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Um só é bom! (Mt 19.17)

Num mundo de valores invertidos, não é tão fácil ouvir a intensidade da voz do Mestre: “Não há bom, senão um só que é Deus”(Mt 19.17). Só Deus é bom ou mais que bom. Seria desafiar a própria estrutura das coisas arrumadas com base no relativismo e na fragmentação de todos os valores. A voz de Cristo entra na vida humana, tal como a flor de Drummond que teima em nascer no chão do asfalto. Se é difícil imaginar uma flor nascer na terra dura de um asfalto, avalie então a unidade formidável do bem que é Deus poder entrar no emaranhado mundo de valores relativos, que urgentemente precisa ser revisto.

As pessoas sentem-se paralisadas com um consumismo compulsivo. Há gente por aí que sai de casa para comer comida de casa. Compra as mesmas coisas apenas para satisfazer seu sujeito de desejo, simplesmente para massagear o seu ego. Procuram-se lugares de prazer intenso quando o único lugar é dentro de nós mesmos numa comunhão indissociável com o uno, a unidade absoluta e indestrutível, Deus.

Infelizmente, não se ouve mais essa voz que não quer e não pode, também não deve calar. “Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; e vem e segue-me”(Mt 19.21). Antes desse apelo do Mestre, o jovem rico se perguntava sem cessar: “(…) que me falta ainda?”. A resposta estava ali, incrivelmente presente na pessoa de Jesus, bem como o chamado à unidade absoluta.

A pergunta do jovem a Jesus é avassaladora, uma vez que pontua admiravelmente a extensão da ansiedade humana. Não somente em dado momento o homem se pergunta pelo que falta, porém em todos os momentos do curso da história, pois é a marca do quanto se é insaciável, do quanto se é insatisfeito.

A insatisfação, a sede, a procura, a falta é a marca da sociedade presente. Mas, não são as roupas, não são as compras, não são as comidas, não são as bebidas, tampouco o dinheiro, muito menos qualquer bem em particular que possa imediatamente trazer-lhe saciedade e realização pessoal ou autossatisfação, é seguir o apelo do Mestre: “Um só é bom”. Deixe-se atrair pelo Bom, pelo Único, pela Totalidade, pelo Infinito. Seguir a Jesus implica ouvir a sua voz que não é a voz da multidão, que não é a voz da ilusão, que não é a voz de falsas verdades.


Prof.: Jackislandy Meira de Medeiros Silva
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A santidade em Levinás

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Todos nós temos uma vocação à santidade. Ou a acolhemos ou a renunciamos, porém não a eliminamos, visto que nos comportamos, nos movemos e agimos não só pelo que nos falta, pelo que nos carece, mas também pelo que nos basta, pelo que nos excede. Não à toa, estamos sempre a procura do que é verdadeiro, que não é uma simples adequação do meu pensamento à coisa ou vice-versa, mas uma inadequação pura, um paradoxo, que nos perturba e incomoda porque nos ultrapassa, o humano. “Nunca pretendi descrever a realidade humana no seu imediato aparecer, mas o que a própria depravação humana não saberia eliminar: a vocação humana à santidade”(LEVINÁS, E. Violência do rosto. Trad. Fernando Soares Moreira. São Paulo: Edições Loyola, 2014, p. 39-40).

Um pensamento marcadamente humano, certamente consequência do sentimento trágico da segunda guerra mundial, a visão de Levinás é fruto da discussão que há na primeira metade do século XX: o que é o meu direito sobre o direito dos outros? Aqui ele mostra como os homens têm uma vocação à santidade que a violência não consegue eliminar ou não sabe eliminar. Seu valor à santidade deve vir da força da sua biografia, filósofo lituano, judeu, que acaba conseguindo a cidadania francesa em 1938. Vive num período histórico bastante conturbado entre as duas grandes guerras. É testemunha do surgimento e do esgotamento do Nazismo imposto por Hitler, responsável por destituir o caráter do outro e dizimar milhares de vidas humanas. Além disso, sua motivação é exatamente a perseguição ao terror promovida pelo Nazismo e por todo o movimento histórico em que passa a Europa, a partir da segunda década do séc. XX.

Em virtude disso, Levinás institui uma ética baseada na responsabilidade pelos outros. O caráter do indivíduo se reconhece numa dimensão de coletividade. Ele admite ainda que há uma transcendência em nossas relações: o eu que se reconhece nos outros porque é uma transcendência de mim mesmo que acontece no rosto do outro. Quando eu me reconheço no rosto do outro está acontecendo uma radicalidade ética: o primado do outro sobre o primado do eu.

