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O assunto do momento é… Futebol

(pintura: Futebol de Aldemir Martins)

“O futebol não aprimora os caracteres do homem, mas sim os revela”(Armando Nogueira).

Mesmo em ano de política no Brasil, onde se noticia até a discussão de uma possível aprovação de Lei na Câmara dos Deputados e no Senado Federal que garantirá aos cidadãos brasileiros o direito à felicidade, o assunto do momento é futebol.

É, meus caros, enquanto artistas e uns poucos políticos estão tentando emplacar uma garantia social de bem-estar para nós, embora soe aos nossos ouvidos um tanto quanto banal e utópico ou até antiquado, o Brasil se prepara ansiosamente para assistir a mais uma Copa do Mundo, desta vez na África do Sul.

Se a felicidade social no Brasil é feita de momentos para alguns, acaba sendo um sonho tornar-se realidade permanente para uma grande maioria excluída de suas garantias sociais como educação, moradia, emprego, saneamento, saúde, lazer e alimentação. Sou da opinião de que esses direitos dão suporte a todo o resto, inclusive a uma vida feliz. Mas, como tudo o que é novo na área política brasileira, a polêmica discussão terá que esperar para ver se engrena de vez.

Nesse intervalo de tempo entre o sonho e a realidade, entra em cena um outro espetáculo da terra, o futebol. Pelo menos no futebol temos alegrias mais estáveis do que na política, embora acusemos o futebol de maquiar escândalos políticos, como foi o caso da copa de 70 em que vivíamos uma forte ditadura. Eram as bolas entrando nas redes adversárias e o Brasil entrando na lista dos países de regime autoritário. Cada gol correspondia a uma censura. A comemoração da vitória era sufocada pela terrível falta de liberdade.

Por outro lado, é preciso confessar que a vida sem futebol não existe para o brasileiro. É o futebol nossa paixão nacional. Avalie o tamanho dessa paixão em tempos de Copa do Mundo. Pode multiplicar por onze que é o número dos jogadores que hão de representar o país pentacampeão de futebol em campos estrangeiros com um jeito todo brasileiro. Os olhos do mundo param por uns instantes e se permitem dar atenção às habilidades originais de nossos jogadores. Costumo dizer que há brasileiridade não apenas em nossa língua, em nossa culinária e em nosso regionalismo, mas também no futebol. É o futebol que exporta a imagem de um país mais feliz para os outros, driblando a imagem de um país campeão em corrupção política e em desigualdade social. A inflação e os grandes impostos, num período de Copa do mundo, pouco importam, esta que é a verdade. A nossa torcida será por uma maior permanência do Brasil no torneio da copa que contará com 32 seleções, pois quanto mais tempo passarmos disputando esta copa, mais tempo ficaremos sentindo o doce sabor de ver ou de assistir as amarelinhas em campo tentando agarrar mais um título mundial de futebol, o hexacampeonato.

Inevitavelmente, em ano de copa, abre-se espaço na realidade da gente para a fantasia, para o encanto, para a arte de mostrar ao mundo um futebol alegre, vibrante e entusiasmado pela vitória, pela glória de mais uma possível conquista.  Se esta não vier, ao menos o futebol, a felicidade fugaz investida nele, os momentos de encontro entre brasileiros para ver os jogos, o abraço entre as pessoas, os gritos de gol, tudo isso, felizmente, sai ganhando e já é vitorioso. Lembrem-se. Para não nos angustiarmos, tampouco nos ressentirmos com a também possível derrota, antes de entrarmos em campo já somos mais que vencedores.

 

Prof. Jackislandy Meira de M. Silva

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O politicamente correto

(foto: cena do filme “Intrigas de estado” – State of play, 2009- , de Kevin MacDonald, …)

Há quem diga que não se sente à vontade agindo assim; tendo que frear as emoções; abraçar quem não gosta; conviver com quem é intragável; tratar bem os inimigos; superar com sorrisos as antipatias; cumprimentar o vizinho que não suporta falar com você… E por aí vai. São inúmeras as circunstâncias de dissabores que nos arrematam para a famosa ideia do politicamente correto, bastante difícil de engolir e de aceitar.

