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Confissões…

 

Estava lendo a revista “Discutindo Filosofia” especial sobre Karl Marx quando me deparei com as Confissões do próprio Marx, por sinal, bastante reveladoras tendo em vista suas prioridades acerca da ideologia do trabalho. Estas Confissões são reveladoras, pois trazem a filigrana resumida do que representa para si mesmo o seu pensamento cravado na história.

Certa vez, Jenny e Laura, ao brincar com o Pai, fizeram um questionário para ele responder, do tipo “bate-bola”, em que as respostas seriam uma espécie de “confissão”. Esta, como disse, reflete bem sua personalidade enquanto filósofo:

“A qualidade que mais aprecia?

Nas pessoas, a simplicidade; nos homens, a força; nas mulheres, a fraqueza.

Seu traço característico?
A coerência de propostos.
Ideia de felicidade?
A luta.
Ideia de infelicidade?
A submissão.
O defeito que desculpa mais facilmente?
A credulidade.
O defeito que lhe inspira mais aversão?
O servilismo.
Uma antipatia?
Martin Tupper.
Ocupação preferida?
Percorrer sebos e livrarias.
Poetas preferidos?
Shakespeare, Ésquilo, Goethe.
Prosador preferido?
Diderot.
Herói preferido?
Espártaco, Kepler.
Heroína preferida?
Gretchen.
Flor preferida?
O loureiro.
Cor preferida?
O vermelho.
Nome preferido?
Laura, Jenny.
Prato preferido?
Peixe.
Máxima preferida?
Nada de humano me é estranho.
Divisa preferida?
Duvida de tudo”

(De “Confissão”, Die Neue Zeite, 1913)

 

 

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A máscara do fascismo

Tenho visto muitas máscaras de fascismo espalhadas pelos ambientes burocráticos da esfera política, entre elas estão o completo descaso dos parlamentares em discutir uma reforma política e a escandalosa indiferença com que tratam os casos de corrupção da máquina administrativa, bem como a inteira apatia em ouvir as vozes das ruas, que são os desejos da sociedade.

Um dado do Relatório Global de Felicidade, da ONU, salta aos nossos olhos, é que a corrupção é um dos fatores que impede, e muito, o brasileiro de ser o povo mais feliz do planeta. Informação recentemente publicada em site da Exame: http://exame.abril.com.br/brasil/noticias/onu-revela-o-que-impede-a-felicidade-do-brasileiro

Enquanto o dinheiro público se esvai pelos ralos de obras superfaturadas, licitações escusas e outros meios de desvios de verbas públicas, grande parte dos que governam investe na tentativa de enganar os outros, a massa mal paga e menos esclarecida, com discursos evasivos, sabendo que o povo cairá, como sempre, nas mesmas armadilhas ou conversas de antes. Tal comportamento, por si só, já é carregado de fascismo!

Há pouco tempo assisti a uma palestra, na internet, da filósofa Márcia Tiburi, professora da Universidade Mackenzie de São Paulo, para quem o fascismo poderia ser descoberto com a seguinte pergunta: o que você acha do povo? Se alguém; um político, professor, jornalista, escritor, enfim, respondesse que o povo é ignorante, não entende nada, não está nem aí pra nada, este sim é um fascista.

O fascista acredita que os outros são idiotas, bobos e tolos, não servem para nada, a não ser para servir-lhe ou obedecer-lhe. O fascista impossibilita o diálogo porque não aceita um outro ponto de vista, uma outra ideia, uma outra pessoa, no fundo, não admite uma alteridade.

Lendo uma entrevista de Marilena Chauí para a Revista Cult de Agosto de 2013, pude sentir a cristalina diferença entre violência revolucionária e a fascista com relação às manifestações populares de junho: “(…) Lênin dizia assim: ‘Há uma coisa que a burguesia deixou e que nós não vamos destruir: o bom gosto e as boas maneiras’. Ora, não estamos num processo revolucionário para dizer o mínimo! Se não se está em um processo revolucionário, se não há uma organização da classe revolucionária, se não há a definição de lideranças, metas e alvos, você tem a violência fascista! Porque a forma fascista é a eliminação do outro. A violência revolucionária não é isso. Ela leva à guerra civil, à destruição física do outro, mas ela não está lá para fazer isso. Ela está lá para produzir a destruição das formas existentes da propriedade e do poder e criar uma sociedade nova. É isso que ela vai fazer. A violência fascista não é isso. Ela é aquela que propõe a exterminação do outro porque ele é outro. Não estamos num processo revolucionário e por isso corremos o risco da violência fascista contra a esquerda (mesmo quando vinda de grupos que se consideram ‘de esquerda’)”.

É no encontro com o outro, com minha alteridade que me dirijo para uma dimensão de profunda experiência humana, social e coletiva.

