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A “Loteria” do poder

Slavoj Zizek é um pensador daqueles que fogem à regra. Filósofo esloveno, comunista convicto, afeito à Psicanálise e ao cinema com todas as suas facetas, não perde um segundo de pessoalidade e ironia em suas colocações. Um sujeito polêmico, mas incrivelmente otimista. Talvez duas forças destoem de seu temperamento, curioso e engraçado ao mesmo tempo. Pude perceber um pouco do universo de seu pensamento pelas entrevistas que concedeu recentemente à globo news, como também por sua vinda recente à São Paulo, onde participou de uma série de outras entrevistas, uma delas publicada na Revista Cult, junho de 2011, nº 158.

O mais engraçado de suas declarações ultimamente foi o fato de admitir a possibilidade de um sorteio para se chegar ao poder, como numa espécie de loteria. Imagine você assistir da sua casa a um sorteio de seus candidatos pela TV ou pelo rádio, ou mesmo pela internet. O que você diria disso? Pois é. Uma alternativa discutida por esse filósofo que não diz nada à toa. Há por trás dessa ideia alguma coisa de muito, mas muito séria. Não é uma ideia de se jogar fora.

Repare bem que estamos em tempos de uma desconfiança muito grande na democracia, no seu sistema eleitoral, no caminho que se faz para se chegar ao poder em qualquer parte do mundo. As nossas eleições estão cada vez mais caras e ditam um ritmo de corrupção indesejada pela opinião pública. As ditaduras espalhadas pelo mundo estão caindo(caso da Tunísia e do Egito) porque não respondem às expectativas populares de subsistência mínima que vai da comida à economia passando pela ecologia. Ora, se assistimos à queda de regimes de extrema esquerda, também assistimos a grandes estragos em regimes políticos de extrema direita ao longo da história. Experiências de governo parecem ter frustrado a humanidade nos últimos decênios, ainda assim insistimos em voltar a alguns, como é o caso da insistência de Zizek pelas ideias de Marx e outros que defendem a força quase imorredoura das manifestações populares, das reivindicações das camadas trabalhistas em benefício da solidez do Estado e da qualidade de quem o governa. Com uma boa dose cômica em suas palavras, Zizek não abre mão de suas convicções pró-comunistas que vão da fina crítica ao liberalismo econômico dos países capitalistas, propondo uma derrubada gradual e não imediata do capitalismo à eleição de governantes por sorteio.

No Brasil, as reeleições parecem ser um entrave quanto à alternância do poder, muito embora se questione em algum momento a qualidade deste poder. Segundo Zizek, mesmo na Grécia, palco fundante da democracia, “as pessoas já sabiam que é preciso haver algum elemento de contingência na democracia. O único jeito pelo qual a democracia funcionaria seria combinar qualificação e contingência”(Rev. Cult, junho 2011, nº 158, p. 17).

Zizek sorri da fragilidade do sistema capitalista ao qual estamos submetidos, lembrando a crise econômica de 2008 que assustou a todos e sua relação com a democracia: “Há limitações na democracia como a conhecemos, mas os principais candidatos à sua sucessão não funcionaram bem… Em 2008, os bancos ocidentais estavam em pânico e não forneciam crédito. Na China, o poder central apenas ordenou aos bancos que o fizessem. É por isso que a Europa retrocedeu e a China cresceu… Os sonhos do século XX acabaram. Vocês, brasileiros, têm a sorte de não terem recebido uma dose muito grande de populismo. Na Argentina, o peronismo foi a pior catástrofe que aconteceu”(idem).

