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Que é o homem para que o Senhor possa visitá-lo?

Salmo 8.5, tal como Jó 7.17 e Hb 2.6 enfatiza a pequenez ou a inferioridade do homem frente à grandeza de Deus, bem como a Revelação plena operada em Cristo, o Filho do Homem. Daí, sermos, pois, convocados pelo Espírito do Senhor a não somente olharmos para o homem, mas lançarmos sobretudo um olhar especial e particular para Deus.

Vamos aos textos: “Quando vejo os teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que preparaste; que é o homem mortal para que lembres dele? E o filho do homem, para que o visites?”(Sl 8.3,4). O salmista aqui relembra que, embora sendo inferior aos anjos, o homem fora coroado por Deus para dominar sobre as obras das suas mãos. Portanto, é confiada ao homem a missão de cuidar da Criação disposta por Deus. Uma responsabilidade que despertará, de glória em glória, a natureza humana, o seu logos, a sua inteligência a fim de considerar todos os aspectos da humanidade.

Na particularidade de Jó, “que é o homem, para que tanto o estimes, e ponhas sobre ele o teu coração, e cada manhã o visites, e cada momento o proves?”, com uma interrogação fulminante, além de amenizar a sua dor, justifica momentaneamente as suas lamentações e queixas. O grito de interrogação de Jó é apenas o início de outros tantos que fará até ver, finalmente, o seu cativeiro revirado. Pela boca de Jó, ouvimos revolta e decepção porque era bom, porém pela paciência de suas atitudes vemos o despontar da Misericórdia do Mistério de Cristo sendo antecipado neste precioso livro, repleto de sabedoria. Em Jó, parece termos a certeza de que Deus irá resolver os problemas do homem como mistério.

Ora, no dizer de Hb 2.9, observamos Jesus, verbo de Deus encarnado, enviado pelo Pai, também como homem “coroado de glória e de honra, um pouco menor do que os anjos, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos”. Muito bem, é Hebreus um desfecho merecido para entendermos o mistério do homem pelo Mistério de Cristo. Todos hão de concordar que é o Senhor Jesus quem esclarece realmente as contradições humanas. Com o Senhor, a nossa cruz, o nosso fardo se torna leve, temos paz espiritual, certeza da salvação e poder de Deus.

Portanto, fiquemos admirados com a arte “sui generis” de Salvador Dali, a pintura do Cristo crucificado que nos impressiona maravilhosamente. Quando lançamos de relance o nosso olhar sobre a imagem, a ideia é de que todas as coisas são recapituladas em Cristo como se o projeto de salvação impetrado pelo Pai fosse de fato realizado n’Ele, no Senhor, sendo responsável pela elevação do mundo. Se em Adão todos morreram, em Cristo todos viverão. É a ideia paulina. Que nesta semana santa a Cruz não represente medo, nem tampouco, incerteza, mas liberdade e vitória, pois o Senhor Jesus venceu os grilhões da morte. É tempo de rememorarmos, comemorarmos este fato, Cristo Ressuscitou! Aleluia! Aleluia!

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros

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Levinas e o trato com o dinheiro

O dinheiro é um assunto por si mesmo delicado, de modo que o nosso bolso vem a ser, nos dias de hoje, uma das partes mais delicadas e sensíveis do nosso corpo. Como se o bolso fosse um membro inerente ao corpo. Algo inteiramente absurdo.

A bem da verdade, é assim mesmo que tratamos o dinheiro, como algo essencial e imprescindível para a sobrevivência. Ao longo do tempo, o dinheiro vem sendo um fator preponderante nas relações econômicas, invadindo as relações do homem com o outro, com Deus, com o planeta e com a própria vida, o que é absolutamente questionado.

Levinas observa um aspecto interessante nesse valor monetário: “Na economia – elemento em que uma vontade pode dominar outra – sem destruí-la como vontade – opera-se a totalização de seres absolutamente singulares dos quais não há conceitos e que, em virtude de sua própria singularidade, se recusam à adição. Na transação realiza-se a ação de uma liberdade sobre a outra. O dinheiro, cuja significação metafísica talvez não foi ainda medida”(LEVINAS, E. Entre Nós. Rio de Janeiro: Petrópolis, Vozes. pp.63. 2004). Para Levinas, a pessoa está fora da totalidade quando na transação e no comércio o próprio indivíduo é comprado ou vendido, visto que o dinheiro sempre é, em qualquer grau, salário. “Contravalor de um produto, ele age sobre a vontade, que ele tenta, e apodera-se da pessoa”(ibidem, pp.64). Na visão de Levinas, o dinheiro jamais deverá usurpar a dignidade de ninguém, sobretudo seus direitos, seus afetos, sua paz, além disso, sua vida e sua fé, elementos constitutivos da consciência humana.

