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A santidade em Levinás

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Todos nós temos uma vocação à santidade. Ou a acolhemos ou a renunciamos, porém não a eliminamos, visto que nos comportamos, nos movemos e agimos não só pelo que nos falta, pelo que nos carece, mas também pelo que nos basta, pelo que nos excede. Não à toa, estamos sempre a procura do que é verdadeiro, que não é uma simples adequação do meu pensamento à coisa ou vice-versa, mas uma inadequação pura, um paradoxo, que nos perturba e incomoda porque nos ultrapassa, o humano. “Nunca pretendi descrever a realidade humana no seu imediato aparecer, mas o que a própria depravação humana não saberia eliminar: a vocação humana à santidade”(LEVINÁS, E. Violência do rosto. Trad. Fernando Soares Moreira. São Paulo: Edições Loyola, 2014, p. 39-40).

Um pensamento marcadamente humano, certamente consequência do sentimento trágico da segunda guerra mundial, a visão de Levinás é fruto da discussão que há na primeira metade do século XX: o que é o meu direito sobre o direito dos outros? Aqui ele mostra como os homens têm uma vocação à santidade que a violência não consegue eliminar ou não sabe eliminar. Seu valor à santidade deve vir da força da sua biografia, filósofo lituano, judeu, que acaba conseguindo a cidadania francesa em 1938. Vive num período histórico bastante conturbado entre as duas grandes guerras. É testemunha do surgimento e do esgotamento do Nazismo imposto por Hitler, responsável por destituir o caráter do outro e dizimar milhares de vidas humanas. Além disso, sua motivação é exatamente a perseguição ao terror promovida pelo Nazismo e por todo o movimento histórico em que passa a Europa, a partir da segunda década do séc. XX.

Em virtude disso, Levinás institui uma ética baseada na responsabilidade pelos outros. O caráter do indivíduo se reconhece numa dimensão de coletividade. Ele admite ainda que há uma transcendência em nossas relações: o eu que se reconhece nos outros porque é uma transcendência de mim mesmo que acontece no rosto do outro. Quando eu me reconheço no rosto do outro está acontecendo uma radicalidade ética: o primado do outro sobre o primado do eu.

A santidade, para Levinás, segue esse viés de abertura ao outro, muito afinado até com o rigor ético presente na Bíblia. Conceitos como o de bondade, justiça, hospitalidade, estrangeiro, são acolhidos no seu discurso filosófico. Afirma que não é ridículo, pelo contrário, é incontestável pensar o valor à santidade. “Ela não se prende inteiramente às privações, ela está na certeza de que é preciso deixar o outro sempre em primeiro lugar em tudo – desde o ‘depois do senhor’ diante da porta aberta até a disposição – quase impossível mas que a santidade o pede – de morrer pelo outro”(POIRIÉ, François. Emmanuel Levinás: ensaios e entrevistas. São Paulo: Perspectiva, 2007, p. 84).

Guardadas as devidas proporções de contexto, o mundo hoje tem uma tremenda dificuldade de lidar com as questões éticas, talvez por causa do politicamente correto, da política da boa vizinhança, do jeitinho, da camaradagem, das conveniências e do excesso de ideologias. No coletivo, paira uma certa superficialidade entre os sujeitos. Um encontro que requer a presença autêntica, sincera do outro. Tudo é muito politicamente correto ao ponto de absorver a importância do caráter de cada um. A impressão que se tem é que os espaços sociais estão cheios de gente que se tratam como gente, fazem acordos, assumem compromissos, etc, mas, em algum momento, tudo pode ser quebrado e desfeito. A sensação é de que a santidade se faz cada vez mais urgente. Menos ideologia, mais ética, mais santidade.

Levinás deixa claro que a santidade precisa ser valorizada para uma sociedade e um indivíduo se tornarem mais humanos: “Não afirmo a santidade humana, digo que o homem não pode contestar o supremo valor da santidade. Em 1968, ano da contestação dentro e em torno da Universidade, todos os valores estavam no ar, exceto o valor do outro homem ao qual era preciso dedicar-se. Os jovens que por várias horas se entregavam a todas as diversões e a todas as desordens, no fim do dia, iam visitar, como a uma oração, os operários em greve na Renault. O homem é o ser que reconhece a santidade e o esquecimento de si. O para si expõe-se sempre à suspeição”(LEVINÁS, E. Violência do rosto. Trad. Fernando Soares Moreira. São Paulo: Edições Loyola, 2014, p. 39-40).

