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Amor à repetição

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“Que coisa, amanhã já é segunda-feira (?!), mal passou o final de semana”; “Não aguento mais a mesma comida, a mesma bebida”; “Tenho que limpar meus óculos de novo”; “Preciso ir ao banheiro de novo”… Expressões como essas são muito corriqueiras e acabam mostrando como o ser humano está condicionado a uma repetição infinita de acontecimentos e situações no curso de sua vida. Algumas repetições necessárias ao cuidado com a higiene do corpo são até menos conscientes do que uma dura e trágica fatalidade, mas demonstram o quanto são importantes para a saúde e para uma incansável luta contra o imobilismo, a inércia, bem como uma luta incessante a favor da vida.

A simplicidade dos atos de alimentar-se, escovar os dentes, tomar sucessivos banhos, vestir-se, andar, ir e voltar do trabalho, conversar. Tudo isso faz parte de atos espontâneos ou avulsos, nos quais o ser humano encontra-se envolvido num eterno retorno de eventos do cotidiano. Na maioria das vezes, aparentemente, não apresentam sentido algum. Mas, o interessante é que não tenham, de fato, sentido, significado, pois obedecem a uma ordem cosmológica, em que se poderia entender o mundo muito mais do ponto de vista grego do que moderno. Os gregos viam o mundo finito, fechado, e constituído por um certo número de forças com suas combinações infinitas, um mundo que se repete. “[…] o desenvolvimento deste instante tem de ser uma repetição, e também o que o gerou e o que nasce dele, e assim por diante, para a frente e para trás! Tudo esteve aí inúmeras vezes, na medida em que a situação global de todas as forças sempre retorna.”(NIETZSCHE, F. O eterno retorno [texto de 1881]. São Paulo: Nova cultural, 1996. p. 439 [Col. Os pensadores]).

Deitar, dormir e levantar-se para continuar a viver obedecem a uma ordem cíclica de repetições infindáveis. Instantes de prazer e dor acabam indo e voltando com mais ou menos intensidade do que de outras vezes, mas acabam voltando. Retornar às mesmas coisas diversas vezes de um modo estético nos leva a fazê-las cada vez melhor. Atitudes isoladas como uma corrida ou uma caminhada numa tarde qualquer, quando repetidas, tornam-se habituais e promovem a qualidade de vida. Com isso, o ético vem puxado pelo estético.

É oportuno resgatar repetidamente o filósofo bigodudo Nietzsche, crítico ferrenho da cultura ocidental, quando pensou que o “eterno retorno ao mesmo” não deve ser encarado com piedade, compaixão e resignação, mas com coragem, determinação e vigor. O resultado de uma vida sem fugas, subterfúgios, muito menos sem mania de conspiração, é certamente uma vida pautada no “amor fati”, no amor ao próprio destino. “[…] vou dizer qual é o pensamento que deve tornar-se a razão, a garantia e a doçura de toda a minha vida! É aprender cada vez mais a ver o belo na necessidade das coisas: é assim que serei sempre daqueles que tornam as coisas belas. Amor fati: seja esse de agora em diante o meu amor.” (NIETZSCHE, F. A gaia ciência. 5ª ed. Trad. Alfredo Margarido. Lisboa: Guimarães & C., 1996. p. 173-174).

Amar o próprio destino é uma das ideias mais preciosas e geniais do Nietzsche, porque combate fortemente o sentimento de culpa, um tal de “mi mi mi” do qual se reveste nossa cultura. Significa pensar o destino como os gregos o pensavam, de modo participativo.

Portanto, a repetição, a rotina inevitável de nossas vidas, as idas e vindas das segundas-feiras, os momentos tristes e os dias de sofrimento não precisariam ser enfrentados com um amor de tipo nietzschiano? “A minha fórmula de grandeza do homem é ‘amor fati’: não pretender ter nada de diverso do que se tem, nada antes, nada depois, nada por toda a eternidade. A Necessidade não existe apenas para suportar-se – todo o idealismo é uma mentira em face da Necessidade – mas para que a amemos…”(Ecce homo: como se chega a ser o que se é. Trad. José Marinho. Lisboa: Guimarães & C. 1979, p. 72).

 

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva, filósofo e teólogo.

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Responsabilidade

(Imagem: E. Levinás em diferentes ângulos, filósofo lituano, um mestre)

      Você já se deu conta da responsabilidade em sua vida? Melhor dizendo: Você se acha responsável? Repare bem. Há algum rastro de responsabilidade em sua existência? Não seja tão rápido assim ao responder. Pense bem ou espere até ler esse texto. Você vai ver que não é tão responsável quanto pensava ser.

