÉ, François. Emmanuel Lévinas: ensaio e entrevistas. São Paulo: Perspectiva, 2007, p. 99-100.

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Encontros alegres

A essa altura do ano os encontros se multiplicam compulsivamente, se é que podemos classificar esses agrupamentos de pessoas de “encontros”, uma vez que mais parecem ajuntamentos forçosos pela conveniência de datas tradicionalmente reconhecidas como o Natal e o Ano Novo. Encontros precisam ser espontâneos, verdadeiramente amigáveis e alegres. Quando se impõe, exige e força um encontro, não flui como deveria ser, de um modo criativo, surpreendente e generoso.

Encontros são encontros, simplesmente, inclassificáveis e obedece, na minha opinião, à ordem do por vir, do vir a ser de Heráclito de Éfeso. Temos encontros diários e permanentemente.

Penso que quanto mais nos enfadamos das festas, reuniões ou até mesmo desses rituais de fim de ano, mais e mais necessitamos, ficamos sedentos e desejosos de verdadeiros encontros, semelhantes aos que costumamos experimentar em família, entre amigos, num aniversário surpresa, num jantar imprevisto, em circunstâncias criadas naturalmente, onde as pessoas vão chegando, chegando e a atmosfera do encontro vai se constituindo cheia de alegria e gratidão. Não dá mais para suportar encontros produzidos, superficiais, monótonos e sem imprevisibilidade. Quanto mais o tempo passa, os anos se vão e a bagagem da vida aumenta, aí é que precisamos de encontros assim.

A alegria é fruto de um bom encontro carregado de afetos bons. Por isso que volta e meia dizemos que um bom encontro é cheio de vida e alegria, de “afecções” dessa natureza. Estamos alegres quando nos sentimos afetados por pessoas alegres que vão aumentar em nós essa potência. Era justamente isso que entendia Spinoza, filósofo holandês do séc. XVII, sobre os bons e maus encontros. Para ele, é da nossa natureza afetar e ser afetado por outros, de modo que a vida é uma intensa possibilidade de encontros.

Só que um encontro alegre se traduz em conquistar, por menor que seja, um pedaço daquele ambiente, daquele encontro, entrar nele, sentir-se parte dele, assumi-lo. Seria o encontro comigo dentro. Ele me preenche e eu o preencho. Eis a alegria!

Por sua vez, o mau encontro se dá na medida em que os afetos não se combinam, diminuindo sua potência de ser. Aí vem a tristeza que surge da separação de uma potência que não me integra, não me preenche, não me põe dentro do encontro. Eis a tristeza!

Algumas vezes, é certo, não depende de nós mudar os encontros, nem sempre temos o poder de mudar as ações, de influenciar, as circunstâncias não nos permitem, as condições menos ainda, enfim. Porém, agir é sempre bom, é interessante agir diferente, criar novas ações neste Natal e Ano novo, abrir-se a experiências novas e inusitadas de encontros parece ser uma tentativa bastante louvável para quem deseja encontros alegres com afetos que se combinem, se completem.

Espero que todos procurem bons encontros, encontros alegres, neste Natal e fim de Ano.

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva

Bel. em Teologia, Bel. e Licenciado em Filosofia, Esp. em Metafísica, Esp. em Estudos Clássicos.

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