É super atual o tema em questão porque convivemos, a todo o momento, com uma mentalidade mundial global chamada de “neoliberalismo econômico” que escraviza ou redimensiona o ser humano a uma espécie de objeto de valor de mercado, onde não há limites. Se vamos ao banco para fazer um empréstimo e saldar nossas dívidas, pagamos o dobro do valor real pelo empréstimo. Um absurdo! Enlouquecemos analisando juros aqui e juros ali. É uma verdadeira guerra de vantagens e desvantagens. O valor econômico, no caso, o dinheiro vem diminuindo as possibilidades humanas de ampliar sua vida cultural e espiritual, pois as vontades da consciência ficam restritas ao que você pode ou não pode comprar. Se queremos viajar, o dinheiro vem na frente. Se queremos ler um bom livro é preciso analisar o preço pra ver se é suficiente ou não para comprá-lo. Se queremos melhorar a mobília da casa o orçamento não dá para cobrir. Se queremos comprar um carro não temos dinheiro. Se queremos fazer um curso melhor não temos dinheiro. Se queremos ter um filho não temos como mantê-lo. Se moramos de aluguel e queremos comprar uma casa o dinheiro novamente não dá. Ora, tudo nesse país esbarra no dinheiro, pois é ele que restringe nossas vontades de vivermos com mais qualidade.
Agora, deveríamos ter a consciência de que o dinheiro pode comprar muitas coisas menos nós mesmos. Ele não compra o homem, por mais pretensioso e ambicioso que seja este indivíduo. Do ponto de vista espiritual, a situação é mais grave ainda porque o homem de hoje tem a petulância de comprar tudo, mas aí é que se engana. Compra remédio, mas não compra saúde. Compra cama, mas não compra o sono. Compra casa, carro, mas não compra paz espiritual. Compra o poder político, mas não compra o Espírito Santo. Compra gado, fazendas e ações na bolsa de valores, mas não compra Deus. De fato, se pararmos um pouco e pensarmos, o que acumulamos na vida poderia servir tanto para concretizar a justiça, o amor e a partilha tão raros nesse mundão de uma economia neoliberal como para agradar maravilhosamente o nosso Deus. Mas, o homem já não sabe o que fazer com tanto dinheiro!
Não foi à toa que o Profeta Amós assim nos transmitiu o brado de Deus pelos pobres: “Por três transgressões de Israel e por quatro não retirei o castigo, porque vendem o justo por dinheiro e o necessitado por um par de sapatos”(Am 2.6). A justiça na Bíblia tem a ver com santidade, pois é fruto da caridade e do amor. Segundo Levinas, a totalidade se dá quando o eu e o outro assumem uma reciprocidade tal que nada exterior a eles pode condicioná-los ou alienar, como se o mundo inteiro não existisse, somente aquela relação, é o que constitui o Nós. A cumplicidade do “nós” está fora no momento em que há usurpação pelo dinheiro, isto é, ao invés de ser dono do dinheiro, este é que é o seu dono. O dinheiro passa a ser seu dono, quando deveria ser o contrário! Daí ser oportuna, para concluir, a voz humanizadora de Levinas: “Não podemos atenuar a condenação que, desde o versículo 6 do capítulo II de Amós até o Manifesto Comunista, pesa sobre o dinheiro, exatamente por causa de seu poder de comprar o homem. Mas a justiça que deve salvá-lo não pode, contudo, renegar a forma superior da economia – ou seja, da totalidade humana – em que aparece a quantificação do homem, a medida comum entre homens, da qual o dinheiro – seja qual for sua forma empírica – fornece a categoria. É decerto muito chocante ver na quantificação do homem uma das condições essenciais da justiça. Mas concebe-se uma justiça sem quantidade e sem reparação?”(ibidem, pp. 65).

 

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva

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A luta de Jacó com o anjo é também a nossa luta

Uma das belíssimas, não menos importantes que tantas outras, passagens bíblicas situada no Livro do Gênesis, revela-nos a luta do Patriarca Jacó com o anjo. Vejamos cuidadosamente o texto em questão: “E levantou-se aquela mesma noite, e tomou as suas duas mulheres, e as suas duas servas, e os seus onze filhos, e passou o vau de Jaboque. E tomou-os e fê-los passar o ribeiro; e fez passar tudo o que tinha. Jacó, porém, ficou só; e lutou com ele um varão, até que a alva subia. E, vendo que não prevalecia contra ele, tocou a juntura de sua coxa; e se deslocou a juntura da coxa de Jacó, lutando com ele. E disse: Deixa-me ir, porque já a alva subiu. Porém ele disse: Não te deixarei ir, se me não abençoares. E disse-lhe: Qual é o teu nome? E ele disse: Jacó. Então, disse: Não se chamará mais o teu nome Jacó, mas Israel, pois, como príncipe, lutaste com Deus e com os homens e prevaleceste. E Jacó lhe perguntou e disse: Dá-me, peço-te, a saber o teu nome. E disse: Por que perguntas pelo meu nome? E abençoou-o ali. E chamou Jacó o nome daquele lugar Peniel, porque dizia: Tenho visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva. E saiu-lhe o sol, quando passou a Peniel; e manquejava da sua coxa. Por isso, os filhos de Israel não comem o nervo encolhido, que está sobre a juntura da coxa, até o dia de hoje, porquanto ele tocara a juntura da coxa de Jacó no nervo encolhido”(Gn. 32. 22-32).