A responsabilidade é uma expressão muito usual, demasiadamente corrente e recorrente em nossas vidas, talvez por essa razão estejamos dando pouca importância ao que ela realmente é ou dizem dela ser o que é. Da antiguidade ao existencialismo, o homem vem se debruçando sobre esta problemática ética, e por mais que queira, não conseguiu de todo se afastar de uma exigência tão cara à voz e ao coração do outro. Pois, contrariamente ao que achamos, a responsabilidade não nasce de mim, mas do outro. “A responsabilidade não nasce de uma boa vontade, de um sujeito autônomo que quer livremente se comprometer com o outro ser. Ela nasce como resposta a um chamado”(KUIAVA, Evaldo Antônio. A responsabilidade como princípio ético em H. Jonas e E. Lévinas: Uma aproximação. Porto Alegre, RS. Veritas, v. 51, nº 2, junho, 2006, p. 55-60). Não vem de mim, mas do outro. Não é uma exigência da liberdade, mas uma exigência do outro. É por isso que muitas vezes, sem explicação alguma, contrariando toda lógica, liberamos o bem a quem não nos quer bem, agimos em direção ao outro contra nossa própria vontade. A responsabilidade, segundo E. Levinás, filósofo lituano de nacionalidade francesa, é anterior à minha consciência, aos meus interesses e às minhas mesquinhas intenções.

Quem não contrariou a si próprio por causa de um chamado, de um clamor, de uma voz, de uma necessidade sem voz, não experimentou o sabor da responsabilidade. Quem não renunciou a si mesmo, às suas intenções e à sua consciência, para atender a um chamado, ainda não é digno de responsabilidade. Os que cumprem horários rigorosamente pensando que, só por isso, estão agindo de modo responsável, precisam se abrir a algo muito maior descoberto por Levinás. Aqueles que se esmeram em cumprir suas responsabilidades cheias de boas intenções, ainda não imaginam que há uma responsabilidade que ultrapassa os limites da liberdade de decidir ou não por uma outra pessoa. E aqui se encontra a guinada da Filosofia de Levinás que põe a Responsabilidade acima da sua e da minha liberdade, porque só somos livres, se formos de fato responsáveis. Não é aquela responsabilidade das empresas, nem tampouco a do cotidiano como varrer uma casa, fazer compras, ir à escola, não faltar ao trabalho, ir à igreja a que se refere Levinás, mas uma responsabilidade impregnada de desprendimento pelo outro em que o sujeito não se afasta do olhar do outro. Uma responsabilidade ilimitada que se oponha a uma outra que se mede pelos compromissos livres de uma consciência egoísta e gananciosa.

A responsabilidade como “ética da ética”, conforme apontam alguns estudiosos na Filosofia de Levinás, vem compreendida a partir de uma frase conhecidíssima de  Dostoievsky: “Somos todos culpados de tudo e de todos perante todos, e eu mais do que os outros”(EI 105). A responsabilidade do eu é infinita. Ele é responsável, não só pelos atos ilícitos que comete, mas também por aqueles que não são de sua autoria, e até mesmo pelas perseguições que sofre. Como justificar tal concepção utópica? Não seria ela inumana? Eis a resposta de Levinás: “Ser humano significa: viver como se não se fosse um ser entre os seres. Como se, pela espiritualidade humana, se invertessem as categorias do ser, em um ‘de outro modo que ser’” (EI 107). O humano emerge, quando o eu, ao invés de procurar satisfazer seus interesses, estende a mão a outrem, carregando o peso do mundo nos seus próprios ombros(Cf. KUIAVA, Evaldo Antônio. A responsabilidade como princípio ético em H. Jonas e E. Levinás: Uma aproximação. Porto Alegre, RS. Veritas, v. 51, nº 2, junho, 2006, p. 55-60).

Após esse breve estranhamento acerca da responsabilidade, que é o ponto de discussão sobre as respostas éticas de Levinás, observamos não ser tão simples assim ser responsável nesse contexto, uma vez que o humano está cercado de pretensões que o impedem de viver saindo de si em direção a outrem, numa espécie de obediência acolhedora da face do outro. Que possamos responder a essa RESPONSABILIDADE!


Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia, Especialista em Metafísica e Especialista em Estudos Clássicos pela UnB/Archai/Unesco
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Mania de Perfeição…

Sofremos de uma certa síndrome da perfeição. Tal síndrome é responsável por nos levar a criar mil e uma justificativas para os nossos defeitos. Vez ou outra somos pegos de surpresa com inúmeras justificativas por que não se fez isso, não se fez aquilo, enfim… Racionalizamos demais a vida! Não temos vergonha de afirmar: “Sou perfeccionista, gosto das coisas certas”. Mentira! Ninguém é perfeccionista! Porém, quem se importa neste mundo com suas pretensões perfeccionistas? Não seria a vida tão mais interessante do que nossa teimosia por perfeição? A vida tem as suas próprias dobras e “dobradiças” de contradição. Poucas vezes reconhecemos isso e criamos nossas manias de perfeição.