A santidade, para Levinás, segue esse viés de abertura ao outro, muito afinado até com o rigor ético presente na Bíblia. Conceitos como o de bondade, justiça, hospitalidade, estrangeiro, são acolhidos no seu discurso filosófico. Afirma que não é ridículo, pelo contrário, é incontestável pensar o valor à santidade. “Ela não se prende inteiramente às privações, ela está na certeza de que é preciso deixar o outro sempre em primeiro lugar em tudo – desde o ‘depois do senhor’ diante da porta aberta até a disposição – quase impossível mas que a santidade o pede – de morrer pelo outro”(POIRIÉ, François. Emmanuel Levinás: ensaios e entrevistas. São Paulo: Perspectiva, 2007, p. 84).

Guardadas as devidas proporções de contexto, o mundo hoje tem uma tremenda dificuldade de lidar com as questões éticas, talvez por causa do politicamente correto, da política da boa vizinhança, do jeitinho, da camaradagem, das conveniências e do excesso de ideologias. No coletivo, paira uma certa superficialidade entre os sujeitos. Um encontro que requer a presença autêntica, sincera do outro. Tudo é muito politicamente correto ao ponto de absorver a importância do caráter de cada um. A impressão que se tem é que os espaços sociais estão cheios de gente que se tratam como gente, fazem acordos, assumem compromissos, etc, mas, em algum momento, tudo pode ser quebrado e desfeito. A sensação é de que a santidade se faz cada vez mais urgente. Menos ideologia, mais ética, mais santidade.

Levinás deixa claro que a santidade precisa ser valorizada para uma sociedade e um indivíduo se tornarem mais humanos: “Não afirmo a santidade humana, digo que o homem não pode contestar o supremo valor da santidade. Em 1968, ano da contestação dentro e em torno da Universidade, todos os valores estavam no ar, exceto o valor do outro homem ao qual era preciso dedicar-se. Os jovens que por várias horas se entregavam a todas as diversões e a todas as desordens, no fim do dia, iam visitar, como a uma oração, os operários em greve na Renault. O homem é o ser que reconhece a santidade e o esquecimento de si. O para si expõe-se sempre à suspeição”(LEVINÁS, E. Violência do rosto. Trad. Fernando Soares Moreira. São Paulo: Edições Loyola, 2014, p. 39-40).

A santidade se caracteriza como extravasamento da compreensão do ser, na medida em que se vive para outrem, apropriando-se de uma outra ordem, a ordem do humano. A santidade é mais do que racional, é um mandado divino que rompe com a ordem natural e nos insere na dimensão de reconhecimento do rosto do outro: “Vivemos em um Estado em que a ideia de justiça sobrepõe-se a essa caridade inicial, mas nessa caridade inicial reside o ser humano; a ela remonta a própria justiça. O homem não é somente o ser que compreende o que significa o ser, como queria Heidegger, mas é o ser que já ouviu e compreendeu o mandamento da santidade no rosto do outro homem. Também quando se diz que originariamente há instintos altruístas, reconheceu-se que Deus já falou. Ele começou muito cedo a falar. Significado antropológico do instinto! Na liturgia hebraica cotidiana, a primeira oração da manhã diz: ‘Bendito seja Deus, Senhor do mundo, que ensinou ao galo a distinguir o dia da noite’. No canto do galo, o despertar para a luz”(Idem, p. 40).
Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva, filósofo e teólogo.
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Qual é a sua opinião?…

            Nesses dias dei-me conta de que estava a pensar sobre o quanto é importante uma boa formação de opiniões, até mesmo para convivermos melhor em sociedade, expressar com mais objetividade nossas ideias, ajudar outros a formarem as suas, dirimir equívocos, afastar incoerências. Paira sobre nós um certo relaxamento em relação a isso. A nossa malemolência em lidar com o assunto é absurda.

Vejam que alguns de nós passam anos a fio dentro de uma Universidade ou de uma Escola tentando construir algo, uma carreira talvez, um arcabouço de informações, uma base a mais para crescer na vida, enfim, mas quando somos consultados simplesmente não temos o que dizer. No entanto, quer entremos ou não numa Universidade, o certo é que muitos de nós, senão todos, passamos a vida toda e não conseguimos sequer formar, tampouco viver de nossas opiniões, o que mostra o quanto não somos senhores de nós mesmos. Num ponto, Heidegger estava certo: “A maioria dos homens não pensa por si mesmo; não julga com a própria cabeça; não decide por conta própria: pensa, julga, decide conforme ou vem dizer dos outros”. Creio que está na hora de aprender a pensar com a própria cabeça. Ser cabeça bem feita e não cabeça cheia, no dizer de Montaigne, uma recorrente no pensamento de Edgar Morin.