Lendo esse texto, lembro-me de uma expressão valiosíssima de Ezra Pound que eleva a imagem da cena de qualquer escrita. Em se tratando mais ainda da Sagrada Escritura, cabe muito bem o seu dizer ao afirmar que “é melhor produzir uma imagem na vida do que obras volumosas”. Ou seja, ela está enfatizando a qualidade do texto e não a sua quantidade, o que é formidável. Depois, a luta de Jacó com o anjo representa o sinal do homem que deseja ardentemente a Revelação de Deus; uma verdadeira luta, cuja conquista é a visão. Jacó está lutando por uma visão de Deus. O episódio da luta de Jacó com o anjo significa afirmativamente a busca pelo conhecimento do Mistério da realidade; Uma busca pelo conhecimento do rosto secreto da realidade.

Deus, quando se revela, deixa na carne de Jacó uma ferida que é a marca de sua presença; um marco de Deus na história de Jacó. Após a luta, Deus muda a carne, o nome de Jacó que vai se chamar Israel. Portanto, Deus muda a natureza de Jacó. O poder de Deus é tão maravilhoso e majestoso que se afirma na mudança de seu servo Jacó, uma vez que vê o “sol sair” novamente sobre ele. Tão radical é a mudança que antes não percebia sequer o sol nascer em sua vida, agora a imagem do sol no texto quer dizer uma mudança de percepção. A luz de Deus passa a brilhar sobre a vida de seu servo.

O impressionante desse texto bíblico encerrado com a conquista de Jacó – “Tenho visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva”- é sua capacidade de nos remontar ao Novo Testamento. Peguem pela memória. Quem não lembra as expressões: “gerados de novo” em 1Pd. 1.3-5; “Novo Nascimento” em Jo. 3 com Nicodemos; “Nova criatura” em 1Cor. 5,17 com Paulo. São experiências equivalentes que nos mostram o desejo de mudança de vida, em contextos diferentes, pois nestes Deus é já verbo encarnado enviado pelo Pai para nos salvar. E, embora vendo Deus participar de suas vidas, a mudança ou a conversão é rejeitada por muitos. Infelizmente, é a experiência de inúmeros cristãos ainda hoje, após milênios do acontecimento Cristo em suas vidas, relutam em aceitar a Cristo como o Senhor de suas vidas.

Jacó, diga-se de passagem, é um destemido, pois, mesmo sem o Cristo histórico presente em sua vida, lutou incansavelmente em busca de um sinal para descobrir o rosto da realidade, o sentido das coisas, isto é, o rosto de Deus. A vida do homem, permitam-me dizer, consiste nesta luta para descobrir o rosto escondido da realidade. A luta de Jacó com o anjo é também a nossa luta para descobrir as inteligências por trás dos sentidos. As essências por trás das aparências. O uno por trás do múltiplo. A alma por trás do corpo. A graça por dentro da lei. A liberdade por dentro da necessidade. A verdade por trás da mentira. O bem ao invés do mal, a ética por trás da moral, enfim… A dignidade do homem está na tentativa de descobrir o mistério desconhecido; o homem anseia por uma revelação; “Qual o teu nome? Mostra-me o teu nome”; é a pergunta de Jacó. O anjo não se revela, mas o abençoa. A bênção é sinal da presença de Javé como também a transformação do nome de Jacó em Israel e a ferida na coxa.

Finalmente, o presente texto, assim como tantos outros da Bíblia, mostra evidentemente que a Revelação de Deus é mais uma vez um fato real, concreto e incontestável como uma ferida, sinal da presença de Javé. Qualquer coisa agora fazia perceber a presença de Deus que o teria alcançado e marcado naquela luta.