Ao comparar o populismo de Lula com o de Chávez, lança-se totalmente a favor de Lula: “Não vamos confundir populismo com apelo popular… Mas o trágico em Chávez talvez seja o fato de ele ter dinheiro demais, de modo que pode mascarar as dificuldades em vez de enfrentá-las”(idem). Para ele, o genial da democracia é o que as sociedades mais maquiam e escondem, a ideia de que o trono do poder estará sempre vazio: “E se dissermos que o trono está sempre vazio? O trono é ocupado apenas temporariamente e reocupado pelas eleições livres”(idem). É aqui onde mora o fiasco do sistema eleitoral brasileiro, as eleições não são tão livres assim. Há o direcionamento das mídias pelas propagandas sem limites quase que escolhendo por nós. Há o uso do dinheiro público desenfreado no período eleitoral que financia as mais questionáveis formas de adquirir voto. Há a cumplicidade popular que não resiste à estrutura corrupta das eleições no país: Ou por necessidade ou por oportunismo. A democracia está absolutamente restrita, muitas vezes, às condições de propaganda e marketing, bem como às estruturas de lista pronta dos partidos.

Com todo este cenário desolador da política brasileira, ainda assim é possível pensar seriamente numa “loteria” do poder? Diz Zizek que sim: “Quando Veneza era superpotência nos séculos XIV e XV, suas regras para a eleição eram a coisa mais louca. Não digo loucura completa, com a escolha de idiotas. Há regras para que os idiotas não cheguem lá. Mas, no limite, deve ser uma loteria”(idem). Diante do estado de coisas desarrumadas em que se encontra a estrutura das eleições democráticas no Brasil, unindo-se ao nefasto desgaste sem critério com que se elegem as pessoas mais despreparadas possíveis ao poder, não seria demais, tampouco exagero, criar uma malha fina com critérios rigorosos para que o Estado ganhe pessoas dignas, qualificadas e que atendam aos apelos populares de ecologia, economia e bem-estar social.


Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia, Especialista em Metafísica e em Estudos Clássicos
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O “homo otarius”

Como filhos do Ocidente no séc. XXI, não mais herdeiros saudosistas de um tonto racionalismo que nos levou à duas grandes guerras mundiais, menos ainda dispostos a zombar de uma ciência que quis ilusoriamente exterminar a doença e a fome no mundo, mas descendentes da máscara do terror disseminado pelos EUA, pós-11 de setembro de 2001, de onde partiu para o mundo todo imagens fortíssimas de desabamento de uma das mais poderosas potências econômicas da terra, mostrando a nossa real fragilidade, estamos sendo agora tentados a perpetuar a espécie em vários campos da atividade humana. Na ciência ou na política, na ecologia ou na religião, nas artes ou na culinária, na filosofia ou no mundo do trabalho, o discurso é o mesmo: “Que mundo queremos deixar para os nossos filhos?” Isso gera conformismo, passividade política e, ao mesmo tempo, subestima outros povos ao risco, uma vez que odiamos o risco. Queremos controlar a vida, não mais arriscá-la!

A notícia de que assumimos a colocação de 6ª economia mundial nos deixou meio tontos, senão bestas. O tão almejado sonho de viver uma realidade econômica semelhante ao dos países mais desenvolvidos sempre foi uma marca presa ao imaginário cultural coletivo de nosso povo. A cultura do conforto e da pasmaceira ideológica de que está tudo bem, três refeições ao dia, salário no final do mês, estabilidade econômica, casa própria, emprego e renda sendo criados, dinheiro no bolso 24 horas, “nunca antes na história desse país”, enfim, toda essa zona de conforto e “calmaria” apenas nos afoga numa dimensão de “sobrevivencialismo” , cuja ideia importo aqui da filosofia de Zizek: “(…) Parece que a divisão entre o Primeiro Mundo e o Terceiro está mais na oposição entre viver uma vida longa e satisfatória cheia de riqueza material e cultural e viver uma vida dedicada a uma Causa transcendente(…). Duas referências filosóficas se apresentam imediatamente a propósito do antagonismo ideológico entre o modo de vida consumista do Ocidente e o radicalismo muçulmano: Hegel e Nietzsche. Não seria esse antagonismo o que existe entre o niilismo ‘passivo’ e o ‘ativo’ de Nietzsche? Nós, no Ocidente, somos os Últimos Homens de Nietzsche, imersos na estupidez dos prazeres diários, ao passo que os radicais muçulmanos engajados na luta estão prontos a arriscar tudo, até a autodestruição(…)”(S. Zizek, Bem-vindo ao Deserto do Real, São Paulo, Boitempo, 2003, p. 57).