As pessoas politicamente corretas, na maior parte das vezes, são absolutamente extremas e escrupulosas, fugindo, de quando em vez, das dosagens naturais de respeito e educação. Não é tão forçoso pedir um pouco mais de educação a um sujeito, mesmo que não concorde ou não aceite determinada opinião. Lembro-me de uma entrevista de Dodô, jogador do fluminense na época, que estava no banco de reservas imerecidamente. Ao ser perguntado pelo jornalista se ele concordava com a atitude de Renato Gaúcho, então treinador do fluminense, em deixá-lo no banco de reservas já que vinha de uma sequência de boas atuações pelo time, goleador, fazia a diferença, mas era sempre colocado no banco como uma segunda opção para os minutos finais da partida. Quanto a isso, Dodô afirmou de modo contundente: “Não concordo com a opinião do treinador, mesmo assim tenho que respeitá-lo e conviver bem com ele, afinal ele é o treinador e não eu, não vou sair do time por causa disso”. O fato de uma pessoa não concordar com alguém não quer dizer que ela tenha que ofendê-lo ou brigar com ele, mas o mínimo que se pede para um bom profissional é educação e modos amistosos de tratamento sociável, pois, do contrário, seria impossível conviver uns com os outros num ambiente de trabalho ou até mesmo numa vida em comunidade.

Em nossas relações temos que encontrar sempre uma porta aberta à generosidade, mesmo contra toda indiferença e toda ignorância. Afinal de contas, não custa nada uma pitada de humor para abrir esta porta ao outro. O humor, nesse caso, ajuda muito. Seriedade demais engessa as relações e acaba atrapalhando. É preciso muita leveza para não nos intrigarmos com o mundo todo, o que não é nada agradável. A intriga fecha portas; a amizade abre portas… A intriga só é interessante no campo das ideias, o que não tem nada a ver com isso que estamos falando agora. A intriga das ideias mexe com a curiosidade e a pesquisa. Esta, sim, é bem-vinda. Àquela das relações, não. Não edifica em nada, não constrói, não torna as relações entre as pessoas tão humanas quanto fidalgas.

Temos que ultrapassar a barreira do politicamente correto com a leveza dos gestos de gratidão e de amor. Apesar de termos nossas restrições com outras pessoas, nada nos impede de convivermos bem com elas. Todos temos nossas limitações. Eu sou assim e acabou. Sou diferente; o politicamente correto uniformiza. Nada de ficar se escondendo no politicamente correto com expressões do tipo: “Ah, cara, sua cor afrodescendente é bacana”; “Desculpe, não tomo refrigerante, estou fazendo dieta”, e etc. Palavras como “negro” e “gordo” foram omitidas do vocabulário do politicamente correto. Pensar assim é muito complicado, uma vez que há um sério risco de perdermos a identidade e de não contribuirmos para a formação de nossa personalidade. Acabamos por deixar de nos conhecer para conhecer o politicamente correto. Que coisa!

Diria mais, mesmo com aquelas pessoas super-avessas a nós, até mesmo inabordáveis, que não falam conosco, mesmo assim é preciso exercitar nossa fidalguia, nossa destreza nos bons modos. Nada de ofender, tampouco agredir as pessoas, simplesmente porque não gostamos delas. Afinal, ninguém é perfeito e nem será.

 

Prof. Jackislandy Meira de M. Silva

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Responsabilidade

(Imagem: E. Levinás em diferentes ângulos, filósofo lituano, um mestre)

      Você já se deu conta da responsabilidade em sua vida? Melhor dizendo: Você se acha responsável? Repare bem. Há algum rastro de responsabilidade em sua existência? Não seja tão rápido assim ao responder. Pense bem ou espere até ler esse texto. Você vai ver que não é tão responsável quanto pensava ser.