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva

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A santidade em Levinás

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Todos nós temos uma vocação à santidade. Ou a acolhemos ou a renunciamos, porém não a eliminamos, visto que nos comportamos, nos movemos e agimos não só pelo que nos falta, pelo que nos carece, mas também pelo que nos basta, pelo que nos excede. Não à toa, estamos sempre a procura do que é verdadeiro, que não é uma simples adequação do meu pensamento à coisa ou vice-versa, mas uma inadequação pura, um paradoxo, que nos perturba e incomoda porque nos ultrapassa, o humano. “Nunca pretendi descrever a realidade humana no seu imediato aparecer, mas o que a própria depravação humana não saberia eliminar: a vocação humana à santidade”(LEVINÁS, E. Violência do rosto. Trad. Fernando Soares Moreira. São Paulo: Edições Loyola, 2014, p. 39-40).

Um pensamento marcadamente humano, certamente consequência do sentimento trágico da segunda guerra mundial, a visão de Levinás é fruto da discussão que há na primeira metade do século XX: o que é o meu direito sobre o direito dos outros? Aqui ele mostra como os homens têm uma vocação à santidade que a violência não consegue eliminar ou não sabe eliminar. Seu valor à santidade deve vir da força da sua biografia, filósofo lituano, judeu, que acaba conseguindo a cidadania francesa em 1938. Vive num período histórico bastante conturbado entre as duas grandes guerras. É testemunha do surgimento e do esgotamento do Nazismo imposto por Hitler, responsável por destituir o caráter do outro e dizimar milhares de vidas humanas. Além disso, sua motivação é exatamente a perseguição ao terror promovida pelo Nazismo e por todo o movimento histórico em que passa a Europa, a partir da segunda década do séc. XX.

Em virtude disso, Levinás institui uma ética baseada na responsabilidade pelos outros. O caráter do indivíduo se reconhece numa dimensão de coletividade. Ele admite ainda que há uma transcendência em nossas relações: o eu que se reconhece nos outros porque é uma transcendência de mim mesmo que acontece no rosto do outro. Quando eu me reconheço no rosto do outro está acontecendo uma radicalidade ética: o primado do outro sobre o primado do eu.

A santidade, para Levinás, segue esse viés de abertura ao outro, muito afinado até com o rigor ético presente na Bíblia. Conceitos como o de bondade, justiça, hospitalidade, estrangeiro, são acolhidos no seu discurso filosófico. Afirma que não é ridículo, pelo contrário, é incontestável pensar o valor à santidade. “Ela não se prende inteiramente às privações, ela está na certeza de que é preciso deixar o outro sempre em primeiro lugar em tudo – desde o ‘depois do senhor’ diante da porta aberta até a disposição – quase impossível mas que a santidade o pede – de morrer pelo outro”(POIRIÉ, François. Emmanuel Levinás: ensaios e entrevistas. São Paulo: Perspectiva, 2007, p. 84).

Guardadas as devidas proporções de contexto, o mundo hoje tem uma tremenda dificuldade de lidar com as questões éticas, talvez por causa do politicamente correto, da política da boa vizinhança, do jeitinho, da camaradagem, das conveniências e do excesso de ideologias. No coletivo, paira uma certa superficialidade entre os sujeitos. Um encontro que requer a presença autêntica, sincera do outro. Tudo é muito politicamente correto ao ponto de absorver a importância do caráter de cada um. A impressão que se tem é que os espaços sociais estão cheios de gente que se tratam como gente, fazem acordos, assumem compromissos, etc, mas, em algum momento, tudo pode ser quebrado e desfeito. A sensação é de que a santidade se faz cada vez mais urgente. Menos ideologia, mais ética, mais santidade.

Levinás deixa claro que a santidade precisa ser valorizada para uma sociedade e um indivíduo se tornarem mais humanos: “Não afirmo a santidade humana, digo que o homem não pode contestar o supremo valor da santidade. Em 1968, ano da contestação dentro e em torno da Universidade, todos os valores estavam no ar, exceto o valor do outro homem ao qual era preciso dedicar-se. Os jovens que por várias horas se entregavam a todas as diversões e a todas as desordens, no fim do dia, iam visitar, como a uma oração, os operários em greve na Renault. O homem é o ser que reconhece a santidade e o esquecimento de si. O para si expõe-se sempre à suspeição”(LEVINÁS, E. Violência do rosto. Trad. Fernando Soares Moreira. São Paulo: Edições Loyola, 2014, p. 39-40).