Influenciados pela maneira de ver o mundo de um ângulo judaico-cristão, tendemos a exigir muito mais das pessoas do que elas podem dar. É uma tolice, porque nos esquecemos de que elas são limitadas. As pessoas nunca serão o que queremos que elas sejam. Elas são o que são e pronto. Cada um tem necessidades, valores e circunstâncias muito próprias que nos impedem de julgá-las, até porque essa não é a nossa função. Não sejamos reféns das nossas pretensões de perfeição, mas da vida com toda a sua beleza! Se a vida é doença, que seja bela mesmo assim. Se a vida é um fracasso que seja boa assim mesmo. Se a vida é dor, aprendamos mais com ela. Se a vida é pobreza, mesmo assim agradeçamos para espantar a ingratidão de muitos que sobejam da mesa dos ricos.

Queremos ser melhores custe o que custar. Da síndrome da perfeição migramos para a síndrome da evolução. Queremos sempre melhorar, melhorar, melhorar e melhorar ansiosamente. Se pensarmos bem, na linha da vontade infinita que há em nós ocorre, decerto, uma tola ambição de lutar incansavelmente para, depois, nos depararmos com um dado inevitável que não nos escapa, a imperfeição.

A sede de perfeição parece nos anestesiar do peso da realidade. Talvez por isso a busquemos demasiadamente. Mas, é um fato: Somos imperfeitos. Erramos e cometemos equívocos. Somos programados para não errar, mas erramos. Estamos vivos e cheios de vontade. Nesse norte de reflexão, permitam-me usar aqui as palavras de Dostoiévski, o qual traz a filigrana da vida de modo impressionante em sua obra “Notas do subsolo”: “Pois é, senhores… Justamente neste ponto é que eu me enrasquei! Perdoem-me por ter filosofado dessa maneira, mas foram quarenta anos de subsolo! Permitam-me fantasiar um pouco. Vejam os senhores: a razão é uma coisa boa, sem dúvida, mas a razão é apenas razão e satisfaz apenas a capacidade racional do homem; já a vontade, esta é a manifestação da vida como um todo, ou melhor, de toda a vida humana, aí incluindo-se a razão e todas as formas de coçar. E, mesmo que a nossa vida pareça às vezes bem ruinzinha(…), ela é vida, apesar de tudo, e não apenas a extração de uma raiz quadrada. Eu, por exemplo, naturalmente quero viver para satisfazer apenas minha capacidade racional, ou seja, talvez a vigésima parte de toda a minha capacidade de viver. Que sabe a razão?”(DOSTOIÉVSKI, Fiódor. Notas do subsolo. Porto Alegre, RS: L&PM, 2009. p. 38-39)

Tamanha obsessão pela perfeição pode nos levar a caminhos de sujeição ao ritmo frenético de sociedade que temos hoje. Uma sociedade exigente e competitiva, descontrolada e racionalista está criando, também, pessoas descontroladas e racionalistas sem olhar os acontecimentos simples e importantes da vida. Estamos sendo, com isso, programados para atingir metas, objetivos… Esquecemos, ou não estamos nem aí para o que realmente importa,(se bem que sabemos o que de fato importa) e quando menos esperamos, estamos sendo levados pela ventania alucinada de uma vida sem sentido.

Parece até que somos um tema de projeto programado para se realizar. Estamos sendo tratados, diga-se de passagem, como peças de controle de uma sociedade que responde a estímulos de consumo, de mercado, de posse, de riqueza, de ambição, de avareza, de corrupção… Toda essa avalanche invade a vida de qualquer um, quebrando valores dantes vistos como irretocáveis e insubstituíveis. Todavia, por não sermos suficientes é que se abre aqui uma porta para admitirmos um olhar mais sensível, flexível, tolerante e amável para os que não conseguem ser menos imperfeitos.

Portanto, seria imprescindível passarmos pela Escola da vida e aprendermos algumas lições, a saber: bondade, tolerância, responsabilidade, respeito, justiça, honestidade, liberdade…De modo que essa não seria mais uma alternativa de controle ideológico de fora para dentro, nem de cima para baixo, até porque ninguém muda ninguém, ninguém constrói ninguém. As pessoas se mudam e se constroem a si próprias, livres e distintamente. Por isso, não pensem que estou certo, pois não quero estar certo, apenas quero que vejam a possibilidade que há em mim de expressar livremente o que penso.


Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva

Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia, Especialista em Metafísica pela UFRN e Especialista em Estudos Clássicos pela UnB/Archai/Unesco

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Natalidade

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O nascimento do novo homem de Salvador Dalí

Conforme dados da ONU, nascem mais pessoas do que morrem a cada segundo. Só para termos uma ideia, nascem aproximadamente três pessoas ou mais por segundo no mundo. São cento e oitenta (180) nascimentos contra cento e três (103) mortes por minuto, portanto, a espécie humana é uma máquina de fazer nascer. Mesmo contra alguns prognósticos, teimamos em nascer, queremos nascer.

Independente da exatidão dos números acima, até porque vivemos atropelados pelos acontecimentos e pela onipresença da tecnologia, é interessante notar a força da espécie humana em querer nascer contra as desfavoráveis condições de vida.

Com o passar dos anos, a vida do ser humano está cada vez mais dura em várias frentes. Na frente climática, os dias têm sido de calor insuportável. A sensação térmica vem dificultando o bem-estar físico, o trabalho e até mesmo o convívio social. Na frente econômica, a inflação não deixa nosso dinheiro parar no bolso, sequer conhece o bolso, ganhá-lo está cada vez mais difícil e a oferta de emprego não é das melhores. Na frente política, mesmo com a globalização e o desaparecimento das fronteiras via internet, não conseguimos ser tão políticos como deveríamos, juntando esforços para causas mais coletivas, solidárias e sociais. Na frente religiosa, o Outro na sua diversidade passa ao largo dos interesses humanos, abrindo precedentes absurdos de intolerância, terrorismo e fundamentalismo religioso.

Todas essas frentes, e poderíamos citar mais, representam a dura realidade local e global tentando impedir ou obstaculizar a “natalidade”, o natal, o novo nascimento, o milagre do início, de um novo começo. Porém, as dificuldades da vida apontadas aqui não conseguem impedir a potência, a força, a ação deste nascimento, tal como está descrito nas Escrituras, a partir das perguntas de um fariseu, chamado Nicodemos: “Como pode um homem nascer sendo velho? Poderá entrar de novo no ventre materno para nascer?”(Jo 3.4). Jesus não o deixa sem resposta: “Eu te asseguro que, se alguém não nascer da água e do Espírito, não poderá entrar no reino de Deus”(Jo 3. 5).

Na esteira do que disse Jesus sobre o novo nascimento, a filósofa Hannah Arendt escolhe o conceito de “natalidade” para desenvolver suas ideias de liberdade, amor e educação. Uma liberdade que extrapola os apelos da necessidade. No amor, vale retomar o que disse Agostinho sobre as duas cidades. A cidade dos homens como o amor de si até ao desprezo de Deus. A cidade de Deus como o amor a Deus até ao desprezo de si. Por sua vez, a relação da Educação com a natalidade é que “a essência da educação é a natalidade, o fato de que seres nascem para o mundo” (ARENDT, H. Entre o passado e o futuro. Tradução de Mauro W. Barbosa. 5. ed. São Paulo: Perspectiva, 1990. p. 223).

Para instaurar o nascimento na lei cíclica da mortalidade, interromper o curso inexorável e automático da ordem cotidiana da vida que nos arrasta lenta ou rapidamente até a morte é urgente aplicar nossa faculdade de agir. A ação, segundo Arendt, parece um milagre. “A ação é, de fato, a única faculdade milagrosa que o homem possui, como Jesus de Nazaré, que vislumbrou essa faculdade com a mesma originalidade e ineditismo com que Sócrates vislumbrou as possibilidades do pensamento…”(ARENDT, Hannah. A condição humana. Trad. Roberto Raposo. 7ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1995, p. 258).


Assim como a capacidade de agir interfere no processo biológico da vida, esse mesmo agir também nos adverte que, embora todos devam morrer, “não nascem para morrer, mas para começar”.

A radicalidade, portanto, da capacidade de agir está na natalidade. O agir é essa capacidade humana de interromper a ruína, a destruição e a morte para iniciar algo novo. “O milagre que salva o mundo, a esfera dos negócios humanos, de sua ruína normal e natural é, em última análise, o fato do nascimento, no qual a faculdade de agir se radica ontologicamente. Em outras palavras, é o nascimento de novos seres humanos e o novo começo, a ação de que são capazes em virtude de terem nascido. Só o pleno exercício dessa capacidade pode conferir aos negócios humanos fé e esperança, as duas características essenciais da existência humana que a antiguidade ignorou por completo, desconsiderando a fé como virtude muito incomum e pouco importante, e considerando a esperança como um dos males da ilusão contidos na caixa de Pandora. Esta fé e esta esperança no mundo talvez nunca tenham sido expressas de modo tão sucinto e glorioso como nas breves palavras com as quais os Evangelhos anunciaram a boa nova: ‘Nasceu uma criança entre nós'”(idem, p. 259).