Absortos a uma cultura capitalista democrática de interesses meramente econômicos que, de quando em quando, abandona seus ideais democráticos e dá lugar as ditaduras mais toscas e aberrantes como aquelas vistas recentemente em cadeia internacional com proporções violentas na Tunísia, no Egito e agora, no Iêmen, tal como na Líbia, nos sentimos seriamente vulneráveis quanto à solidez de algumas opiniões enraizadas na ética, na tolerância e no amor. A ditadura é a prova cabal de que “o controle da expressão leva à morte da expressão”(Márcia Tiburi). Se com expressão a democracia é o que é, o que dizer então sem ela!

Tão logo nascemos, de imediato nossos pais descarregam sobre nós os mais belos pensamentos, os mais velhos conselhos de respeito e de bons costumes, fruto de uma tradição herdada por nossos avós ou pela família inteirinha. O certo é que nem sempre se percebe a tradução de velhos ensinamentos em vida. Refiro-me a velhos não por serem menos ou mais importantes do que os novos, mas porque afirmam uma tradição distante de nós. Não é por serem velhos ou antigos que não prestam, mas por não virem acompanhados de ação, de vida, de autenticidade. É aquela história, dar conselhos é razoavelmente maravilhoso, mas vivê-los, aí são outros quinhentos. Não é em vão que o corriqueiro ditado popular teima em vigorar: “As palavras passam, mas os exemplos arrastam”. Quantas vezes não ouvimos de nossos pais: “Meu filho, cuidado com as companhias, com a bebida, com as drogas, ….” No entanto, quantos pais ou familiares não têm os mesmos cuidados, o mesmo zelo, acabando por errar muito mais.

Para a maior parte de nós, pouco importa o que acontece embaixo de nossos narizes ou em volta de nós. Na verdade, damos mais interesse para o que há dentro de nós, da subjetividade, do nosso eu arranhado, nossos recalques, culpas e ressentimentos. A atmosfera que nos arrebata não é a que está fora, mas a que está dentro de nós. Respondemos muito, mas muito mais aos estímulos da nossa subjetividade e nos distraímos, voluntariamente ou não, para o que responde o outro, para o que pensa o outro, para o que precisa o outro, para o que sente o outro… Vamos destruindo aos poucos toda uma construção ou desconstrução de valores dada às formas da nossa mais inata causalidade. Segundo Kant, há, em nós, uma intuição inata de ver ou perceber as coisas. É, portanto, esta dimensão que a Escola, a Universidade, os pais, os amigos e familiares, a sociedade e mesmo nós, cada um de nós, deve dinamizar para melhor formar opiniões que visem ao diálogo e à desconstrução de preconceitos. Resgatando, assim, a luminosidade de novas pessoas, o fulgor de novos sujeitos que deem também importância ao que está fora, perto e longe, a alteridade, o altruísmo, a caridade, o apreço pelo diferente.

Na minha opinião, a sociedade não pode ficar órfã de homens e mulheres adeptos de uma boa leitura; afeitos à música; dedicados à família; focados no trabalho; zelosos à cidadania; fiéis ao cristianismo; compromissados com a verdade; fazedores da justiça; eleitores da honestidade e não da força econômica; sabedores e cumpridores da ética; protagonistas do amanhã; formadores de si mesmos. Qual a sua opinião? Por que não tenta começar a expressá-la agora mesmo?


 

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Licenciado em Filosofia pela UERN e Especialista em Metafísica pela UFRN e Especialista em Estudos Clássicos pela UnB/Archai/Unesco

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“Alter-ego” na filosofia de Levinás…

(Imagem: Cena que encerra o filme “Tempos Modernos”, à medida que o filme vai acabando, o casal vai sumindo na estrada junto com o filme. Maravilha! O filme nos mostra a ideia de continuidade em que nos coloca além dos padrões da modernidade. O que chama a atenção e enche a tela não é o fim, mas um horizonte que parece não ter fim).