A santidade se caracteriza como extravasamento da compreensão do ser, na medida em que se vive para outrem, apropriando-se de uma outra ordem, a ordem do humano. A santidade é mais do que racional, é um mandado divino que rompe com a ordem natural e nos insere na dimensão de reconhecimento do rosto do outro: “Vivemos em um Estado em que a ideia de justiça sobrepõe-se a essa caridade inicial, mas nessa caridade inicial reside o ser humano; a ela remonta a própria justiça. O homem não é somente o ser que compreende o que significa o ser, como queria Heidegger, mas é o ser que já ouviu e compreendeu o mandamento da santidade no rosto do outro homem. Também quando se diz que originariamente há instintos altruístas, reconheceu-se que Deus já falou. Ele começou muito cedo a falar. Significado antropológico do instinto! Na liturgia hebraica cotidiana, a primeira oração da manhã diz: ‘Bendito seja Deus, Senhor do mundo, que ensinou ao galo a distinguir o dia da noite’. No canto do galo, o despertar para a luz”(Idem, p. 40).
Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva, filósofo e teólogo.
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O encontro com Cristo promove Salvação

Quando tomamos a bela iniciativa de sair de nossa inércia individual; quando decidimos sair de nós mesmos para corrermos ao encontro do Mestre; quando nos movemos em direção ao advento de nossa salvação que é Cristo; quando saímos, saímos e saímos num movimento dinâmico e vivo de êxodo para buscar um lugar prometido, tal como Jerusalém para o povo de Israel; quando deixamos o pecado, nossos vícios e até nossas idiossincrasias, estamos promovendo a verdadeira salvação em nossa história que acaba de ser modificada, não é a mesma de antes. Encontrar-se com Cristo é ter coragem de mudar. A sua presença contagia e irradia a todos. Seu toque tem a força curativa de um Deus redentor e salvador. Alguém que se encontra com Cristo jamais permanece o mesmo!

Pelas andanças de Jesus em Samaria, Judéia e Galiléia nós percebemos a notoriedade de suas palavras e de seus atos. Não poucas vezes, Jesus passava em meio à multidão e mesmo assim era visto e ouvido. Quem não lembra do grito do cego de Jericó, Bartimeu: “Jesus, filho de Davi, tende piedade de mim que sou pecador!?”(Lc 18. 35-43). Quem não revive a experiência de Zaqueu, um publicano rico e desleal com o seu próprio povo, que arrecadava impostos na alfândega para favorecer o império romano!?(Cf. Lc 19. 1-10). E ainda Mateus, uma figura visível no evangelho que traz o seu próprio nome, o qual traía também os seus para favorecer os cofres de Roma(Cf. Mt 9.9s).

Vejam esses três exemplos de pessoas que simplesmente sentiam um desprezo muito grande pelos seus que eram israelitas, povo escolhido por Deus para perpetuar a Tradição Patriarcal de Jacó, Isaac e Moisés. Certamente, o cego estava incomodado com a exclusão social que sofria, mas mesmo assim Jesus se dirigiu até ele num movimento de advento da salvação e da cura frente à sua limitação e sofrimento. O grito do cego de Jericó representa aqui o movimento oposto ao do  Mestre. O socorro do cego é um movimento de saída de si, de suas limitações, de sua cegueira para a visão, das trevas para a luz. Possivelmente, com Zaqueu, os dois movimentos também aconteceram, um exodal e outro adventício. A carreira de Zaqueu para subir numa árvore e a sua transformação ao vê-Lo e ao sentir a sua presença. Na mesma medida, recebeu Mateus uma experiência extraordinária do encontro com Cristo. Mateus não aguentava mais ser desprezado pelo seu próprio povo, pois o havia traído, tirando dele impostos para ser dado ao Império. Vivia angustiado, excluído e taxado de impostor e traidor. Até que passou Jesus por sua mesa de cobrar impostos e ele simplesmente foi contagiado por sua pessoa. Algo diferente foi visto por Mateus para abandonar aquela vida e atender ao convite do Mestre: “Vem e segue-me”. Deixou tudo e seguiu aquele homem arrebatador de corações. Algo extraordinário contagiou Mateus!

Nada, absolutamente nada permanecia o mesmo ao ver Jesus ou ao ouvir a sua voz. As pessoas se admiravam do poder que emanava de seu toque e de suas palavras. É óbvio que todos nós estamos comprometidos pelo pecado de Adão. Herdamos com Adão, o pecado por natureza. É próprio da natureza humana o pecado, mas com Cristo, temos a certeza da libertação de nossa natureza e consequentemente de nossas vidas(Cf. Rm 5.12). Se estávamos condenados ao pecado, agora estamos absolvidos em Cristo. O encontro com Cristo promove esta salvação que exige de nós a admissão de nossa natureza pecadora. É preciso assumir que somos pecadores. Depois, confiar que Jesus pode nos salvar e, por último, aceitar que só existe um salvador entre Deus e os homens que é Jesus. Só Jesus salva!(Cf. 1Tm 2.5).