Feliz Natal!

Ilustração: O nascimento do novo homem de Salvador Dalí.

Prof. Jackislandy Meira de M. Silva, filósofo e teólogo.
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A natureza humana

divergente“Ai, duas almas no meu seio moram!”(Goethe, Fausto)

Diante do homem, um pezinho atrás nunca é demais. O homem carrega antropologicamente uma natureza marcada pela “hybris”, descomedimento, orgulho, inveja, ambição, mentiras, vaidades. A própria Bíblia, em Jeremias, nos faz ouvir do Senhor: Maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço e aparta o seu coração do Senhor!”(17.15). Do ponto de vista ético, claro, o ser humano precisa entender os seus limites, suas medidas e desmedidas, até onde se pode viver disciplinado ou não, porque a qualquer momento podemos dar um passo em falso. Desobedecemos, infringimos as regras. O simples ato de estar de pé significa cuidado, prudência e zelo para não cair, não o contrário, orgulho e vaidade. Não banalizemos nossa natureza. Não tripudiemos sobre as desgraças alheias; ingenuidade pode nos levar à ruína. Fazer-se de corvo sangrando a carne alheia não convém.

A inocência em relação aos outros é uma advertência capital na Bíblia, o que não significa que devemos dissimular, aliás, considerar quando nos relacionamos ainda mais com as pessoas, uma vez que pouquíssimas não se dão conta da diversidade de caráter que há entre nós. Por incrível que pareça, não podemos nos dar ao luxo de confiar tanto nas pessoas, principalmente porque somos muito diferentes, inclusive, em caráter.

Outra coisa: um certo sentimento de culpa, por vezes herdado da cultura judaico-cristã da piedade, compaixão e misericórdia, faz entender o mundo pelo viés do sentimentalismo e encobre a realidade do pecado ou da verdade sobre si mesmo. Talvez aí abrigue a ideia de que a vida é falsa, mentirosa, cheia de vítimas e coitadinhos. Muita gente flerta com essa imagem da vida porque é mais confortável, menos indolor, até que um dia “a vida como ela é” bata à sua porta.

Há poucos dias, com uma turma de estudantes do Ensino Médio, assistimos ao filme “Divergente” de 2014, baseado na obra de Veronica Roth, dirigido por Neil Burger, no qual vimos a importância das virtudes humanas, a força da natureza humana em confronto com as imposições sociais e ideológicas. A incapacidade de uma estrutura social controlar pela cultura de cordeirinhos a natureza humana ou um grupo de almas ou indivíduos.

No filme, cada um escolhe seu grupo de acordo com seus valores humanos, que pode ser: abnegação (altruísmo); audácia (coragem); amizade (bondade); erudição (inteligência); franqueza (justiça). É um filme moderno, dinâmico e prende a atenção dos estudantes. É envolvente. Mostra o dilema que existe entre pensar mais em nós mesmos ou pensar mais nos outros. Os grupos são chamados de facções e em algum momento a vaidade, o orgulho, o desejo de poder, a ambição os corrompem e acabam tomando conta deles, de seus líderes, o que produz uma guerra entre as facções. A repetida mensagem,“A facção antes do sangue”, dita entre eles cai por terra. A natureza humana não segue receitas, não é controlada, ela é livre, como dizia Sartre, se somos condenados à alguma coisa, isso se chama liberdade.

A ideologia social das facções vai contra a natureza humana fundamental. Tal estrutura viva, como se diz no filme, tenta superar a fraqueza da natureza humana, que é uma inimiga dos ideais. Guarda segredos, mente, rouba, viola as leis. Ou seja, o filme faz uma referência real, dura e pessimista da natureza humana, como também ilustra a força da natureza humana quando “Quatro” e “Tris” escondem que são divergentes e resistem ao sistema corrupto de facções imposto pela líder da Erudição.

Se juntarmos a ideia de natureza humana com a realidade política no Brasil hoje, certamente temos muita coisa para refletir. A começar pelas estruturas sociais do Estado que não funcionam como deveriam. Saúde, educação, agricultura, salários, geração de emprego e renda. O país carece de “infra”! Apenas assistimos ao alto nível de corrupção nas estatais e instituições públicas por onde escoam o dinheiro de nossos impostos, acresça-se a isso uma crise política imoral e descabida.