A responsabilidade é uma expressão muito usual, demasiadamente corrente e recorrente em nossas vidas, talvez por essa razão estejamos dando pouca importância ao que ela realmente é ou dizem dela ser o que é. Da antiguidade ao existencialismo, o homem vem se debruçando sobre esta problemática ética, e por mais que queira, não conseguiu de todo se afastar de uma exigência tão cara à voz e ao coração do outro. Pois, contrariamente ao que achamos, a responsabilidade não nasce de mim, mas do outro. “A responsabilidade não nasce de uma boa vontade, de um sujeito autônomo que quer livremente se comprometer com o outro ser. Ela nasce como resposta a um chamado”(KUIAVA, Evaldo Antônio. A responsabilidade como princípio ético em H. Jonas e E. Lévinas: Uma aproximação. Porto Alegre, RS. Veritas, v. 51, nº 2, junho, 2006, p. 55-60). Não vem de mim, mas do outro. Não é uma exigência da liberdade, mas uma exigência do outro. É por isso que muitas vezes, sem explicação alguma, contrariando toda lógica, liberamos o bem a quem não nos quer bem, agimos em direção ao outro contra nossa própria vontade. A responsabilidade, segundo E. Levinás, filósofo lituano de nacionalidade francesa, é anterior à minha consciência, aos meus interesses e às minhas mesquinhas intenções.

Quem não contrariou a si próprio por causa de um chamado, de um clamor, de uma voz, de uma necessidade sem voz, não experimentou o sabor da responsabilidade. Quem não renunciou a si mesmo, às suas intenções e à sua consciência, para atender a um chamado, ainda não é digno de responsabilidade. Os que cumprem horários rigorosamente pensando que, só por isso, estão agindo de modo responsável, precisam se abrir a algo muito maior descoberto por Levinás. Aqueles que se esmeram em cumprir suas responsabilidades cheias de boas intenções, ainda não imaginam que há uma responsabilidade que ultrapassa os limites da liberdade de decidir ou não por uma outra pessoa. E aqui se encontra a guinada da Filosofia de Levinás que põe a Responsabilidade acima da sua e da minha liberdade, porque só somos livres, se formos de fato responsáveis. Não é aquela responsabilidade das empresas, nem tampouco a do cotidiano como varrer uma casa, fazer compras, ir à escola, não faltar ao trabalho, ir à igreja a que se refere Levinás, mas uma responsabilidade impregnada de desprendimento pelo outro em que o sujeito não se afasta do olhar do outro. Uma responsabilidade ilimitada que se oponha a uma outra que se mede pelos compromissos livres de uma consciência egoísta e gananciosa.

A responsabilidade como “ética da ética”, conforme apontam alguns estudiosos na Filosofia de Levinás, vem compreendida a partir de uma frase conhecidíssima de  Dostoievsky: “Somos todos culpados de tudo e de todos perante todos, e eu mais do que os outros”(EI 105). A responsabilidade do eu é infinita. Ele é responsável, não só pelos atos ilícitos que comete, mas também por aqueles que não são de sua autoria, e até mesmo pelas perseguições que sofre. Como justificar tal concepção utópica? Não seria ela inumana? Eis a resposta de Levinás: “Ser humano significa: viver como se não se fosse um ser entre os seres. Como se, pela espiritualidade humana, se invertessem as categorias do ser, em um ‘de outro modo que ser’” (EI 107). O humano emerge, quando o eu, ao invés de procurar satisfazer seus interesses, estende a mão a outrem, carregando o peso do mundo nos seus próprios ombros(Cf. KUIAVA, Evaldo Antônio. A responsabilidade como princípio ético em H. Jonas e E. Levinás: Uma aproximação. Porto Alegre, RS. Veritas, v. 51, nº 2, junho, 2006, p. 55-60).

Após esse breve estranhamento acerca da responsabilidade, que é o ponto de discussão sobre as respostas éticas de Levinás, observamos não ser tão simples assim ser responsável nesse contexto, uma vez que o humano está cercado de pretensões que o impedem de viver saindo de si em direção a outrem, numa espécie de obediência acolhedora da face do outro. Que possamos responder a essa RESPONSABILIDADE!


Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia, Especialista em Metafísica e Especialista em Estudos Clássicos pela UnB/Archai/Unesco
Páginas na net:

 

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Reações de uma copa

O evento Copa do Mundo no Brasil está nos elevando à condição de sujeitos políticos, incapazes de deixarmos passar batida qualquer informação que envolva gastos públicos com estádios da copa. Nunca fomos tão fiscalizadores dos gastos públicos como agora. Até parece que a população, por conta própria, abriu uma CPI para investigar as obras superfaturadas, não só de construção dos estádios, mas principalmente de infraestrutura das sedes, que se multiplicam assustadoramente às vésperas da copa, quando se acendem as luzes do “grand” espetáculo e se apagam aquelas da indignação.

Essa saudável reação política da população com a copa não é inédita. Tivemos outras copas que também nos fizeram despertar do sono político. O brasileiro é como um jogador em campo; de repente sofre um apagão. Aí acontece um evento fortíssimo que o tira do lugar-comum, daquela sonolência absurda, e o põe numa situação de alerta total.

A reação é legítima, mas não é única. Na copa de 1970, quando fomos tricampeões mundiais de futebol, o cenário político não era dos mais agradáveis. Amargávamos uma ditadura militar sob muita tortura e repressão aos direitos políticos. A população não gozava de liberdade de expressão e era impedida de se opor ao governo Médici, que conduzia o país de forma autoritária por ser considerado um militar de “linha dura”, responsável pela tortura e morte de muitos civis. Mesmo assim, a sociedade brasileira não abriu mão de torcer, sofrer e, no final, comemorar a estupenda vitória da seleção em cima da Itália por 4 a 1. Foi um momento em que o povo, em plena crise política, exultou de alegria.

Inegavelmente, um evento copa, sobretudo quando ocorrido na sua própria casa, guarda um paradoxo sem precedentes. Por um lado, é um momento oportuno para os sanguessugas políticos e donos de empreiteiras aproveitarem os altos investimentos do governo com obras da copa para agenciar iniciativas de ordem político-eleitoral, visto estarmos em ano de eleições no Brasil. Por outro, é tempo de ficarmos ainda mais de olho no que estão fazendo com o dinheiro público e percebermos como os interesses são mesquinhos e cada vez menos coletivos. Daí, durante a copa, não pararmos de fazer a crítica.

O governo aproveita a copa para fazer propaganda eleitoral, responder a oposição na direção de que o país está avançando na economia, oferecendo empregos e melhorando a qualidade de vida, porém o povo também não fica atrás e aproveita para reclamar dos serviços públicos, cobrar de seus governantes o que muito ainda está por fazer na educação, na saúde, segurança e combate à corrupção com reformas políticas.

Infelizmente não correspondemos aos efeitos de um evento copa. Podíamos ter investido muito mais em mobilidade urbana, metrôs, outros meios de transportes, ampliação de aeroportos, modernização das cidades, turismo, etc. Tudo o que a imprensa vem falando faz sentido, embora seja agenciada também por interesses de ordem política e econômica. Por trás dela há muita gente influente.

Parece que só o futebol produz esse duplo movimento: reações contra e a favor da copa. Os que dizem não à copa são movidos por um sentimento politicamente correto de que é preciso não baixar a guarda e gritar as injustiças mesmo durante os jogos, certamente não se envolverão com os jogos, não torcerão. Os que são a favor, e esta é uma maioria afirmativa, irão procurar vivê-la de qualquer modo, com ou sem indignação, com ou sem senso do ridículo. Além disso, o que se espera de um país democrático é que as reações sejam pacíficas e ordeiras.

Para experimentar, de fato, a Copa do Mundo aqui no Brasil com todas as suas demandas é interessante considerar o que disse o escritor colombiano, Gabriel Garcia Márquez, num texto seu chamado “El juramento”, onde descreve a sensação de ter virado torcedor de um time de futebol: “O primeiro instante de lucidez em que me dei conta de que tinha virado um torcedor intempestivo foi quando percebi que durante toda a minha vida eu tive algo do qual sempre me orgulhei e que agora me incomodava: o senso do ridículo”.

Vale a dica: envolver-se com a copa implica desvencilhar-se do senso do ridículo.

Boa copa a todos.