A santidade se caracteriza como extravasamento da compreensão do ser, na medida em que se vive para outrem, apropriando-se de uma outra ordem, a ordem do humano. A santidade é mais do que racional, é um mandado divino que rompe com a ordem natural e nos insere na dimensão de reconhecimento do rosto do outro: “Vivemos em um Estado em que a ideia de justiça sobrepõe-se a essa caridade inicial, mas nessa caridade inicial reside o ser humano; a ela remonta a própria justiça. O homem não é somente o ser que compreende o que significa o ser, como queria Heidegger, mas é o ser que já ouviu e compreendeu o mandamento da santidade no rosto do outro homem. Também quando se diz que originariamente há instintos altruístas, reconheceu-se que Deus já falou. Ele começou muito cedo a falar. Significado antropológico do instinto! Na liturgia hebraica cotidiana, a primeira oração da manhã diz: ‘Bendito seja Deus, Senhor do mundo, que ensinou ao galo a distinguir o dia da noite’. No canto do galo, o despertar para a luz”(Idem, p. 40).
Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva, filósofo e teólogo.
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O encontro com Cristo promove Salvação

Quando tomamos a bela iniciativa de sair de nossa inércia individual; quando decidimos sair de nós mesmos para corrermos ao encontro do Mestre; quando nos movemos em direção ao advento de nossa salvação que é Cristo; quando saímos, saímos e saímos num movimento dinâmico e vivo de êxodo para buscar um lugar prometido, tal como Jerusalém para o povo de Israel; quando deixamos o pecado, nossos vícios e até nossas idiossincrasias, estamos promovendo a verdadeira salvação em nossa história que acaba de ser modificada, não é a mesma de antes. Encontrar-se com Cristo é ter coragem de mudar. A sua presença contagia e irradia a todos. Seu toque tem a força curativa de um Deus redentor e salvador. Alguém que se encontra com Cristo jamais permanece o mesmo!

Pelas andanças de Jesus em Samaria, Judéia e Galiléia nós percebemos a notoriedade de suas palavras e de seus atos. Não poucas vezes, Jesus passava em meio à multidão e mesmo assim era visto e ouvido. Quem não lembra do grito do cego de Jericó, Bartimeu: “Jesus, filho de Davi, tende piedade de mim que sou pecador!?”(Lc 18. 35-43). Quem não revive a experiência de Zaqueu, um publicano rico e desleal com o seu próprio povo, que arrecadava impostos na alfândega para favorecer o império romano!?(Cf. Lc 19. 1-10). E ainda Mateus, uma figura visível no evangelho que traz o seu próprio nome, o qual traía também os seus para favorecer os cofres de Roma(Cf. Mt 9.9s).

Vejam esses três exemplos de pessoas que simplesmente sentiam um desprezo muito grande pelos seus que eram israelitas, povo escolhido por Deus para perpetuar a Tradição Patriarcal de Jacó, Isaac e Moisés. Certamente, o cego estava incomodado com a exclusão social que sofria, mas mesmo assim Jesus se dirigiu até ele num movimento de advento da salvação e da cura frente à sua limitação e sofrimento. O grito do cego de Jericó representa aqui o movimento oposto ao do  Mestre. O socorro do cego é um movimento de saída de si, de suas limitações, de sua cegueira para a visão, das trevas para a luz. Possivelmente, com Zaqueu, os dois movimentos também aconteceram, um exodal e outro adventício. A carreira de Zaqueu para subir numa árvore e a sua transformação ao vê-Lo e ao sentir a sua presença. Na mesma medida, recebeu Mateus uma experiência extraordinária do encontro com Cristo. Mateus não aguentava mais ser desprezado pelo seu próprio povo, pois o havia traído, tirando dele impostos para ser dado ao Império. Vivia angustiado, excluído e taxado de impostor e traidor. Até que passou Jesus por sua mesa de cobrar impostos e ele simplesmente foi contagiado por sua pessoa. Algo diferente foi visto por Mateus para abandonar aquela vida e atender ao convite do Mestre: “Vem e segue-me”. Deixou tudo e seguiu aquele homem arrebatador de corações. Algo extraordinário contagiou Mateus!

Nada, absolutamente nada permanecia o mesmo ao ver Jesus ou ao ouvir a sua voz. As pessoas se admiravam do poder que emanava de seu toque e de suas palavras. É óbvio que todos nós estamos comprometidos pelo pecado de Adão. Herdamos com Adão, o pecado por natureza. É próprio da natureza humana o pecado, mas com Cristo, temos a certeza da libertação de nossa natureza e consequentemente de nossas vidas(Cf. Rm 5.12). Se estávamos condenados ao pecado, agora estamos absolvidos em Cristo. O encontro com Cristo promove esta salvação que exige de nós a admissão de nossa natureza pecadora. É preciso assumir que somos pecadores. Depois, confiar que Jesus pode nos salvar e, por último, aceitar que só existe um salvador entre Deus e os homens que é Jesus. Só Jesus salva!(Cf. 1Tm 2.5).