Além de todos os episódios bíblicos, lembrados aqui, para ilustrar que o encontro com Jesus promove salvação, libertação, comunhão com Deus e mudança radical de vida, a cena da cura dos dez leprosos(Cf. Lc 17. 11-19) que vinha acompanhada do drama do sofrimento humano e da exclusão social é maravilhosa, pois leprosos eram separados sem a possibilidade de nenhum contato social, mas Jesus os recebe e os cura, embora apenas um(01) depois tenha voltado para agradecer. Jesus os recebe e os cura porque sente o clamor desses pecadores por salvação. Jesus respeita o desejo de salvação daquelas pessoas, o desejo de se sentirem livres e curadas de todo o mal. O querer é o movimento de êxodo de todo pecador que quer a chegada definitiva de Jesus salvador.

Portanto, enquanto pelejamos na história em meio ao pecado, estamos sempre saindo de nós mesmos em constante movimento de encontro com o que há de vir, Jesus Cristo, pois está sempre vindo, chegando com providências e agindo maravilhosamente em nossas vidas. Bendito seja Deus!!!


 

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Licenciado em Filosofia pela UERN e Especialista em Metafísica pela UFRN e Especialista em Estudos Clássicos pela UnB/Archai/Unesco
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A força das ilusões

Desde que somos pequenos, muito pequenos até, feito crianças, vivemos sendo alimentados por sonhos ou ilusões. Sonhos, pelo tamanho de nossas certezas. Ilusões, pela dimensão ou vastidão das dúvidas. Gastar-se a vida, melhor dizendo, construindo-a para dirimir dúvidas é o sentido de todo homem, pois poucos suportam tê-las por perto, uma vez que convivem com elas bem dentro de si, de modo angustiante. Grande parte de nós passa a vida toda por força das ilusões, e ai de nós se não fossem elas, já teríamos tornado a vida um fardo de existência sem igual. Com as ilusões, a vida  mescla dois sabores, um amargo da realidade, e o outro doce das perfeições e ilusões verdadeiras. As ilusões, assim, proporcionam à vida um sabor agridoce.

Quando Deus criou o homem e a mulher no sexto dia, conforme nos contam as narrativas bíblicas do Livro do Gênesis, e viu que tudo que havia criado era muito bom, entregou às mãos do ser humano o poder de dominar sobre tudo, sobre animais silvestres e répteis que se arrastam na terra, enfim(Cf. Gn. 1.26). A forma como Deus age nesse instante da criação parece autorizar o ser humano a possuir voluntariamente uma primeira ilusão, a de dar nome e dominar a terra e tudo o que há nela. A partir daí, começa-se a conjecturar que a saga da ilusão humana de crescer e multiplicar-se por conta própria, achando que tudo é seu, parece tomar conta de seu ego. A emancipação da autonomia do homem aqui é, sem dúvida uma doce ilusão que cai por terra justamente com o pecado. Mesmo assim, sendo da terra até a raiz, o homem não se contém em fazer valer esse mandado divino de marcar, nomear todos os seres, segundo seu bel prazer.

A soberba humana e racional de achar que tudo é seu se radicaliza ainda mais e ganha corpo,  à medida que o homem se emancipa da natureza e atribui valor às coisas. As relações de troca com as coisas, os negócios comerciais de compra e venda de mercadorias para o enriquecimento próprio e não para sobrevivência e manutenção da vida, a busca ilimitada pelo lucro e acúmulo incomensurável de capital, a hipoteca social, o direito à propriedade, enfim, fazem do homem um mero possuidor de coisas alheias, que não são suas, mas lhe foram dadas.

O tomar para si o que não é seu por natureza, prova disso é que se morre e as coisas ficam, transforma o homem e tudo à sua volta numa mera ilusão de propriedade. Ser proprietário de algo nesta vida é pura ilusão. Mas, quem não vive com ela? Uma dura ilusão que nos come por dentro é o desejo de se tornar igual aos outros. Quantos não sonharam com realidades perfeitas, tomando o real por ideal! Olhem que não foram poucos. Lembrem-se de Thomas More no seu livro “Utopia”, Platão em “A República” e, na mesma direção, Campanella em “Cidade do Sol”, bem como Agostinho em “A cidade de Deus”, todos viveram movidos por suas ilusões de um lugar perfeito, de realidades ideais e inalcançáveis, de ilusões irrealizáveis, mas que nem por isso, deixaram de sonhar em concretizá-las. Quanta força há nas ilusões!

As obras e personagens reais mostrados acima declaram afirmativamente o peso da força das ilusões em nossa vida, assim como as palavras do filósofo alemão F. Nietzsche: “A vida tem necessidade de ilusões, isto é, de não-verdades tidas por verdades… Devemos estabelecer a proposição: só vivemos graças a ilusões”.

Se a ilusão pode ser entendida no horizonte dos sentidos, da mesma feita vem lida aqui na perspectiva da vida. A verdade é que estamos sempre cheios de ilusões para mover, muitas vezes, a nossa triste, crua e dura realidade.