É muito comum em nossas atividades diárias experimentarmos um certo gozo incontido, principalmente nas pequenas coisas. Mesmo aquelas coisas mais repetidas do dia a dia como escovar os dentes, andar até a escola, visitar um amigo, encontrar-se com um membro familiar, ir até ao mercado, tomar um sorvete, saborear uma boa comida, aliviar-se da bexiga cheia… A propósito, um judeu que se preze, nascido em Israel, educado segundo às Escrituras, certamente já viveu alguma vez na vida a fabulosa experiência da “beraká”, uma alegria extraordinária que inunda a alma de amor próprio, de autoconhecimento e de intensa consciência de si mesmo. Para o judeu, das coisas mais simples às mais complexas, até mesmo urinar ou saciar a sede com um simples copo d’água é motivo de gozo, de ação de graças. O judeu dá graças a Deus por tudo! Parece que há um pouco disso na filosofia da alteridade de Levinás, principalmente quando se descobre os limites do eu.

Na contramão do que pensava Kant sobre a consciência do eu transcendental como fundamento e medida do conhecimento e da moralidade, Levinás admitia originariamente que “ser eu é existir de tal maneira que se esteja já para além do ser, na felicidade. Para o eu, ser não significa nem se opor, nem se representar alguma coisa, nem se servir de alguma coisa, nem aspirar a alguma coisa, mas gozar dela”(LEVINAS, Emmanuel. Totalité et infini. Trad. José P. Ribeiro. Lisboa: Edições 70, 1988, p. 124). Nessa direção pessoal de Levinás, temos um eu que se identifica no gozo que sente em viver bem com a realidade do mundo, em fazer bem as coisas na sua simplicidade, como que se a identidade do eu viesse junto com a felicidade. Uma espécie de ação de graças por cada ato do dia realizado, como se isso constituísse o eu de uma grandeza e elevação tal que o mundo todo se bastasse nele. “O gozo é a própria produção de um ser que nasce, que rompe a eternidade tranquila da sua existência seminal ou uterina, para se encerrar numa pessoa que, vivendo no mundo, vive em sua casa”(idem, p. 54).

Segundo Levinás, antes de duvidar, o eu é pura sensibilidade. Antes de abstrair-se, o eu é concreto e pura relação de si com o mundo. “O eu é sempre mais do que a sua posse. Aliás, não há posse. Há o indivíduo que se produz a partir de si, de sua própria subjetividade em um mundo concreto, no qual ele tem poderes e se mantém apoderando-se das coisas. O eu não se dissolve na totalidade da história e no absoluto; possui uma identidade que se faz a partir de si na relação com o mundo”(KUIAVA, Evaldo Antônio. Subjetividade Transcendental e Alteridade: um estudo sobre a questão do outro em Kant e Levinas. Caxias do Sul, RS: EDUCS. 2003. p. 152).

Mesmo admitindo que existe uma identidade do eu em relação ao mundo, Levinás dá ênfase a um dado extremamente sólido em sua filosofia, a alteridade. A leitura que se faz do ego em Levinás é inteiramente submetida à noção de outro, de alter. Daí, sua disposição em orientar seu pensar para o fulcro da alteridade. “Ao contrário de Kant, para o qual a autonomia do sujeito era o princípio supremo da moralidade, para Lévinas a categoria chave do universo ético será a alteridade. O outro não figurará simplesmente como um alter-ego, um ego como eu. O seu objetivo consistirá em destituir o eu autônomo e soberano, incapaz de perceber no outro nada além de si mesmo. Sendo assim, romperá com o primado do eu sobre o outro”(idem, p. 147).

Ocorre assim, na ontologia de Levinás, como já era esperado, uma primazia do outro sobre o eu, uma vez que somente um eu destituído da sua soberania e soberba poderá ser, de fato, ético. Não se trata de decretar a morte da subjetividade, mas de combater ao monologismo e ao monarquismo, ou até mesmo, à uma espécie de ranço da modernidade em promover uma racionalização legalista no campo da moral de dos valores. Depõe-se, sem dúvida, com a atividade filosófica de Levinás voltada para a alteridade, o caráter normativo da subjetividade kantiana. “Apresentará a subjetividade como acolhendo Outrem, como hospitalidade”(LEVINAS, E. Totalité et infini…op. cit., p. 12).

Portanto, o eu que pensa, duvida, dorme, come, respira, sonha, ama, conhece, odeia, imagina, urina e tem sede, descobre a presença de algo que ultrapassa seus limites, a sua finitude, por isso, a possibilidade de acolher outrem. É possuindo a ideia de infinito que se destitui o eu de sua autonomia e de seu pedantismo racional, como se o eu se dobrasse aos seus próprios limites. Entende-se, com isso, a famosa expressão de Levinás: “Possuir a ideia do infinito é já ter acolhido outrem”(idem, p. 94).


Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia, Especialista em Metafísica e em Estudos Clássicos
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Responsabilidade

(Imagem: E. Levinás em diferentes ângulos, filósofo lituano, um mestre)

      Você já se deu conta da responsabilidade em sua vida? Melhor dizendo: Você se acha responsável? Repare bem. Há algum rastro de responsabilidade em sua existência? Não seja tão rápido assim ao responder. Pense bem ou espere até ler esse texto. Você vai ver que não é tão responsável quanto pensava ser.

A responsabilidade é uma expressão muito usual, demasiadamente corrente e recorrente em nossas vidas, talvez por essa razão estejamos dando pouca importância ao que ela realmente é ou dizem dela ser o que é. Da antiguidade ao existencialismo, o homem vem se debruçando sobre esta problemática ética, e por mais que queira, não conseguiu de todo se afastar de uma exigência tão cara à voz e ao coração do outro. Pois, contrariamente ao que achamos, a responsabilidade não nasce de mim, mas do outro. “A responsabilidade não nasce de uma boa vontade, de um sujeito autônomo que quer livremente se comprometer com o outro ser. Ela nasce como resposta a um chamado”(KUIAVA, Evaldo Antônio. A responsabilidade como princípio ético em H. Jonas e E. Lévinas: Uma aproximação. Porto Alegre, RS. Veritas, v. 51, nº 2, junho, 2006, p. 55-60). Não vem de mim, mas do outro. Não é uma exigência da liberdade, mas uma exigência do outro. É por isso que muitas vezes, sem explicação alguma, contrariando toda lógica, liberamos o bem a quem não nos quer bem, agimos em direção ao outro contra nossa própria vontade. A responsabilidade, segundo E. Levinás, filósofo lituano de nacionalidade francesa, é anterior à minha consciência, aos meus interesses e às minhas mesquinhas intenções.

Quem não contrariou a si próprio por causa de um chamado, de um clamor, de uma voz, de uma necessidade sem voz, não experimentou o sabor da responsabilidade. Quem não renunciou a si mesmo, às suas intenções e à sua consciência, para atender a um chamado, ainda não é digno de responsabilidade. Os que cumprem horários rigorosamente pensando que, só por isso, estão agindo de modo responsável, precisam se abrir a algo muito maior descoberto por Levinás. Aqueles que se esmeram em cumprir suas responsabilidades cheias de boas intenções, ainda não imaginam que há uma responsabilidade que ultrapassa os limites da liberdade de decidir ou não por uma outra pessoa. E aqui se encontra a guinada da Filosofia de Levinás que põe a Responsabilidade acima da sua e da minha liberdade, porque só somos livres, se formos de fato responsáveis. Não é aquela responsabilidade das empresas, nem tampouco a do cotidiano como varrer uma casa, fazer compras, ir à escola, não faltar ao trabalho, ir à igreja a que se refere Levinás, mas uma responsabilidade impregnada de desprendimento pelo outro em que o sujeito não se afasta do olhar do outro. Uma responsabilidade ilimitada que se oponha a uma outra que se mede pelos compromissos livres de uma consciência egoísta e gananciosa.

A responsabilidade como “ética da ética”, conforme apontam alguns estudiosos na Filosofia de Levinás, vem compreendida a partir de uma frase conhecidíssima de  Dostoievsky: “Somos todos culpados de tudo e de todos perante todos, e eu mais do que os outros”(EI 105). A responsabilidade do eu é infinita. Ele é responsável, não só pelos atos ilícitos que comete, mas também por aqueles que não são de sua autoria, e até mesmo pelas perseguições que sofre. Como justificar tal concepção utópica? Não seria ela inumana? Eis a resposta de Levinás: “Ser humano significa: viver como se não se fosse um ser entre os seres. Como se, pela espiritualidade humana, se invertessem as categorias do ser, em um ‘de outro modo que ser’” (EI 107). O humano emerge, quando o eu, ao invés de procurar satisfazer seus interesses, estende a mão a outrem, carregando o peso do mundo nos seus próprios ombros(Cf. KUIAVA, Evaldo Antônio. A responsabilidade como princípio ético em H. Jonas e E. Levinás: Uma aproximação. Porto Alegre, RS. Veritas, v. 51, nº 2, junho, 2006, p. 55-60).