Além de todos os episódios bíblicos, lembrados aqui, para ilustrar que o encontro com Jesus promove salvação, libertação, comunhão com Deus e mudança radical de vida, a cena da cura dos dez leprosos(Cf. Lc 17. 11-19) que vinha acompanhada do drama do sofrimento humano e da exclusão social é maravilhosa, pois leprosos eram separados sem a possibilidade de nenhum contato social, mas Jesus os recebe e os cura, embora apenas um(01) depois tenha voltado para agradecer. Jesus os recebe e os cura porque sente o clamor desses pecadores por salvação. Jesus respeita o desejo de salvação daquelas pessoas, o desejo de se sentirem livres e curadas de todo o mal. O querer é o movimento de êxodo de todo pecador que quer a chegada definitiva de Jesus salvador.

Portanto, enquanto pelejamos na história em meio ao pecado, estamos sempre saindo de nós mesmos em constante movimento de encontro com o que há de vir, Jesus Cristo, pois está sempre vindo, chegando com providências e agindo maravilhosamente em nossas vidas. Bendito seja Deus!!!


 

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Licenciado em Filosofia pela UERN e Especialista em Metafísica pela UFRN e Especialista em Estudos Clássicos pela UnB/Archai/Unesco
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A força das ilusões

Desde que somos pequenos, muito pequenos até, feito crianças, vivemos sendo alimentados por sonhos ou ilusões. Sonhos, pelo tamanho de nossas certezas. Ilusões, pela dimensão ou vastidão das dúvidas. Gastar-se a vida, melhor dizendo, construindo-a para dirimir dúvidas é o sentido de todo homem, pois poucos suportam tê-las por perto, uma vez que convivem com elas bem dentro de si, de modo angustiante. Grande parte de nós passa a vida toda por força das ilusões, e ai de nós se não fossem elas, já teríamos tornado a vida um fardo de existência sem igual. Com as ilusões, a vida  mescla dois sabores, um amargo da realidade, e o outro doce das perfeições e ilusões verdadeiras. As ilusões, assim, proporcionam à vida um sabor agridoce.

Quando Deus criou o homem e a mulher no sexto dia, conforme nos contam as narrativas bíblicas do Livro do Gênesis, e viu que tudo que havia criado era muito bom, entregou às mãos do ser humano o poder de dominar sobre tudo, sobre animais silvestres e répteis que se arrastam na terra, enfim(Cf. Gn. 1.26). A forma como Deus age nesse instante da criação parece autorizar o ser humano a possuir voluntariamente uma primeira ilusão, a de dar nome e dominar a terra e tudo o que há nela. A partir daí, começa-se a conjecturar que a saga da ilusão humana de crescer e multiplicar-se por conta própria, achando que tudo é seu, parece tomar conta de seu ego. A emancipação da autonomia do homem aqui é, sem dúvida uma doce ilusão que cai por terra justamente com o pecado. Mesmo assim, sendo da terra até a raiz, o homem não se contém em fazer valer esse mandado divino de marcar, nomear todos os seres, segundo seu bel prazer.

A soberba humana e racional de achar que tudo é seu se radicaliza ainda mais e ganha corpo,  à medida que o homem se emancipa da natureza e atribui valor às coisas. As relações de troca com as coisas, os negócios comerciais de compra e venda de mercadorias para o enriquecimento próprio e não para sobrevivência e manutenção da vida, a busca ilimitada pelo lucro e acúmulo incomensurável de capital, a hipoteca social, o direito à propriedade, enfim, fazem do homem um mero possuidor de coisas alheias, que não são suas, mas lhe foram dadas.

O tomar para si o que não é seu por natureza, prova disso é que se morre e as coisas ficam, transforma o homem e tudo à sua volta numa mera ilusão de propriedade. Ser proprietário de algo nesta vida é pura ilusão. Mas, quem não vive com ela? Uma dura ilusão que nos come por dentro é o desejo de se tornar igual aos outros. Quantos não sonharam com realidades perfeitas, tomando o real por ideal! Olhem que não foram poucos. Lembrem-se de Thomas More no seu livro “Utopia”, Platão em “A República” e, na mesma direção, Campanella em “Cidade do Sol”, bem como Agostinho em “A cidade de Deus”, todos viveram movidos por suas ilusões de um lugar perfeito, de realidades ideais e inalcançáveis, de ilusões irrealizáveis, mas que nem por isso, deixaram de sonhar em concretizá-las. Quanta força há nas ilusões!

As obras e personagens reais mostrados acima declaram afirmativamente o peso da força das ilusões em nossa vida, assim como as palavras do filósofo alemão F. Nietzsche: “A vida tem necessidade de ilusões, isto é, de não-verdades tidas por verdades… Devemos estabelecer a proposição: só vivemos graças a ilusões”.