Segundo Zizek, paira sobre nós uma distorcida ideologia de que o bom mesmo é prolongar a vida, conservá-la ao máximo e purificá-la. Esse falso clima de sustentabilidade econômica e tudo mais é gritante em nossos dias. As pessoas estão estagnadas no conforto e na burocracia. A fajuta ideia de zona de conforto econômico pelo estado brasileiro está produzindo pessoas não só sedentárias, cômodas e preguiçosas, mas indivíduos bestas que renunciaram sua subjetividade em função de um estado de coisas prontas, dotadas do espírito do capitalismo, cheias de fantasias, insensíveis ao que há em volta, amargas com a realidade, seduzidas pelo virtual. É tão patente essa mentalidade que o próprio Zizek expressou-se assim sobre a importância que damos ao virtual: “Hoje encontramos no mercado uma série de produtos desprovidos de suas propriedades malignas: café sem cafeína, creme de leite sem gordura, cerveja sem álcool, sexo sem sexo, guerra sem guerra, a realidade virtual é sentida como a realidade sem o ser. Mas o que acontece no final desse processo de virtualização é que começamos a sentir a própria ‘realidade real’ como uma entidade virtual”(idem, p. 24-25). É o que está acontecendo conosco no Brasil. Vivemos uma certa satisfação econômica sem saber até quando e qual a real implicação que tem tudo isso para a totalidade da população e não apenas para uma parte.

O mais engraçado disso é que achamos que conquistamos algo. Não conquistamos nada ainda, basta olharmos o nosso mais recente IDH, a infraestrutura de nossos municípios, as estradas, a educação que não avança, os serviços públicos à saúde que sucumbem diariamente, altos gastos  em campanhas eleitoreiras para políticos corruptos e analfabetos, pousando de letrados. Além de acharmos que somos a 6ª, porém falsa economia mundial, ainda criamos o engodo de que vivemos o melhor dos mundos possíveis. Não temos vida boa coisa nenhuma. Estamos sendo enganados o tempo todo por discursos políticos desgastados e por índices de pesquisa que não sabemos se correspondem aos fatos.

Somos esses homens prenunciados por Nietzsche, o “homo otarius”, que não sabe realmente a vida que tem, a vida que leva, a vida sem vida talvez. Vejamos o que diz Slavoj Zizek ao retomar a pergunta paulina, “Quem está realmente vivo hoje?”: “E não se percebe claramente a mesma reversão no impasse dos Últimos Homens, indivíduos pós-modernos que rejeitam como terroristas todos os objetivos mais altos e dedicam a própria vida a sobreviver, a uma vida cheia de prazeres menores cada vez mais refinados e artificialmente excitados?(…) O que torna a vida digna de ser vivida é o próprio excesso de vida: a consciência da existência de algo pelo que alguém se dispõe a arriscar a vida(podemos chamar esse excesso de liberdade, honra, dignidade, autonomia, etc.). Somente quando prontos a assumir esse risco estamos realmente vivos”(idem, p. 108-109).

Deixamos o risco de vida pra lá e optamos por essa pasmaceira econômica que camufla a vida até a raiz da sua realidade, de tal modo que está anestesiando as nossas condições subjetivas de fazer a clínica, a análise da existência com toda sua carga de dramaticidade, transformando-nos em “homo otarius”.