Ah, temos que colocar tudo isso na conta da natureza humana? Também. Porém, é preciso pesar porque há um descontrole na forma de conduzir o governo; estratégias, orçamentos, planejamentos, enfim. Governar é governo de si e dos outros. Austeridade de si e dos outros. Vigiar, fiscalizar, punir. Cercar-se de gente sem histórico de corrupção ou com menos tendência a esta prática. Por último, talvez, discutir as leis, aprofundá-las para melhorar a democracia como forma exemplar de produzir prudência e comedimento na alma (indivíduo) em convivência com os outros, com a coisa pública.

É importante considerar ainda que as políticas públicas voltadas para a diminuição da desigualdade social e para a promoção da inclusão social, programas sociais e etc., tendem a esconder intencionalmente ou não, uma outra fraqueza, além da econômica e da cultural, a da natureza humana por não criar condições de superação no momento das dificuldades e adversidades da vida. Não estariam os governos impossibilitando a natureza humana de se fortalecer cada vez mais na busca de uma saída para seus problemas sociais?

Prof. Jackislandy Meira de M. Silva, filósofo e teólogo.

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Um grito de identidade

Repare bem cautelosamente se você já se viu em alguém. Pode ser alguém da família, seus pares ou membros de um grupo; alguém com quem você desenvolveu seus afetos, sua intimidade, cuja reciprocidade fora aumentando pouco a pouco até não parar mais. Geralmente, além de pessoas, nos identificamos também com lugares, profissões, estudos. Mas, os que marcam mesmo nossas vidas, a bem da verdade, são nossos pais, irmãos, tios, tias e avós, sem desmerecer, claro, a descoberta de um amigo ou de uma pessoa amada.

Ver-se em alguém é identificar-se com este alguém, ultrapassando os limites da aparência. Via de regra, a aparência da identidade está fixa e inerte em registros de identidade, onde cada qual apenas estampa no papel sua face para fins burocráticos e sociais. A identidade não é simplesmente um documento de papel que carrega sua impressão digital e foto, bem como o nome bastante apresentável, aprisionada numa carteira ao bolso, senão guardada e abandonada em gavetas ou pastas.

Perder a identidade para a cultura grega significa perder a vida, equivale a estar realmente morto: “Para os gregos, o que caracteriza a morte é a perda da identidade. Os mortos são, antes de mais nada, sem-nome ou mesmo sem-rosto. Todos que deixam a vida se tornam anônimos, perdem a individualidade.(…) É essa despersonalização que caracteriza a morte aos olhos dos gregos(…)”(In FERRY, Luc. A sabedoria dos mitos gregos. Aprender a viver II. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009, p. 145).

Descobrir seu eu no mundo, seu lugar no tempo/espaço da história é ver-se na mais translúcida imagem de sua subjetividade; é descobrir-se para si mesmo e habitar um mundo possível, crescente, dinâmico e infinito, movido pelo despertar semelhante ao do filho de Ulisses, Telêmaco, quando da sua busca incessante por notícias do pai que estava a vaguear pelo mundo, perdido e com saudades de casa.

As primeiras quatro partes ou capítulos da clássica obra de Homero, a Odisseia, revelam essa busca incansável do jovem pela confirmação dos belos feitos do seu pai, rei de Ítaca. A saída de Telêmaco da ilha ao encontro do pai representa sua saída ao encontro de si mesmo. Assim como Telêmaco, um homem precisa de aventuras ou precisa satisfazer o desejo da maravilha, da curiosidade de querer ver as coisas para forjar, no sofrimento e na nostalgia de casa, a personalidade, construir o caráter e, definitivamente, encontrar seu lugar mundo, quem você é e por que está aqui.

Todos temos uma identidade, quando sufocada e presa, grita de dentro de nós. É o grito da alma humana pelo reconhecimento de sua própria identidade.

Como não acenar aqui para a tão reconhecida obra de Milan Kundera, a identidade, em que Chantal, personagem central da trama, reclama repetidamente por identidade quando pensa: “Vivo num mundo onde os homens nunca mais irão se virar para olhar para mim”. Só que, ao saber quem, de fato, era Chantal, pouco antes de declarar que havia se enganado, Jean-Marc saboreia o prazer de olhar para ela e percebe que Chantal é o “seu único vínculo sentimental com o mundo”, pois “só ela, e mais ninguém, o liberta de sua indiferença. Só por intermédio dela é capaz de se compadecer”. Acordada de seu sonho, pelo “grito” de Jean-Marc, a bela Chantal não quer perder de vista a identidade de seu amor: “Não vou mais tirar os olhos de você. Vou olhar para você sem parar”.