Se a ilusão pode ser entendida no horizonte dos sentidos, da mesma feita vem lida aqui na perspectiva da vida. A verdade é que estamos sempre cheios de ilusões para mover, muitas vezes, a nossa triste, crua e dura realidade.

No decorrer da história, criamos direitos e deveres legais para aplicar socialmente a ânsia de igualdade que há em nós, mesmo contra toda a correnteza de injustiças e de capitalização das riquezas naturais e materiais que costumam trair também essa ilusão de igualdade. Em tese, a igualdade existe por ser constitucional, mas na prática é uma tremenda ilusão.

Como contraponto de toda cultura material capitalista, teima em prevalecer, insiste em existir no homem, a sede de transformação do mundo, oriundo da ideologia cristã ou da fé cristã, de que é preciso viver em comunhão, pondo tudo na mesa da partilha, como irmãos uns dos outros, numa união profunda de “todos com todos” para servir e amar – diferentemente da ideia de “todos contra todos” de Thomas Hobbes no “Leviatã” – , perseverando no desprendimento pessoal de que nada é seu, mas tudo é de Deus, num movimento ascendente que eleva a todos.

Portanto, as ilusões, por não se concretizarem, não quer dizer que não existam e não sejam verdadeiras, mas justamente por serem fortes e contundentes em suas ideias é que as ilusões, de fato, existam e sejam verdadeiras, a ponto de nos alimentar diariamente com o doce sabor de viver, o que também não passa de uma ilusão.


Matéria do Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Licenciado em Filosofia, Bacharelado em Teologia e Especialista em Metafísica e em Estudos Clássicos
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“Alter-ego” na filosofia de Levinás…

(Imagem: Cena que encerra o filme “Tempos Modernos”, à medida que o filme vai acabando, o casal vai sumindo na estrada junto com o filme. Maravilha! O filme nos mostra a ideia de continuidade em que nos coloca além dos padrões da modernidade. O que chama a atenção e enche a tela não é o fim, mas um horizonte que parece não ter fim).

É muito comum em nossas atividades diárias experimentarmos um certo gozo incontido, principalmente nas pequenas coisas. Mesmo aquelas coisas mais repetidas do dia a dia como escovar os dentes, andar até a escola, visitar um amigo, encontrar-se com um membro familiar, ir até ao mercado, tomar um sorvete, saborear uma boa comida, aliviar-se da bexiga cheia… A propósito, um judeu que se preze, nascido em Israel, educado segundo às Escrituras, certamente já viveu alguma vez na vida a fabulosa experiência da “beraká”, uma alegria extraordinária que inunda a alma de amor próprio, de autoconhecimento e de intensa consciência de si mesmo. Para o judeu, das coisas mais simples às mais complexas, até mesmo urinar ou saciar a sede com um simples copo d’água é motivo de gozo, de ação de graças. O judeu dá graças a Deus por tudo! Parece que há um pouco disso na filosofia da alteridade de Levinás, principalmente quando se descobre os limites do eu.

Na contramão do que pensava Kant sobre a consciência do eu transcendental como fundamento e medida do conhecimento e da moralidade, Levinás admitia originariamente que “ser eu é existir de tal maneira que se esteja já para além do ser, na felicidade. Para o eu, ser não significa nem se opor, nem se representar alguma coisa, nem se servir de alguma coisa, nem aspirar a alguma coisa, mas gozar dela”(LEVINAS, Emmanuel. Totalité et infini. Trad. José P. Ribeiro. Lisboa: Edições 70, 1988, p. 124). Nessa direção pessoal de Levinás, temos um eu que se identifica no gozo que sente em viver bem com a realidade do mundo, em fazer bem as coisas na sua simplicidade, como que se a identidade do eu viesse junto com a felicidade. Uma espécie de ação de graças por cada ato do dia realizado, como se isso constituísse o eu de uma grandeza e elevação tal que o mundo todo se bastasse nele. “O gozo é a própria produção de um ser que nasce, que rompe a eternidade tranquila da sua existência seminal ou uterina, para se encerrar numa pessoa que, vivendo no mundo, vive em sua casa”(idem, p. 54).

Segundo Levinás, antes de duvidar, o eu é pura sensibilidade. Antes de abstrair-se, o eu é concreto e pura relação de si com o mundo. “O eu é sempre mais do que a sua posse. Aliás, não há posse. Há o indivíduo que se produz a partir de si, de sua própria subjetividade em um mundo concreto, no qual ele tem poderes e se mantém apoderando-se das coisas. O eu não se dissolve na totalidade da história e no absoluto; possui uma identidade que se faz a partir de si na relação com o mundo”(KUIAVA, Evaldo Antônio. Subjetividade Transcendental e Alteridade: um estudo sobre a questão do outro em Kant e Levinas. Caxias do Sul, RS: EDUCS. 2003. p. 152).