Prof. Jackislandy Meira de M. Silva
Especialista em Metafísica e em Estudos Clássicos, Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia

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Nem tudo é o que parece

Capitalismo! Uma ideia de ordem que vende sem parar. Passando pelo que comemos, bebemos e pelo que vestimos, como se não bastasse, pelo que desejamos, inclusive, a felicidade. Sim, vende-se também felicidade. Lucra-se com ela, por ela e para ela. Nunca se vendeu tanta autoajuda como hoje. Vendemos conselhos motivacionais. Eles valem ouro. As pessoas buscam o tempo todo uma receita para viver melhor. Uma receita que lhes ensinem a viver. Mas tudo em nome do capitalismo. Uma dominação política sustentada na ilusão de que nossos desejos são satisfeitos, quando na verdade não são. Isso mesmo é uma farsa.

No capitalismo liberal, nem tudo, ou melhor, quase tudo não é o que parece. As sociedades capitalistas como a nossa se esforçam, sacrificam-se único e exclusivamente por uma fantasia de satisfação de desejos. Não refletimos sobre o que se passa conosco. Simplesmente nos basta o gozo ou o prazer fantasmático de algo satisfeito, de um conforto mentirosamente alcançado. O capitalismo, então, nos dá este conforto, e ele, assim como nós, não se dá por satisfeito, mas cria outros e mais outros novos estímulos, de modo a nos controlar compulsivamente. Não só nos tornamos consumidores por necessidade de sobrevivência, mas por manutenção de prazeres diários.

A verdade é que, por causa do capitalismo, somos incapazes de ver além de nossos desejos, de dar sentido a eles, de descobrir quem somos. Com isso, passamos a ser vistos aos poucos como máquinas de produção de conforto, porém muito conforto. Atolados demais em conforto, a sociedade fica doente, vulnerável a toda sorte de males. Nós ficamos doentes, ao ponto de sequer questionar o modo como vivemos. Não damos mais alternativas ao capitalismo e nem desconfiamos dele, visto que “parece mais fácil imaginar o fim do mundo que uma mudança muito mais modesta no modo de produção, como se o capitalismo liberal fosse o ‘real’ que de algum modo sobreviverá, mesmo na eventualidade de uma catástrofe ecológica global…(…) Pode-se afirmar categoricamente a existência de uma ‘qua’ matriz geradora que regula a relação entre o visível e o invisível, o imaginável e o inimaginável, bem como as mudanças nessa relação”(Slavoj Zizek, in Um Mapa da Ideologia, p. 07).

Repare que paira sobre nós uma sensação estranha de dominação política, sobretudo em tempos de realidade virtual, de sofisticação tecnológica, outro dado que se junta ao capitalismo para controlar nossos desejos e ansiedades. Vivemos meio que deslocados do mundo real, fora do espaço e tempo em que ocupamos. Estamos nos enchendo de informações via celulares, Ipads e Laptops, e isso costuma não dar em nada, pois nos tornamos até mais despolitizados. Consumimos ideologia por desejo e não por reflexão.

Interessa-nos muito mais a relação amorosa de uma atriz que mora em Londres ou em New York do que o número alarmante de separações de casais em nosso país. Rende mais debate um terremoto que ocorre no Japão ou um desequilíbrio climático ao redor do mundo do que com a carência de fios de aço para cirurgias na saúde pública do RN. Discussões sobre o descaso com a infraestrutura do país como transportes, saneamento, educação, políticas públicas de convivência com o semiárido… Nada disso importa o quanto importa a realização de uma Copa do Mundo no Brasil, o que é preocupante porque nem a Copa e tudo o que dizem dela é o que parece. Nem tudo é o que parece. A Copa do mundo, bem como o Carnaval e uma porção de coisa no Brasil tentam esconder corrupção, altos impostos e inflação que oprimem a população.