O movimento interno e externo de uma revolução não se faz sozinho, porque ninguém pensa sozinho, ninguém vive sozinho. É preciso criar encontros com os outros a fim de promover uma felicidade possível, um mundo mais verdadeiro, onde todos não tenham medo de encarar a sua vergonha e queiram, assim, tirar a máscara do engano, do lixo nocivo da corrupção e do fascismo.

Diferentemente do fascista, implica dizer como Slavoj Zizek: “Não sou eu. Sou só uma ferramenta. Estamos todos servindo a história”.

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva

Bel. em Teologia, Licenciado em Filosofia, Esp. em Metafísica e em Estudos Clássicos pela UnB/Archai/Unesco.

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O sono de Jonas

A impressão que se tem quando dormimos é que os sentidos e a razão perdem suas forças. A consciência e o corpo parecem descansar para recuperar suas energias. Talvez o sono seja a experiência humana mais próxima da suspensão da vida, um estado em que a existência do eu se evade, sai de si e se refugia no nada, no tédio ou na fadiga, de modo a percebermos que a verdadeira vida está ausente.

Nessa direção se abre uma chave de leitura para o episódio bíblico narrado no livro de Jonas, onde a personagem central que intitula o próprio livro desobedece ao seu Deus, achando ele que poderia fugir ou evadir-se da presença de Deus. Mal sabia Jonas o que estava para acontecer. Ao fugir para Társis, visto ser o lugar mais longe possível para a época, sobretudo aos olhos dos hebreus, Jonas tenta renunciar à sua missão: Ir a Nínive, a grande cidade, e anunciar contra ela sua maldade, pois está desagradando a Deus (Cf. Jn 1. 2, in Bíblia de Jerusalém, impressão de 1993).

Teimosamente e de modo muito rebelde, Jonas não vai aos ninivitas para fazer o que Deus lhe pedira, no entanto toma um navio e zarpa para Társis. Só que durante a viagem, algo de sombrio e extraordinário acontece. Deus lança sobre o mar uma terrível tempestade a ponto de a um só tempo, por consequência do vento violento, o navio naufragar e os marinheiros a gritar assustadoramente. Pelo tom dramático que o autor sagrado põe nessa história dá até para imaginar a cena de desespero dos marinheiros implorando, cada qual ao seu deus e ao seu modo, socorro e salvação.

Quanto tumulto, desespero, medo e gritaria nesse ambiente! Porém nada disso incomodava o sono de Jonas, que se encontrava no fundo do navio deitado e dormindo profundamente (Cf. Jn 1. 5). Nem mesmo o mar bravio conseguia acordar Jonas.

Até que, finalmente, o comandante do navio aproxima-se dele e diz: “Como podes dormir? Levanta-te, invoca o teu Deus! Talvez Deus se lembre de nós e não pereceremos”(Jn 1. 6).

Depois de lançarem a sorte e descobrirem que havia sido Jonas a causa daquela terrível tempestade, os marinheiros foram obrigados a jogar Jonas no mar para que o mar acalmasse a sua fúria. Daí segue-se o que mais se sabe da história de Jonas, Deus determina que um peixe grandioso engula Jonas e que ele permaneça nas entranhas do peixe três dias e três noites.

Somente quando Jonas reconhece que Deus é Deus através da sua oração com clamores e súplicas é que, de repente, o peixe o vomita sobre a terra.

Gostaria de chamar atenção para duas coisas nessa preciosa história. Primeira, o sono de Jonas não é como o sono de um justo trabalhador que, extenuado pela dura carga de trabalho, faz uma humilde pausa de recuperação de energias, contudo, é “manter-se no descumprimento do sono”(LEVINAS, Emmanuel. Da existência ao existente. In CINTRA, Benedito E. Leite. Pensar com Emmanuel Levinas. São Paulo: Paulus, 2009, p. 39-40). Segunda, ou o sono de Jonas quer significar a “epoché”, conforme a qual o homem procura renunciar à certeza, interromper seu juízo sobre as coisas e confrontar toda a afirmação a uma dúvida intensa (desgosto e rebeldia do profeta Jonas) ou nos permite dialogar com a forte ideia bem representada na obra do artista espanhol Francisco de Goya, O Sono da Razão Produz Monstros (1796-1797).

Não nos esqueçamos do final da história segundo a qual o profeta queria a todo o custo fazer justiça aos ninivitas pelos males cometidos, ao passo que Deus teve misericórdia do povo. Enquanto o homem leva até às últimas consequências o tribunal da razão, Deus e, somente Ele, quebra a lógica fria da razão com a doce ternura do amor.

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva

Bel. em Teologia, Bel. e Licenciado em Filosofia, Esp. em Metafísica, Esp. em Estudos Clássicos.

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