Mesmo admitindo que existe uma identidade do eu em relação ao mundo, Levinás dá ênfase a um dado extremamente sólido em sua filosofia, a alteridade. A leitura que se faz do ego em Levinás é inteiramente submetida à noção de outro, de alter. Daí, sua disposição em orientar seu pensar para o fulcro da alteridade. “Ao contrário de Kant, para o qual a autonomia do sujeito era o princípio supremo da moralidade, para Lévinas a categoria chave do universo ético será a alteridade. O outro não figurará simplesmente como um alter-ego, um ego como eu. O seu objetivo consistirá em destituir o eu autônomo e soberano, incapaz de perceber no outro nada além de si mesmo. Sendo assim, romperá com o primado do eu sobre o outro”(idem, p. 147).

Ocorre assim, na ontologia de Levinás, como já era esperado, uma primazia do outro sobre o eu, uma vez que somente um eu destituído da sua soberania e soberba poderá ser, de fato, ético. Não se trata de decretar a morte da subjetividade, mas de combater ao monologismo e ao monarquismo, ou até mesmo, à uma espécie de ranço da modernidade em promover uma racionalização legalista no campo da moral de dos valores. Depõe-se, sem dúvida, com a atividade filosófica de Levinás voltada para a alteridade, o caráter normativo da subjetividade kantiana. “Apresentará a subjetividade como acolhendo Outrem, como hospitalidade”(LEVINAS, E. Totalité et infini…op. cit., p. 12).

Portanto, o eu que pensa, duvida, dorme, come, respira, sonha, ama, conhece, odeia, imagina, urina e tem sede, descobre a presença de algo que ultrapassa seus limites, a sua finitude, por isso, a possibilidade de acolher outrem. É possuindo a ideia de infinito que se destitui o eu de sua autonomia e de seu pedantismo racional, como se o eu se dobrasse aos seus próprios limites. Entende-se, com isso, a famosa expressão de Levinás: “Possuir a ideia do infinito é já ter acolhido outrem”(idem, p. 94).


Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
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Cultura e erudição

Essa é uma diferença muito clara pra mim. O sujeito que decora tudo e tem mania de externar seu domínio sobre a língua, sobre a geografia e sobre a matemática geralmente não assimila nada pra vida. Ao contrário de quem tem cultura, pois este assimila as informações pra vida e transparece em suas atitudes mudanças extraordinárias sobre aquilo que de fato aprendeu e não decorou, como no caso do erudito.

A sociedade nos abre diferentes possibilidades de encontro com as pessoas. Num desses encontros, esbarramos de quando em vez em alguém erudito que sofre de antecipação. Mal espera uma pergunta e logo interfere na tentativa de respondê-la. São geralmente assim as pessoas que respiram erudição. Derramando-se em conhecimentos e em muitas informações não veem a hora de falar do que estão cheios. O ineditismo e a supervalorização das ideias são uma marca do que se demonstra por demais erudito. Está sempre na espreita de que descobriu a pólvora! É próprio do erudito ter prazer em externar conhecimento. Do contrário, é da natureza do sábio como também do que tem cultura não se deixar perceber. Isto é notório no homem de cultura, a discrição.

Tal qual rio assim é o movimento entre cultura e erudição. O dorso fluir de um rio que passa por cima de pedras e plâncton nos conduz perfeitamente a uma compreensão da vida sábia, uma vida cheia de cultura. Cultura aqui entenda-se por “colere”, morar, habitar, habitar dentro, cultivar. Se ele cultiva, ele pratica, ele cuida, trata daquilo, das coisas. Consequentemente, o homem é um ser digno, inteligente, porque vê dentro das coisas. Fritjof Capra na obra “Teia da Vida” parece trazer para nós algo do tipo que o fluxo do rio é o conhecimento que corre, mas deixa o plâncton preso e vivo, vivível no fundo do rio, representando a sabedoria. Dessa forma, cultura está para a sabedoria, assim como o conhecimento está para a erudição. A primeira costuma descer ao coração e à vivência humanas, não passa ligeiramente(plâncton) como num rio. A segunda é do lugar da cabeça, pertence a ela e tem a mania de correr rapidamente como as águas do rio.

Portanto, cultura e erudição se desgarram facilmente uma da outra quando uma ou outra beijam a soberba. Mas, na maioria dos casos, é engraçado que a erudição está mais envolvida com o orgulho ou a soberba humanas. Ao passo que, a cultura ou o homem de cultura é visto pela sua humildade. Vejamos o que diz o livro de Provérbios: “Temor do Senhor é a instrução da sabedoria, e diante da honra vai a humildade”(Pv 15.33).