Prof. Jackislandy Meira de M. Silva
Especialista em Metafísica, Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia e Esp. em Estudos Clássicos pela UNB e Archai Unesco

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A proximidade de nossas relações

Aprendi que quanto mais nos aproximamos de Deus, mais parecemos com Ele. Quanto mais nos aproximamos das estrelas, mais parecemos com elas. Engraçado, mas descendo gradativamente nessa visão, é possível dizer ainda que quanto mais nos aproximamos das pessoas, mais nos parecemos com elas; quanto mais nos aproximamos dos nossos pais, mais nos parecemos com eles; quanto mais nos aproximamos dos nossos amigos, também parecemos com eles; quanto mais nos aproximamos de nossas esposas e vice-versa, mais nos assemelhamos a elas.

Descendo escada abaixo, o procedimento é o mesmo. É possível fazer essa relação de proximidade com tudo na vida, inclusive com as coisas, com o mundo, com as estruturas sociais, políticas e culturais de um modo geral. Embora se diga o contrário em alguns casos, o elemento aproximativo é fundamental para não só conhecermos com quem estamos lidando, mas com quem escolhemos para nos aproximar, para nos relacionar.

Esta mesma forma de aproximação se dá também com um livro, um animal de estimação, um filme, uma história, uma ideia, enfim. Quanto mais me aproximo de um livro, mais me pareço com ele. Quanto mais me aproximo de uma ideia, mais me assemelho a ela.

Imersos neste emaranhado de relações, seja com pessoas ou coisas, não estamos imunes aos conflitos, às injustiças e às incoerências deste mundo, pois reagimos de alguma forma. Mesmo quando não reagimos externamente ou fingimos não reagir, ainda assim reagimos positiva ou negativamente. E por mais que conheçamos as pessoas, o próprio mundo e Deus por essa cadeia de proximidades, não quer dizer que os riscos de uma traição, de uma certa leviandade ou de golpes de crueldade não parem de nos ameaçar, até porque nunca somos traídos por estranhos.

Na maior parte das vezes, nossas aproximações também denunciam com quem ou com o quê queremos parecer, com quem nos assemelhamos. Obviamente que aceitamos o contraditório, uma vez que nem todo mundo se parece com quem anda, com quem se relaciona ou com quem tem certa amizade. Todo cuidado é pouco, pois com o passar do tempo somos levados, até involuntariamente, a nos parecermos com o outro, cada vez mais íntimo e próximo de nós.

O nível de aproximação, claro, pode evitar uma série de investidas negativas contra nós, porém a mesma aproximação pode nos fazer entender que não são com todas as coisas ou pessoas que queremos parecer. Ou seja, não é bom parecermos com tudo que nos aproximamos, visto que muitos de nós não queremos parecer com o traidor, com o maldoso, com o perverso e o saguinário.

Penso que aproximar-se é, na verdade, uma tarefa importante para aqueles que se sentem parte do mundo das intrincadas relações sociais, onde muita coisa é meio obscura, sinistra e enganosa. Não há modo mais eficaz, talvez, de desmascarar as coisas do que participar delas de perto. Diria até que a proximidade do cidadão às instituições sociais pode diminuir o nível de corrupção política nessas instâncias, mesmo sabendo que, ao nos aproximarmos destas pessoas, não gostaríamos de nos parecer com elas.

Prof. Jackislandy Meira de M. Silva

Especialista em Metafísica, Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia e Especialista em Estudos Clássicos pela UNB e Archai Unesco.

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A política do indivíduo

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Se tomarmos como referência o recorte histórico da redemocratização do país, veremos quantas conquistas sociais foram significativas para a participação política do indivíduo na sociedade. De lá para cá, já se vão 30 anos e diversos direitos foram garantidos, como liberdade de expressão, ampliação de leis trabalhistas, poder votar a partir dos 16 anos, o fortalecimento de uma Constituição sólida, criação e reconstrução de inúmeros partidos, sindicatos foram fundados, associações compostas, cooperativas, ONGs, Fundações instituídas, enfim, nesses anos todos um Estado de direitos foi reorganizado.
No entanto, muitos não viram e não participaram desse efervescente contexto político, onde se respirava política o tempo todo. Só se pensava em entrar num partido para se envolver em prol do bem comum e lutar por direitos. Existia uma tendência quase natural da população em busca de justiça, liberdade e igualdade no cumprimento das leis. As pessoas facilmente se desprendiam de seus mundos individuais e corriam atrás de objetivos comuns, de sonhos coletivos. Quase todos queriam se envolver, se engajar na política.
Embora a corrida ainda não tenha sido completada, nem as lutas terminadas, as conquistas e garantias precisando ser aprofundadas, a sociedade, os indivíduos apresentam-se com um certo cansaço, com asco, nojo da política. Lamentavelmente, não há mais política na política, os discursos inflamados desapareceram das praças, as oposições simplesmente sumiram dando lugar a um outro modo de fazer política, a política dos acordões, a política das negociatas, a política dos favorecimentos, a política eleitoreira que, mesmo no exercício do poder, ela está lá presente beneficiando um pequeno grupo governista e onerando o Estado.

