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Confissões…

 

Estava lendo a revista “Discutindo Filosofia” especial sobre Karl Marx quando me deparei com as Confissões do próprio Marx, por sinal, bastante reveladoras tendo em vista suas prioridades acerca da ideologia do trabalho. Estas Confissões são reveladoras, pois trazem a filigrana resumida do que representa para si mesmo o seu pensamento cravado na história.

Certa vez, Jenny e Laura, ao brincar com o Pai, fizeram um questionário para ele responder, do tipo “bate-bola”, em que as respostas seriam uma espécie de “confissão”. Esta, como disse, reflete bem sua personalidade enquanto filósofo:

“A qualidade que mais aprecia?

Nas pessoas, a simplicidade; nos homens, a força; nas mulheres, a fraqueza.

Seu traço característico?
A coerência de propostos.
Ideia de felicidade?
A luta.
Ideia de infelicidade?
A submissão.
O defeito que desculpa mais facilmente?
A credulidade.
O defeito que lhe inspira mais aversão?
O servilismo.
Uma antipatia?
Martin Tupper.
Ocupação preferida?
Percorrer sebos e livrarias.
Poetas preferidos?
Shakespeare, Ésquilo, Goethe.
Prosador preferido?
Diderot.
Herói preferido?
Espártaco, Kepler.
Heroína preferida?
Gretchen.
Flor preferida?
O loureiro.
Cor preferida?
O vermelho.
Nome preferido?
Laura, Jenny.
Prato preferido?
Peixe.
Máxima preferida?
Nada de humano me é estranho.
Divisa preferida?
Duvida de tudo”

(De “Confissão”, Die Neue Zeite, 1913)

 

 

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Homenagem ao Dia dos Pais

Às vésperas de comemorarmos data tão significativa, temos a alegria de dispensar calorosamente nossas palavras, nossos abraços, nossos apertos de mãos, nossos cumprimentos, nossos afetos em direção àqueles que são referências na célula familiar, os pais.

Apesar das famílias modernas estarem perdendo a figura do pai como autoridade e como cabeça do lar, mesmo assim, ainda se percebe, aqui e ali, a necessidade do fortalecimento da convivência familiar sob a educação e a orientação dos pais. Família e sociedade andam de mãos conjugadas quando o assunto é a presença real de um pai exemplar. Precisamos urgentemente de um pai não só em nossas famílias, mas também nas escolas, nas associações, nos sindicatos, nas prefeituras, nas creches, nas instituições religiosas e sociais, enfim… Pais que venham recuperar a autoestima, a ética, o desejo de viver e um horizonte cheio de serenidade muito além da VIOLÊNCIA e da MALDADE com as quais muitas vezes convivemos.

Um pai bondoso na família é como uma bússola nas mãos, não se perde o norte, não se perde nos caminhos da vida; Um pai responsável é como se estivéssemos debaixo de uma frondosa árvore, cuja sombra refrigera a alma; Um pai amável é como ter no coração um sossego infinito; Um pai espiritual é como encontrar na oração uma voz conselheira e sábia do pai eterno, pai de todos os pais, nosso Pai maior, DEUS.

Que todas as famílias de Florânia, neste dia, sintam-se apoiadas pelos ombros dos pais que assumem com gratidão tamanho ofício. Um afetuoso dia dos pais para todos!

 

Prof. Jackislandy Meira de M. Silva

http://www.umasreflexoes.wordpress.com

http://www.twitter.com/filoflorania

 

 

 

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Verdade ou amor?

Talvez alguém dissesse: “Que dilema desgraçado”. Não é desgraçado porque não é sem graça. É um dilema até certo ponto, pois depende muito da valoração de cada um. Para quem a verdade vem primeiro, o amor será sempre um pouco sem graça. Aos que enxergam o amor mais na frente, a verdade é que se torna sem graça. Ora, que seria do amor se não tivesse graça? O que pensar da verdade sem um pouco de amor? E o que dizer, então, do amor sem verdade?

Essa relação entre verdade e amor nas situações conflitantes do dia a dia não é de fácil compreensão, tampouco de fácil realização. Quase sempre ficamos em maus lençóis. Como falar a verdade sem desgraçar alguém? Como promover a verdade sem causar ódio ou dano às pessoas? E o que fazer quando amamos demais, ao ponto de nos abestalharmos? O amor nos deixa tolos, abobados e bestas?

Tomemos muito cuidado com o que estamos fazendo conosco e aos filhos no tocante à educação. Os filhos precisam respeitar e vislumbrar nos pais um modelo de comportamento ético. Pais infiéis geram filhos infiéis. Pais mentirosos geram filhos mentirosos. Pais ignorantes geram filhos ignorantes e assim por diante. Numa época em que as famílias de modelo patriarcal estão em demolição pela ausência da figura do pai, no sentido de sua omissão e de sua liderança, as famílias acabam se maternalizando por demais, uma vez que a liderança e a disciplina, tão próprias aos pais para formar os filhos em geral, ficam restritas aos zelo das mães, que não poupam esforços e sacrifícios para fazer as vezes do próprio pai dentro da família. Porém, mesmo que a família nuclear esteja bem composta, o que está se tornando cada vez mais raro, pois encontramos, com mais frequência, as famílias fragmentadas, ainda assim não se percebe uma preocupação explícita dos pais em disciplinar os filhos; combinar horário; afastar a mentira; falar com autoridade; cumprir regras; fidelidade no matrimônio; compromisso com Deus…

Atitudes como estas, cada vez menos presentes no convívio familiar, demonstram que acima do amor deve vir o compromisso com a verdade, que está na linha da lei e da formação da personalidade. Imagine a primeira reação de um filho ao flagrar os pais na mentira.