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Deus disse: “EU SOU O QUE SOU” (Ex 3.14)

Esta expressão atravessou as eras desde que saiu da boca de Deus e foi ao encontro de um homem que tinha uma missão quase impossível, a de libertar da escravidão o povo escolhido por Deus para ser sinal de uma verdadeira aliança entre Ele e os homens.

De lá para cá, em meio a obediências e desobediências, jamais Deus abandonou o seu povo, fazendo valer a sua fidelidade e a marca de sua presença maravilhosa em nosso meio, vindo a cumprir tudo que havia prometido numa única e exclusiva pessoa, seu Filho, Jesus Cristo.

Deus disse: Eu sou Aquele que É. Esta revelação foi interpretada pelos exegetas de duas formas: A primeira, num sentido causativo mesmo, quer dizer, eu sou a causa do ser, de tudo aquilo que existe, a origem de todas as coisas. A segunda forma é o sentido relativo que se apresenta assim: Eu Sou Aquele que está a favor do seu povo, aquele que está em relação ao seu povo. Este segundo sentido acentua mais o valor histórico da revelação do nome de Deus. Um Deus que se manifestava ali, na frente de Moisés, como um sinal vivo e presente de esperança. Um Deus que não só libertará seu povo, mas que suprirá todas as suas necessidades reais e presentes.

No Sinai, não se trata de uma Revelação Metafísica de Deus, como afirma a filosofia do ser. Ainda mais porque é uma especulação abstrata e estranha à mentalidade dos hebreus e dos povos semitas em geral. Por isso, Êxodo 3.14, nos seus dois sentidos não indica uma reflexão meramente filosófica, mas pura e simples autocomunicação de Deus. Deus se revela como presença incorruptível ao lado do homem, como uma realidade viva que não se desgasta, que não se consome. Essa é a potência da figura da sarsa ardente e de todas as circustâncias que envolve este importante episódio bíblico.

Quando Moisés se encontra com Deus no Monte Sinai uma certeza se abre no horizonte de dúvidas de Moisés: Há uma saída para o meu povo. Diante da missão que Deus lhe pede, Moisés externa a sua pequenez, sua incerteza e sua insegurança: “Quem sou eu, que vá a Faraó e tire do Egito os filhos de Israel?”(Ex 3.11). Moisés não sabia disso, mas não importa quem seja ele, grande ou pequeno, rico ou pobre, poderoso ou fraco, o que de fato importa é que Moisés já tinha sido escolhido para ser sinal ali da presença maravilhosa e extraordinária de Deus. Deus tinha que usar alguém e usou a Moisés para ser seu servo e comprovar toda a sua obediência. Porque, segundo o texto, Deus é simplesmente assim e pronto: “Eu Sou o que Sou. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: Eu Sou me enviou a Vós. E Deus disse mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: O Senhor, o Deus de Vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó, me enviou a vós; este é meu nome eternamente, e este é meu memorial de geração em geração”(Ex 3.14-15).

Com essas palavras, diria mais, com sua presença majestosa que preenche tudo, Deus exime todas as suspeitas de uma missão mal sucedida. Deus também afasta para bem longe as inúmeras espécies de dúvidas no coração de seu escohido, Moisés. Sendo assim, restará a Moisés obedecer e confiar em alguém que lhe pôs o Ser. Em alguém que não só lhe deu o ser, mas que se permitiu por em seu caminho. Veja bem, Deus saiu de si e permitiu-se entrar na vida dos homens! Isso é maravilhoso. Será preciso honrar tudo isso. Nas mãos de Moisés ferve a esperança de um povo e a mudança de uma história.

Parece ser muito complicado fazer filosofia de um texto dessa natureza, mas se tentarmos uma aproximação não pode ser somente pela via da especulação racional, mas da vida. Quem se aproximou um pouco dessa compreensão foi Tomás de Aquino, cuja Filosofia se desenvolveu na Alta Idade Média, séc. XII, XIII e XIV, beirando o Renascimento. Para Tomás, Deus é pura subsistência de ser, Deus é o ser por excelência. “Ipsum esse subsistens”. É uma afirmação por via puramente racional. Tomás não usa textos bíblicos para isso. Porém, o contexto histórico no qual Tomás vive é um contexto de comunidade cristã, é um contexto impregnado pela revelação cristã. Os argumentos de Tomás de Aquino não partem de uma razão abstrata, mas partem de uma vida. É a partir de uma vida que ele faz um aprofundamento em relação a Aristóteles. Isso é possível por causa de uma vida, pelo fato de viver num mundo dominado pela concepção da Revelação.


Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
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Aletheia

coroa-de-espinhosExpressão que popularizou-se recentemente como denominação da 24ª etapa da Operação Lava-Jato deflagrada pela Polícia Federal, cujo alvo de investigação era o ex-Presidente da República, Luís Inácio Lula da Silva, sobre o qual pesam inúmeras suspeitas de tráfico de influência envolvendo a maior estatal brasileira, a Petrobras. Diferente dessa Operação, “Aletheia” é um termo para além de qualquer investigação judicial porque está preso ao seu sentido grego de verdade, não esquecimento, opondo-se à ideia de letargia, falta de recordação. “Recordar é viver”, já houve quem tenha dito.

Influenciados pelas reminiscências platônicas, revivemos, evocamos aqui um diálogo presente naquele contexto que envolve a morte de Jesus. Um diálogo entre Pilatos, o prefeito da Judeia, e Jesus, o filho de Deus. Vejam que distinguem-se nesse diálogo dois mundos. Dois mundos estão frente a frente, dois reinos estão “tête-à-tête”: a eternidade e a história, o sagrado e o profano, a salvação e o juízo.

Pilatos se vê na impossibilidade de Julgar um homem dos modos e da pertinência de Jesus, o Salvador, o filho de Deus:

“Então Pilatos saiu ao encontro deles e perguntou: ‘Qual é a acusação que vocês fazem contra este homem?’

‘Nós não o teríamos prendido se ele não fosse um criminoso!’, disseram eles.

‘Então levem o acusado para ser julgado por vocês mesmos, conforme a lei de vocês’, disse Pilatos.

‘Mas nós não temos o direito de executar ninguém’, disseram eles, ‘e é necessária a sua aprovação’.

Então Pilatos entrou novamente no Palácio e ordenou que trouxessem Jesus. ‘Você é o Rei dos Judeus?’, inquiriu.

Perguntou-lhe Jesus: ‘Essa pergunta é sua, ou os outros falaram a meu respeito?’

‘Acaso sou judeu’, respondeu Pilatos.

‘O seu próprio povo e os sacerdotes principais entregaram você a mim. Por quê? Que foi que você fez?’

Então Jesus respondeu: ‘O meu reino não é deste mundo. Se fosse, os meus seguidores teriam lutado quando eu fui preso pelos líderes judeus. Mas o meu Reino não é daqui’.

Pilatos respondeu: ‘Então você é rei?’

‘O senhor está dizendo que sou rei’, disse Jesus. ‘Eu nasci para isso. Eu vim a este mundo para testemunhar da verdade. Todos os que estão do lado da verdade ouvem a minha voz’.

‘Que é a verdade?’ perguntou Pilatos. Depois ele saiu outra vez para onde o povo estava e disse: ‘Pelo meu exame, não há nada contra ele’”(Jo 18. 29-38).

Antes do desfecho dramático que culminará com o povo condenando Jesus, Pilatos, ao interrogá-lo, é conduzido a uma pergunta que ainda soa aos nossos ouvidos: “Que é a verdade?”. Filósofos, poetas, cientistas, teólogos,… continuam nos conduzindo a ela. É uma pergunta clássica, na medida em que voltamos a ela, pois tem sempre algo a nos dizer. Nunca para de nos surpreender, por isso clássica.

Aletheia, a verdade, talvez esteja no silêncio de Jesus, revelada em seu testemunho, em seus atos. Da tensão entre Jesus e Pilatos, um fato, uma evidência irrompeu, “nada contra ele”. Tal constatação não foi suficiente para livrá-lo da morte, visto que alguma coisa estava para ser cumprida, as Escrituras.

O curioso é que todo esse processo do julgamento de Jesus de nada adiantou, porque nada foi encontrado contra ele. Pilatos não conseguiu julgá-lo, esta é a verdade. Jesus sai ileso das investigações de Pilatos. Jesus põe a seus pés, faz sucumbir o mundo legal, jurídico e pretensioso. O que se sobrepõe é o amor, uma outra ordem, a ordem divina, essencial para a vida humana.

É sabido que recai sobre todos nós, hoje em dia, uma cultura secularizada, fragmentada e bastante relativa em seus valores, muito diferente daquela vivida por Jesus, mas ainda assim, em meio a tantas verdades, envoltos num mundo plural e globalizado, o testemunho de Jesus continua sendo a “Aletheia” possível para os que pensam diferente e querem já aqui viver o paradoxo da cruz, o amor, a redenção:

“Dar testemunho, aqui e agora, da verdade do Reino que não está aqui significa aceitar que o que queremos salvar nos julgue. E isso porque o mundo, na sua caducidade, não quer salvação, mas justiça. E a quer precisamente porque não pede para ser salvo. Enquanto não são salváveis, as criaturas julgam o eterno: esse é o paradoxo que, no fim, diante de Pilatos, tira a palavra de Jesus. Aqui está a cruz, aqui está a história”(AGAMBEN, Giorgio. Pilatos e Jesus. São Paulo: Boitempo; Florianópolis: UFSC, 2014, p. 63).