“Parece que chegamos a um ponto de saturação na política. Não a saturação no sentido de ter completado, de ter chegado à plenitude, de termos uma democracia completa. Ela não está completa. Mas parece que as pessoas se cansaram. E minha dúvida quanto a esse cansaço da política é se ele pode ser superado, se é possível começar uma nova vida e fazer com que a política volte a ser [ou se torne] divertida, animada, interessante – ou se ela encerrou a sua, digamos, missão histórica”(Renato Janine Ribeiro, in CORTELLA, Mario Sérgio. Política: Para não ser idiota. Campinas, SP: Papirus 7 Mares, 2010, p. 19).
Isso porque a ampla e verdadeira ideia de política vem sendo substituída por uma noção administrativa e burocrática, meramente econômica, que falseia a preciosa ideia de política.
Infelizmente, a política é vista como algo sujo, repulsivo e pouco atraente. Os escândalos na esfera administrativa do Estado se somam ao perfil caricatural de irresponsabilidade de inúmeros políticos em exercício. Há pouco tempo, fomos chocados pelo esquema de corrupção descoberto pela operação Lava-jato da PF dentro da estatal mais rica e poderosa do país, a Petrobras, que segundo levantamento orçamentário da empresa, o rombo financeiro chega a 88 bilhões de reais. Outro esquema de corrupção, menos alardeado do que o da Petrobras é verdade, é a operação Zelotes desencadeada pela PF, segundo a qual visa desarticular uma organização suspeita de fraudar julgamentos de processos no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), do Ministério da Fazenda. Os mandados alcançaram bancos, empresas, lobistas e integrantes do conselho, acusados de envolvimento em uma estrutura de corrupção e sonegação fiscal, cujos desvios podem chegar a 19 bilhões de reais.

É certamente do descaso com que os “políticos” tratam a administração pública, da falta de responsabilidade e de respeito na forma de conduzir os recursos financeiros da nação e, sobretudo, dos escândalos de corrupção já vistos, um atrás do outro, e sempre com dinheiro público, dinheiro molhado de suor e sangue de nossos impostos que enojam a política. As causas do desencanto ou da perda de esperança na política são gritantes. Ninguém aguenta mais assistir nem às reuniões de condomínios, quanto mais às reuniões de movimentos sindicais ou grupos partidários. O problema é que, além de serem demoradas e sem objetividade, o que é combinado nem sempre é realizado.

Daí, clássicas percepções de política e de relação com o mundo podem se revelar agora como posições interessantes de experiência com a política mesma, em estado de esgotamento. Repare que, até mesmo para se preservar e se constituir íntegro, autônomo, inteiro, o indivíduo necessita se refazer politicamente. Voltar à política do indivíduo para revisão de caráter, transformação de vida, descoberta de valores parece ser o lugar de uma nova retomada da política.

O escritor João Guimarães Rosa, autor de Grande Sertão: Veredas e Sagarana, que não gostava de política, muito menos dessa mania de colocarmos política em tudo, antes de sua morte, ao dar uma entrevista a Günter Lorenz no Congresso de Escritores Latino-Americanos, declarou assim a antipatia que sentia pela política:

“Mas eu jamais poderia ser político com toda essa constante charlatanice da realidade. O curioso no caso é que os políticos estão sempre falando de lógica, razão, realidade e outras coisas no gênero e ao mesmo tempo vão praticando os atos mais irracionais que se possam imaginar. Talvez eu seja um político, mas desses que só jogam xadrez, quando podem fazê-lo a favor do homem. Ao contrário dos ‘legítimos’ políticos, acredito no homem e lhe desejo um futuro. Sou escritor e penso em eternidades. O político pensa apenas em minutos. Eu penso na ressurreição do homem.”

Talvez estejamos buscando na política soluções que não competem a ela, mas ao indivíduo. Nem tudo se resolve na cidade, porque é próprio da alma ou da natureza de quem vive nela.

Prof. Jackislandy Meira de M. Silva, filósofo e teólogo

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