Todos nós devemos aprender mais com a verdade, e não fugir dela. Engraçado, não suportamos a verdade. No mais das vezes, preferimos o amor à verdade. Queremos muito mais massagear o nosso ego com carinhos e afagos, ouvindo o que se gosta, afirmando o que se pensa, do que ouvir a verdade; que precisamos corrigir isso ou aquilo, pedir desculpas quando ofender alguém, assumir as consequências pelos malfeitos. Não podemos mais deixar pra lá, esquecer e fazer de conta que nada aconteceu. Errou, tem que aguentar as consequências, a fim de se evitar não repetir os erros.

Em decorrência disso, estamos produzindo pessoas menos resistentes às adversidades da vida, ao sofrimento, à dor. O erro está justamente na formação. Não devemos somente passar a mão na cabeça dos filhos toda vez que eles errarem e chorarem, mas precisamos mostrar-lhes, pelo diálogo e pela conduta, que é possível aprender com os erros, e que o sofrimento é uma ótima escola.

O fato é simples: Poucos de nós suportam a verdade. Entre o amor e a verdade é preciso considerar algo. Nem um dos dois é suficiente e absoluto para viver bem. Só o amor nos deixa tontos, meio que vulneráveis diante das atrocidades da natureza humana. Só a verdade pode gerar homens totalitários e absolutos, incapazes de recuar, de relevar, de se soltar um pouco, de se despreder das convicções e assumir que precisa mudar.

Verdade demais pode afastar os amigos da gente, uma vez que ninguém é perfeito. Amor demais pode nos arrastar para a bobagem, na medida em que se perde a admiração e o brilho. Em geral, é muito perigoso quando escolhemos uma em detrimento da outra. O mais razoável seria escolhermos uma e outra em nossas ações, e não uma à outra. Verdade e amor não se excluem, mas se completam admiravelmente.

Depois desse devaneio sobre a verdade e o amor, você ainda concorda com a tão honrosa expressão atribuída a Aristóteles: “Amicus Plato, sed magis amica veritas” – “Amigo de Platão, mas mais amigo da verdade”?


Prof. Jackislandy Meira de M. Silva
Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia e Especialista em Metafísica
www.umasreflexoes.wordpress.com
www.twitter.com/filoflorania

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O valor do sacrifício

“A própria noção de sacrifício, porém, é inseparável da noção de sagrado – podendo este último no fundo se definir como aquilo que faz com que a pessoa aceite (…) ‘sair de si mesma’, arrancando-se do tão querido Ego, cuja evidentíssima onipresença na cultura individualista, aliás, ninguém mais pensa em negar” (FERRY, Luc. FAMÍLIAS, amo vocês. p. 113).

O mundo está com pressa, mas não se sabe por quê. Há razões muito fortes de que o avanço de um mundo mais globalizado, tecnológico e informatizado, sobretudo, a partir dos anos 90 do século passado, tem contribuído bastante para um comportamento imediato e superficial, cuja característica é a fuga do sacrifício. Buscamos facilidades, mesmo que elas nos pareçam inseguras e rasas.

A base do sentido da palavra sacrifício está na mesma base do sentido da palavra sagrado, o qual exige de nós renúncia e um movimento de “saída de si”. Mas nos esquecemos disso. Fugimos do sacrifício como os vampiros fugiam da cruz. Na era das facilidades, parece que o mais difícil, conquistado com muito sacrifício e luta, deixou de ser mais gostoso e duradouro.

Terminar uma Faculdade ou uma pós não implica mais, para muitos, uma realização pessoal ou vocacional, visto que passou a ser uma conquista rápida, fácil e sem sacrifício, quase como tudo na vida em tempos de hiperconsumo e de supervalorização da economia.

Ao alargarmos essa opinião para todo o resto, ou seja, para as outras áreas da vida, veremos que, na mesma proporção com que conquistamos nossos objetivos também podemos perdê-los rapidamente. Assim pode ser com a família, amigos, emprego ou profissão, caso não caprichemos na construção da obra, tal como faz o escultor que leva praticamente boa parte da vida trabalhando, dedicando-se inteira e intensamente, até nos legar obras-primas maravilhosas.

Ninguém se torna um Professor da noite para o dia. Não se torna um piloto de F1 num passe de mágica. Um médico não cai do céu pura e simplesmente. Advogados, engenheiros e técnicos também não. É preciso talento, dedicação, humildade, aprendizagem e muito, muito trabalho.

O problema é que os apressadinhos de hoje estão mais oportunistas do que nunca. Mal começam a se preparar para uma profissão e já estão de olho na profissão do colega. Porém, lembrem-se de que conquistar alguma coisa na vida requer sacrifício para respeitar o tempo da preparação. É importante saber que tudo tem um processo – até para cozinhar – princípio, meio e fim. Não queiramos queimar o processo, mesmo que para isso seja preciso muito sacrifício.

Prof. Jackislandy M. M. Silva.
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