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva, filósofo e teólogo.

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A paciência

Ilustraçao da pacienciaÉ impressionante porque é verdade. A paciência é importante até para tomar água, avalie então o que ela pode fazer em diversos acontecimentos da vida. Ela também nos revela um relacionamento maduro com o tempo. Para simplificarmos, a paciência ainda nos alerta sobre a necessidade de conviver com a vontade do outro e suspender um pouco o ego, uma vez que “o egoísmo da vontade coloca-se à margem de uma existência que já não tem a tônica em si própria”(LEVINAS, Emmanuel. Totalidade e Infinito. 3ª ed. Lisboa, Portugal: Edições 70, junho de 2008, p. 237).
O desconforto físico pode ser evitado ou moderado respeitando o tempo, principalmente ao dormir, levantar ou trabalhar, tendo consciência da abertura de sua vontade em relação ao presente e ao futuro. Uma consciência que se articule com a ideia de tempo necessária para a nossa prevenção, como afirma Levinas: “Ser consciente é ter tempo. Não extravasar o presente, antecipando e apressando o futuro, mas ter uma distância em relação ao presente”(idem, p. 235).
A paciência precisa trabalhar com o verbo esperar. Esperar o melhor momento para agir; a oportunidade certa de decidir que caminho tomar. A isso dá-se o nome de obediência; saber ouvir a voz das coisas; observar a ordem na desordem; intuir a sutilidade do extraordinário nas mazelas do ordinário. Não é nada fácil conter os deslumbramentos do agir. Queremos fazer não importa como, nem quando, nem o quê. Somos tomados pela urgência do fazer, o que também é muito virtuoso, mas o polimento da paciência em nossas decisões pode nos levar a enxergar um sentido bondoso, generoso e feliz no simples agir. Repare que a paciência não exclui a ação de nossas vidas, pelo contrário, produz uma forma diferente de agir mediada pela espera, pela “passio”, pelo sofrimento.

(…); a passividade última que se transmuda, no entanto, desesperadamente em ato e em esperança, é a paciência – a passividade do suportar e, entretanto, o próprio domínio” (idem, p. 236).

O fazer por fazer nos põe num círculo repetitivo onde o mais importante acaba sendo eu mesmo, o apego a mim mesmo, constituindo assim o amor-próprio. Romper com esse círculo implica construir pontes que nos vinculem aos interesses de outros, familiares ou até estranhos a nós, constituindo-nos como um ser em relação.

Na paciência, a vontade perfura a crosta do seu egoísmo e como que desloca o centro da sua gravidade para fora dela a fim de querer como Desejo e Bondade que nada limita” (idem, p. 238).
Há inúmeros exemplos de paciência na literatura. Um episódio clássico é o de Telêmaco, filho de Ulisses, ao ter de esperar cerca de vinte anos para encontrar-se com o seu pai e, finalmente, vingar-se dos que cortejavam sua mãe e destruíam o trono de Ítaca. Ao voltar para casa, seu pai o encontra tomado pela ira, porém, o sábio Ulisses pede-lhe para controlar a ira até o amanhecer, pois tinha um plano em mente. Novamente, Telêmaco tinha que ter paciência e esperar até o dia amanhecer. A paciência o ajudou a ouvir seu pai, a controlar a ira e a não precipitar-se frente ao que estava por acontecer.
Na Bíblia, existe um outro clássico episódio em que vemos a mulher de Jó dizer-lhe palavras duras de blasfêmia contra Deus (Cf. Jó 2.9), mas o sábio, abençoado e, por isso, paciente Jó resistiu à prova da “passio”(sofrimento), da pura passividade, depurado de toda vaidade, ego, orgulho, viu seu cativeiro ser revirado de cima para baixo e tornou-se um homem ainda mais feliz e abençoado junto a Deus.
Diante desses exemplos e de tantos outros que conhecemos de sofrimento, de abnegação, de renúncia mesmo, não podemos mais ser reféns de nossa irritabilidade, falta de esperança, impaciência, quando simplesmente a vida não corresponde como planejamos; quando adoecemos; quando não recebemos o salário ou atrasa; quando não somos bem atendidos num restaurante, por exemplo; quando ouvimos desaforos; quando vemos as injustiças; quando o mundo parece cair sobre nossas cabeças; quando as chuvas não vêm e tudo fica mais difícil; quando temos que cumprir os horários de expediente no trabalho; quando estamos desempregados; quando…
Portanto, não perca a paciência com as adversidades da vida. Exercite-a!

Prof. Jackislandy Meira de M. Silva, filósofo e teólogo

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