Prof. Jackislandy Meira de M. Silva

Bel. e Licenciado em Filosofia, Bel. em Teologia, Esp. em Metafísica e em Estudos Clássicos

Páginas na net: www.umasreflexoes.blogspot.com; www.chegadootempo.blogspot.com; www.twitter.com/filoflorania

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“Futebol total” na copa das copas

A alardeada expressão “futebol total” tomou conta do mundo em 1974 por uma seleção que, embora não fosse campeã naquele momento, ainda assim encantaria o mundo com jogadas traçadas de um lado a outro do campo; passes perfeitos de pé em pé cheios de beleza e risco; blocos de jogadores que se deslocavam fácil e sincronicamente da defesa, passando pelo meio, até o ataque, de modo que nenhum jogador parecia exercer uma posição fixa, mas jogavam em todas as posições e ao mesmo tempo nenhuma. Era um futebol vistoso e dinâmico.

Tal seleção era conhecida como “carrossel holandês” pela forma como rodava a bola e invertia as jogadas, aproveitando todos os espaços do campo de jogo. Aliado ao famosíssimo “tiki-taka”, executado recentemente pelo Barcelona de Cruyff e de Guardiola, como também pela seleção espanhola, o “futebol total” oferece características táticas muito presentes ainda hoje no futebol visto em boa parte do mundo, sobretudo agora na copa do mundo de 2014 aqui no país do futebol, onde acontecerá, ao que todos dizem, a copa das copas.

Ao contrário da seleção espanhola, a brasileira não segue britanicamente o esquema tático “futebol total”, mesmo que se percebam fortes características deste futebol no esquema de jogo proposto pela atual seleção brasileira. Veja que o Brasil tem zagueiros, volantes, laterais, meias e centroavante que não obedecem rigorosamente suas posições específicas em campo, e, no entanto, avançam, marcam ou atacam quando convêm. É muito comum num jogo de futebol atual observar estas características que foram preservadas de um estilo de jogo que rendeu importantes títulos a equipes na Europa e em Copas do Mundo até bem recentemente.

Duas equipes carregam especificamente o jeito de jogar vencedor do “futebol total”, o Barcelona e a seleção espanhola, campeã da última copa do mundo.

É óbvio que no Brasil veremos um desfile de volantes fazendo a festa em suas seleções, uma vez que são eles responsáveis pela maior parte das roubadas de bolas, das ligações entre a zaga, meio e ataque, sem contar a truculência da força física. O que impera na presença desse jeito de jogar, que ainda perdura, é um futebol sistemático, extremamente tático, programático e burocrático. Os grandes “meias” não aparecem mais, os laterais que iam ao fundo e cruzavam artisticamente estão em baixa, os clássicos batedores de falta andam ausentes.

Assistiremos a um futebol de muita tática, pouca técnica; esquemas que priorizam a dura marcação em detrimento do bom drible, da ousadia e da individualidade. Prender individualmente a bola é quase proibido.

A seleção brasileira aprendeu muito nos últimos tempos a compactar mais seus jogadores na movimentação em campo, sobretudo quando se desloca ao ataque e quando se desloca para a defesa. Idas e vindas do ataque para defesa a que se cuidar com a organização, a compactação em blocos. A nova onda agora é a marcação sob pressão, executada hoje pela seleção brasileira no amistoso contra a seleção da Sérvia. Algo que o Brasil vem fazendo constantemente em seus jogos. Uma prática que o levou a conquistar a Copa das Confederações ano passado aqui no Brasil.

Diferente de escolas mais sistemáticas, apegadas a um futebol arrumadinho, matemático, repleto de estratégias como a italiana, espanhola, holandesa, alemã; a escola brasileira, contagiada pelo futebol sul-americano dos uruguaios, argentinos, paraguaios e chilenos, acrescenta um estilo de jogo ao “futebol total” que a faz diferente das outras porque agrega habilidade, criatividade, ousadia, beleza, originalidade e efetividade; não por acaso ganhamos 5 vezes.

Vide imagem do campinho (esquema) da seleção holandesa em 1974. Tática pura com excelentes jogadores.

Prof. Jackislandy Meira de M. Silva

Bel. e Licenciado em Filosofia, Bel. em Teologia, Esp. em Metafísica e em Estudos Clássicos

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Ufa! Conseguimos

Depois de vivermos a “copa” da FIFA com suas exigências astronômicas, conseguimos terminar a arena Itaquerão a tempo para o jogo de abertura. Conseguimos.