Penso que a pauta das discussões políticas e sociais está indo na onda do capitalismo liberal que pretende esvaziar mais ainda o debate cultural entre os povos pela via superficial da informação virtual cada vez mais disseminada no mundo. O filósofo esloveno Slavoj Zizek, numa obra organizada por ele, Um Mapa da Ideologia, assim nos alerta para o perigo do capitalismo: “Hoje em dia, muito ouvimos e lemos sobre como a própria sobrevivência da espécie humana está ameaçada pela perspectiva da catástrofe ecológica (diminuição da camada de ozônio, o efeito estufa etc.). O verdadeiro perigo, entretanto, acha-se em outro lugar: o que está ameaçado, em última análise, é a própria essência do homem. Ao nos esforçarmos por prevenir a catástrofe ecológica iminente, com soluções tecnológicas cada vez mais novas, estamos, na verdade, simplesmente jogando lenha na fogueira e, com isso, agravando a ameaça à essência espiritual do homem, que não pode ser reduzido a um animal tecnológico”(p. 22).

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva

Bel. em Teologia, Licenciado em Filosofia, Esp. em Metafísica/UFRN e em Estudos Clássicos pela UnB/Archai/Unesco.

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A reinvenção da Utopia

(imagem: Ponte de Heráclito, Magritte, fonte: www.espress451.wordpress.com)

Não gosto da ideia de pensar que a realidade é o único lugar que existe. A realidade é muito dura conosco, algumas vezes até mentirosa, traiçoeira e cruel. Assusta-me o fato de estarmos cercados somente de realidade, isto quer dizer que a vida parece ficar sem respiração, sem fôlego para encontrar uma possibilidade para tantos dilemas e contrariedades, presa aos limites da existência. Para muitos pontos cegos que a realidade esconde, nada melhor do que encontrar pontos de claridade regados à utopia.

Quando leio alguns livros e textos onde a utopia é simplesmente restrita a situações políticas, noto aí certo empobrecimento de sua riquíssima noção. É preciso reinventar a utopia.  Não mais a caduca noção de imaginar uma sociedade ideal que, evidentemente, jamais será realizada, tampouco aceitar a corriqueira utopia capitalista que desperta em nós os instintos e desejos mais perversos. Os desejos que a utopia capitalista produz, além de serem extremamente acessíveis, são impostos pela estrutura e acabam nos obrigando a realizar.

Tenho a impressão de que a utopia pode ser imaginada quando os problemas estão nos sufocando e a situação está se tornando insuportável em qualquer instância da vida, e não somente na dimensão política, muito embora saibamos que o verdadeiro sentido da política abrange toda uma arte de viver e supõe uma incrível habilidade no modo de viver. É mais ou menos por aí que se pode reinventar a utopia para Slavoj Zizek, pois afirma que “a verdadeira utopia surge quando a situação não pode ser pensada, quando não há um caminho que nos guie a resolução de um problema, quando não há coordenadas possíveis, que nos tire da pura urgência de sobreviver, temos que inventar um novo espaço. A utopia é uma espécie de livre imaginação. A utopia é uma questão da mais profunda urgência, quando somos forçados a imaginá-la como único caminho possível, e é isso que precisamos hoje”.

Sugiro que, se a realidade estiver mesmo muito insustentável, tenha senso de humor, brinque com ela e divirta-se, depois imagine o que pode ser feito para torná-la suportável, leve ou até feliz. Fernando Savater, na obra Política para meu filho, faz uma interessante diferença entre utopia e ideais políticos, assumindo uma posição crítica em relação à utopia: “Gostaria muito que você tivesse ideais políticos, porque as utopias fecham as cabeças, mas os ideais as abrem; as utopias conduzem à inação ou ao desespero destrutivo (porque nada é tão bom como deveria ser), ao passo que os ideais estimulam o desejo de intervir e nos conservam perseverantemente ativos (…)”.

De qualquer modo, é preciso subverter a antiga ideia de utopia para reinventá-la e não simplesmente dispensá-la. A história é testemunha de que os projetos utópicos fracassaram, mas, como a história progride e estamos ao seu serviço, ainda buscamos ideais e utopias, afinal de contas há em nós sonhos, imagens, desejos possíveis e realizáveis de um mundo melhor, de uma realidade cujo fardo é leve.