No decorrer da história, criamos direitos e deveres legais para aplicar socialmente a ânsia de igualdade que há em nós, mesmo contra toda a correnteza de injustiças e de capitalização das riquezas naturais e materiais que costumam trair também essa ilusão de igualdade. Em tese, a igualdade existe por ser constitucional, mas na prática é uma tremenda ilusão.

Como contraponto de toda cultura material capitalista, teima em prevalecer, insiste em existir no homem, a sede de transformação do mundo, oriundo da ideologia cristã ou da fé cristã, de que é preciso viver em comunhão, pondo tudo na mesa da partilha, como irmãos uns dos outros, numa união profunda de “todos com todos” para servir e amar – diferentemente da ideia de “todos contra todos” de Thomas Hobbes no “Leviatã” – , perseverando no desprendimento pessoal de que nada é seu, mas tudo é de Deus, num movimento ascendente que eleva a todos.

Portanto, as ilusões, por não se concretizarem, não quer dizer que não existam e não sejam verdadeiras, mas justamente por serem fortes e contundentes em suas ideias é que as ilusões, de fato, existam e sejam verdadeiras, a ponto de nos alimentar diariamente com o doce sabor de viver, o que também não passa de uma ilusão.


Matéria do Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Licenciado em Filosofia, Bacharelado em Teologia e Especialista em Metafísica e em Estudos Clássicos
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“Alter-ego” na filosofia de Levinás…

(Imagem: Cena que encerra o filme “Tempos Modernos”, à medida que o filme vai acabando, o casal vai sumindo na estrada junto com o filme. Maravilha! O filme nos mostra a ideia de continuidade em que nos coloca além dos padrões da modernidade. O que chama a atenção e enche a tela não é o fim, mas um horizonte que parece não ter fim).

É muito comum em nossas atividades diárias experimentarmos um certo gozo incontido, principalmente nas pequenas coisas. Mesmo aquelas coisas mais repetidas do dia a dia como escovar os dentes, andar até a escola, visitar um amigo, encontrar-se com um membro familiar, ir até ao mercado, tomar um sorvete, saborear uma boa comida, aliviar-se da bexiga cheia… A propósito, um judeu que se preze, nascido em Israel, educado segundo às Escrituras, certamente já viveu alguma vez na vida a fabulosa experiência da “beraká”, uma alegria extraordinária que inunda a alma de amor próprio, de autoconhecimento e de intensa consciência de si mesmo. Para o judeu, das coisas mais simples às mais complexas, até mesmo urinar ou saciar a sede com um simples copo d’água é motivo de gozo, de ação de graças. O judeu dá graças a Deus por tudo! Parece que há um pouco disso na filosofia da alteridade de Levinás, principalmente quando se descobre os limites do eu.

Na contramão do que pensava Kant sobre a consciência do eu transcendental como fundamento e medida do conhecimento e da moralidade, Levinás admitia originariamente que “ser eu é existir de tal maneira que se esteja já para além do ser, na felicidade. Para o eu, ser não significa nem se opor, nem se representar alguma coisa, nem se servir de alguma coisa, nem aspirar a alguma coisa, mas gozar dela”(LEVINAS, Emmanuel. Totalité et infini. Trad. José P. Ribeiro. Lisboa: Edições 70, 1988, p. 124). Nessa direção pessoal de Levinás, temos um eu que se identifica no gozo que sente em viver bem com a realidade do mundo, em fazer bem as coisas na sua simplicidade, como que se a identidade do eu viesse junto com a felicidade. Uma espécie de ação de graças por cada ato do dia realizado, como se isso constituísse o eu de uma grandeza e elevação tal que o mundo todo se bastasse nele. “O gozo é a própria produção de um ser que nasce, que rompe a eternidade tranquila da sua existência seminal ou uterina, para se encerrar numa pessoa que, vivendo no mundo, vive em sua casa”(idem, p. 54).

Segundo Levinás, antes de duvidar, o eu é pura sensibilidade. Antes de abstrair-se, o eu é concreto e pura relação de si com o mundo. “O eu é sempre mais do que a sua posse. Aliás, não há posse. Há o indivíduo que se produz a partir de si, de sua própria subjetividade em um mundo concreto, no qual ele tem poderes e se mantém apoderando-se das coisas. O eu não se dissolve na totalidade da história e no absoluto; possui uma identidade que se faz a partir de si na relação com o mundo”(KUIAVA, Evaldo Antônio. Subjetividade Transcendental e Alteridade: um estudo sobre a questão do outro em Kant e Levinas. Caxias do Sul, RS: EDUCS. 2003. p. 152).