A “copa” das manifestações populares que refletem a indignação de muitos, esgotados com o descaso no serviço público e com a corrupção na política, não conteve a paixão nacional por futebol e rendeu-se à força do evento, à importância do momento. Conseguimos.

Não esquecendo ainda a “copa” da direita e da esquerda brasileiras que, escandalosamente, puxa o cordão dos oportunistas visando às eleições deste ano; conseguimos apagá-los do maior espetáculo da terra. Foram ofuscados pela cerimônia, pelo hino nacional e pelo futebol vitorioso da seleção brasileira. Conseguimos.

Conseguimos superar um movimento ousado nas redes sociais e em diferentes mídias que expressavam o desejo extremo de boa parte da população que se dizia contra a copa: “não vai ter copa”.

Superamos até um gol contra de Marcelo, zagueiro da seleção brasileira, no início do jogo ao enfrentarmos os croatas, mas conseguimos abatê-los antes mesmo de tripudiarem sobre nossa força e fraqueza, a torcida presente no estádio. Conseguimos.

Não bastasse a ansiedade natural antes do jogo da estreia, conseguimos suportar pacientemente uma experiência desconfortável de ficar atrás no placar por cerca de dezoito longos minutos quando veio o épico gol de Neymar no cantinho do goleiro Pletikosa. Mesmo a bola tocando na trave, conseguimos.

A virada foi radiante. Oscar, que fez uma partida impecável, lança a bola para Fred dentro da área e sofre o pênalti meio polêmico. Neymar bate, mas a bola resvala nas mãos de Pletikosa, que não impede o gol da virada. Conseguimos.

Mas a maior pressão estava por vir. No segundo tempo, um jogo confuso e muito veloz, embalado por uma atuação permissiva do árbitro japonês Yuichi Nishimura, a Croácia sufocava o Brasil sem piedade até aos 45 minutos, quando Oscar parte em contra-ataque com a bola e chuta de bico para aliviar a todos. Conseguimos.

Conseguimos emplacar 3 a 1 em cima da Croácia, o que não diz muito sobre o drama vivido em campo pela seleção brasileira.

Conseguimos vencer os “ics” croatas, Modric, Rakitic, Perisic, Kovasic, Brozovic, Olic, Jelavic, Rebic… Ufa!

Prof. Jackislandy Meira de M. Silva, filósofo.

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O jogo do quase

Numa semana em que nossos zagueiros Tiago Silva e David Luiz usaram e abusaram as redes sociais para pedir à torcida que fosse ao castelão, estádio do jogo da partida Brasil x México esta tarde, e cantasse o hino abraçada, imaginávamos, pelo pedido, que a seleção viria com tudo para cima do México, apresentando um futebol seguro, criativo e objetivo. Não vimos isso.

Sobrou, de novo, emoção no hino; faltou bom futebol à seleção.

Vimos uma seleção do quase, chegando ao quase com um jogo do quase.

Não era bem isso que esperávamos contra o México, pois vínhamos de uma vitória brilhante na Copa das Confederações ano passado, onde não ficamos no quase, porém ganhamos de 2 a 0.

Vimos um jogo franco de ambos os lados. As duas seleções não temiam atacar, mas não abriam mão de se defenderem muito bem.

A seleção brasileira quase faz o gol em duas oportunidades, em duas cabeçadas impressionantes; uma no primeiro tempo com Neymar; e outra com Tiago Silva a queima roupa no segundo tempo.

Tivemos outras chances de vencer o quase, mas elas pararam nas mãos do goleiro Ochoa da seleção mexicana.

Por falar em Ochoa, este sim foi um verdadeiro protagonista no empate de 0 a 0 entre Brasil e México, suas defesas davam confiança à equipe e empolgavam a pequena torcida mexicana no estádio.

O futebol mexicano fluía tão bem em campo que sua torcida conseguia concorrer com a nossa, apesar da imensa diferença numérica.

Num jogo em que o gol ficou no quase, não é de estranhar que o destaque tenha sido a defesa das duas equipes, fora os chutes de longa distância dos ousados e habilidosos mexicanos.