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva

Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia, Especialista em Metafísica/UFRN e em Estudos Clássicos pela UnB/Archai/Unesco

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A máscara do fascismo

Tenho visto muitas máscaras de fascismo espalhadas pelos ambientes burocráticos da esfera política, entre elas estão o completo descaso dos parlamentares em discutir uma reforma política e a escandalosa indiferença com que tratam os casos de corrupção da máquina administrativa, bem como a inteira apatia em ouvir as vozes das ruas, que são os desejos da sociedade.

Um dado do Relatório Global de Felicidade, da ONU, salta aos nossos olhos, é que a corrupção é um dos fatores que impede, e muito, o brasileiro de ser o povo mais feliz do planeta. Informação recentemente publicada em site da Exame: http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/onu-revela-o-que-impede-a-felicidade-do-brasileiro

Enquanto o dinheiro público se esvai pelos ralos de obras superfaturadas, licitações escusas e outros meios de desvios de verbas públicas, grande parte dos que governam investe na tentativa de enganar os outros, a massa mal paga e menos esclarecida, com discursos evasivos, sabendo que o povo cairá, como sempre, nas mesmas armadilhas ou conversas de antes. Tal comportamento, por si só, já é carregado de fascismo!

Há pouco tempo assisti a uma palestra, na internet, da filósofa Márcia Tiburi, professora da Universidade Mackenzie de São Paulo, para quem o fascismo poderia ser descoberto com a seguinte pergunta: o que você acha do povo? Se alguém; um político, professor, jornalista, escritor, enfim, respondesse que o povo é ignorante, não entende nada, não está nem aí pra nada, este sim é um fascista.

O fascista acredita que os outros são idiotas, bobos e tolos, não servem para nada, a não ser para servir-lhe ou obedecer-lhe. O fascista impossibilita o diálogo porque não aceita um outro ponto de vista, uma outra ideia, uma outra pessoa, no fundo, não admite uma alteridade.

Lendo uma entrevista de Marilena Chauí para a Revista Cult de Agosto de 2013, pude sentir a cristalina diferença entre violência revolucionária e a fascista com relação às manifestações populares de junho: “(…) Lênin dizia assim: ‘Há uma coisa que a burguesia deixou e que nós não vamos destruir: o bom gosto e as boas maneiras’. Ora, não estamos num processo revolucionário para dizer o mínimo! Se não se está em um processo revolucionário, se não há uma organização da classe revolucionária, se não há a definição de lideranças, metas e alvos, você tem a violência fascista! Porque a forma fascista é a eliminação do outro. A violência revolucionária não é isso. Ela leva à guerra civil, à destruição física do outro, mas ela não está lá para fazer isso. Ela está lá para produzir a destruição das formas existentes da propriedade e do poder e criar uma sociedade nova. É isso que ela vai fazer. A violência fascista não é isso. Ela é aquela que propõe a exterminação do outro porque ele é outro. Não estamos num processo revolucionário e por isso corremos o risco da violência fascista contra a esquerda (mesmo quando vinda de grupos que se consideram ‘de esquerda’)”.

É no encontro com o outro, com minha alteridade que me dirijo para uma dimensão de profunda experiência humana, social e coletiva.

O movimento interno e externo de uma revolução não se faz sozinho, porque ninguém pensa sozinho, ninguém vive sozinho. É preciso criar encontros com os outros a fim de promover uma felicidade possível, um mundo mais verdadeiro, onde todos não tenham medo de encarar a sua vergonha e queiram, assim, tirar a máscara do engano, do lixo nocivo da corrupção e do fascismo.

Diferentemente do fascista, implica dizer como Slavoj Zizek: “Não sou eu. Sou só uma ferramenta. Estamos todos servindo a história”.

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva

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