Mesmo admitindo que existe uma identidade do eu em relação ao mundo, Levinás dá ênfase a um dado extremamente sólido em sua filosofia, a alteridade. A leitura que se faz do ego em Levinás é inteiramente submetida à noção de outro, de alter. Daí, sua disposição em orientar seu pensar para o fulcro da alteridade. “Ao contrário de Kant, para o qual a autonomia do sujeito era o princípio supremo da moralidade, para Lévinas a categoria chave do universo ético será a alteridade. O outro não figurará simplesmente como um alter-ego, um ego como eu. O seu objetivo consistirá em destituir o eu autônomo e soberano, incapaz de perceber no outro nada além de si mesmo. Sendo assim, romperá com o primado do eu sobre o outro”(idem, p. 147).

Ocorre assim, na ontologia de Levinás, como já era esperado, uma primazia do outro sobre o eu, uma vez que somente um eu destituído da sua soberania e soberba poderá ser, de fato, ético. Não se trata de decretar a morte da subjetividade, mas de combater ao monologismo e ao monarquismo, ou até mesmo, à uma espécie de ranço da modernidade em promover uma racionalização legalista no campo da moral de dos valores. Depõe-se, sem dúvida, com a atividade filosófica de Levinás voltada para a alteridade, o caráter normativo da subjetividade kantiana. “Apresentará a subjetividade como acolhendo Outrem, como hospitalidade”(LEVINAS, E. Totalité et infini…op. cit., p. 12).

Portanto, o eu que pensa, duvida, dorme, come, respira, sonha, ama, conhece, odeia, imagina, urina e tem sede, descobre a presença de algo que ultrapassa seus limites, a sua finitude, por isso, a possibilidade de acolher outrem. É possuindo a ideia de infinito que se destitui o eu de sua autonomia e de seu pedantismo racional, como se o eu se dobrasse aos seus próprios limites. Entende-se, com isso, a famosa expressão de Levinás: “Possuir a ideia do infinito é já ter acolhido outrem”(idem, p. 94).


Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia, Especialista em Metafísica e em Estudos Clássicos
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Cultura e erudição

Essa é uma diferença muito clara pra mim. O sujeito que decora tudo e tem mania de externar seu domínio sobre a língua, sobre a geografia e sobre a matemática geralmente não assimila nada pra vida. Ao contrário de quem tem cultura, pois este assimila as informações pra vida e transparece em suas atitudes mudanças extraordinárias sobre aquilo que de fato aprendeu e não decorou, como no caso do erudito.

A sociedade nos abre diferentes possibilidades de encontro com as pessoas. Num desses encontros, esbarramos de quando em vez em alguém erudito que sofre de antecipação. Mal espera uma pergunta e logo interfere na tentativa de respondê-la. São geralmente assim as pessoas que respiram erudição. Derramando-se em conhecimentos e em muitas informações não veem a hora de falar do que estão cheios. O ineditismo e a supervalorização das ideias são uma marca do que se demonstra por demais erudito. Está sempre na espreita de que descobriu a pólvora! É próprio do erudito ter prazer em externar conhecimento. Do contrário, é da natureza do sábio como também do que tem cultura não se deixar perceber. Isto é notório no homem de cultura, a discrição.

Tal qual rio assim é o movimento entre cultura e erudição. O dorso fluir de um rio que passa por cima de pedras e plâncton nos conduz perfeitamente a uma compreensão da vida sábia, uma vida cheia de cultura. Cultura aqui entenda-se por “colere”, morar, habitar, habitar dentro, cultivar. Se ele cultiva, ele pratica, ele cuida, trata daquilo, das coisas. Consequentemente, o homem é um ser digno, inteligente, porque vê dentro das coisas. Fritjof Capra na obra “Teia da Vida” parece trazer para nós algo do tipo que o fluxo do rio é o conhecimento que corre, mas deixa o plâncton preso e vivo, vivível no fundo do rio, representando a sabedoria. Dessa forma, cultura está para a sabedoria, assim como o conhecimento está para a erudição. A primeira costuma descer ao coração e à vivência humanas, não passa ligeiramente(plâncton) como num rio. A segunda é do lugar da cabeça, pertence a ela e tem a mania de correr rapidamente como as águas do rio.

Portanto, cultura e erudição se desgarram facilmente uma da outra quando uma ou outra beijam a soberba. Mas, na maioria dos casos, é engraçado que a erudição está mais envolvida com o orgulho ou a soberba humanas. Ao passo que, a cultura ou o homem de cultura é visto pela sua humildade. Vejamos o que diz o livro de Provérbios: “Temor do Senhor é a instrução da sabedoria, e diante da honra vai a humildade”(Pv 15.33).


Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia, Especialista em Metafísica e em Estudos Clássicos
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