É fato que saímos deste jogo com uma sensação de derrota, mas as expectativas são otimistas em relação ao que vem pela frente, Camarões, quase não vem à Copa, quase renuncia a participar desta competição.

Quanto aos pedidos feitos pela zaga brasileira esta semana na intenção de motivar o grupo, não caem bem quando a seleção joga mal. Agora é a nossa vez de pedir, quem sabe, um futebol melhor e mais criativo; deixe-nos torcer espontaneamente.

Talvez assim não fiquemos temerosos a um quase nesta competição.

Engraçado, Hulk quase jogou, a seleção também. À parte o hino, a torcida quase torceu.

Prof. Jackislandy Meira de M. Silva, filósofo.

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A classificação

Seleções tradicionais são eliminadas precocemente da Copa das copas, como é o caso da atual campeã do mundo Espanha e da Inglaterra dos Beatles e do filósofo John Locke. Portugal, Itália e Uruguai se complicam e estão por um triz. Costa Rica, Bélgica e Colômbia antecipam suas classificações surpreendentemente.

Na verdade, surpresas não faltam nesta Copa da terra “brasilis”, até mesmo Ronaldo fenômeno foi alcançado na artilharia das copas por Klose, jogador da Alemanha, que por sinal faz uma campanha excelente neste torneio.

Toda essa atmosfera deixa o ambiente do jogo Brasil x Camarões ainda mais tenso. Incomodado pelo resultado pífio de 0 a 0 contra o México, a seleção brasileira começa o jogo sufocando Camarões querendo abrir logo o placar, mas o que vimos no início foi uma seleção apressada e um pouco descontrolada em campo nos primeiros minutos do jogo.

Exposta em campo e sufocando o adversário, a seleção consegue um contra-ataque pela esquerda com Luiz Gustavo que lança rapidamente Neymar que dá uma tapa de chapa na brazuca e põe pra dentro do gol Camaronês.

A partir daí, mesmo sofrendo um gol no apagão da zaga brasileira, a seleção não abdicou de atacar e buscar os gols necessários para sua classificação.

Caindo sempre pela esquerda, Neymar arranca da esquerda para a intermediária e faz um golaço, puxando uma sequência de gols que viria a premiar a bela atuação da seleção brasileira no segundo tempo.

Ao terminar o primeiro tempo, Neymar já sai como o artilheiro desta copa, mas ele e seus companheiros também saem com a impressão curiosa de que a seleção dos Camarões não era a mesma dos dois últimos jogos que fizera contra México e contra a Croácia, acumulando assim duas derrotas. Era uma seleção aguerrida em campo, veloz e disposta a mostrar que sabia jogar. Jogara pra valer, certamente querendo atrapalhar a festa da classificação da nossa seleção.

Com a saída do volante Paulinho no segundo tempo, os planos da seleção camaronesa não lograram êxitos. Fernandinho, camisa 5 da seleção, entra no time e aproxima mais os jogadores do meio com o ataque, compactando mais a seleção brasileira na forma de jogar. Ora, o Brasil ganha o meio-campo e ganha o jogo.

No segundo tempo, mais dois gols; um de Fred com tabelinha rápida entre Fernandinho e David Luiz; e outro de Fernandinho numa troca-de-passes com Fred e Oscar.

A classificação em primeiro lugar do grupo A só veio mesmo a se confirmar com o gol de Fernandinho no finzinho do jogo, resultando um placar de 4 a 1 para a seleção brasileira. Acumulando 5 gols de saldo contra 3 do México no final desta fase de grupos, assumimos assim uma posição que nos implicará jogar o mata-mata com o segundo lugar do grupo B, o Chile.

Enquanto isso, a Copa começa a ficar séria dentro de campo, onde se é cada vez menos possível admitir erros.

Nas oitavas de final, o Chile do poeta Pablo Neruda nos encontre assim: “Não sei quem vive ou morre, quem repousa ou desperta, mas é o teu coração que distribui no meu peito os dons da aurora” (In Cem Sonetos de Amor, Pablo Neruda).


Prof. Jackislandy Meira de M. Silva, filósofo.

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