Após esse breve estranhamento acerca da responsabilidade, que é o ponto de discussão sobre as respostas éticas de Levinás, observamos não ser tão simples assim ser responsável nesse contexto, uma vez que o humano está cercado de pretensões que o impedem de viver saindo de si em direção a outrem, numa espécie de obediência acolhedora da face do outro. Que possamos responder a essa RESPONSABILIDADE!


Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva
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A fascinação do estrangeiro

(obra de arte de Salvador Dalí – Metamorfose de Narciso – 1937)

Pasmem. Mas o estrangeiro acrescenta e muito ao nosso “território” cultural, ao nosso eu cultural. Acrescenta em diálogo, em conhecimento e em aprendizagem. Sem muito esforço, conseguimos, logo de cara, perceber que se trata de alguém bastante diferente de nós.

Nesse ponto, não há como não evocar e provocar Lévinas, filósofo lituano, que nos diz algo mais ou menos assim: “Com o estrangeiro nos permitimos sair do mesmo em direção ao outro”. Se no pensamento de Lévinas é sempre o outro quem tem autonomia, o que dizer então do estrangeiro?!

Na cultura greco-romana, o estrangeiro era, de certo modo, repudiado, visto como inimigo, pronto para guerrear, sua presença era uma ameaça ao poder estabelecido naquele território. O império romano não tolerava os bárbaros, os excluía e os ameaçava a qualquer custo. Os bárbaros não representavam nada para os que detinham a hegemonia cultural. No entanto, cabe a pergunta: O que representava o Império Romano para os bárbaros?

Seguindo uma direção contrária à expansão dominadora e usurpadora do Império Romano, os cristãos são orientados por Jesus a amar o estrangeiro, bem como a viúva e o órfão, de modo a colocá-lo no centro do seu discurso, no episódio da cura dos dez leprosos: “Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro? E disse-lhe: Levanta-te e vai; a tua fé te salvou”(Lc 17.18-19).

Mesmo sendo de outro mundo, falando uma língua diferente, de aparência, às vezes, diferente, de costumes diferentes, de uma visão de mundo estranhamente contrária à nossa, o estrangeiro cria uma atmosfera inteiramente curiosa nos ambientes onde chega e com quem conversa. Quem não lembra da chegada avassaladora do Estrangeiro de Eléia no diálogo platônico Sofista em que Sócrates parece ironizar com ele ao sentir-se bem à vontade no meio deles?! A impressão que se tem é que o Estrangeiro causa um certo “frisson” ao chegar no meio da conversa de Sócrates com seus discípulos. Sem ser um deles, o estrangeiro se faz um deles!

Não sei se essa sensação hoje em dia estaria um pouco minimizada devido ao grande processo de globalização por que passamos. Vivemos tempos de uma enorme aproximação dos mundos, das distâncias e etc. No entanto, não queremos abandonar nossos territórios, nossas coisas, nossas ideias, nossos apegos… Apegamo-nos a nós mesmos. Apegamo-nos muitíssimo às nossas vaidades pessoais. A verdade é que, enquanto nos prendemos a nós mesmos e aos nossos hábitos ao ponto de divinizá-los; um outro ser fascinante chama e continua a chamar por nós pedindo relacionamento, querendo aproximação e descoberta.

Ao revisitar um livro que guarda Grandes Indagações Filosóficas, Café Philo, deparei-me mais uma vez com o texto dialógico entre Paul Ricoeur e Jean Daniel sobre A estranheza do estrangeiro que me impressionou bastante, sobretudo porque trata o estrangeiro com fascinação, mas que poderia ser visto também com aversão. Aproprio-me aqui de um aspecto da sua fascinação, em que o estrangeiro, admite Paul Ricoeur, “é uma espécie de lugar vazio. Sabemos a que pertencemos, mas não sabemos quem são os outros em suas terras. Só por uma espécie de reação é que nos sentimos nós mesmos estrangeiros, conforme o modelo da estranheza do estrangeiro. A consciência disso é que nos põe num caminho de reconhecimento mútuo, na via da hospitalidade em suas dimensões morais e políticas, e permite assim tratar positivamente a pluralidade humana como algo insuperável”(pág. 13).

Mais adiante, numa certa altura das intervenções, Ricoeur reconhece ainda mais nossa condição humana de sermos estrangeiros de nós mesmos. “Acreditamos saber quem somos, ou mais exatamente acreditamos saber a que pertencemos, ali onde estamos instalados: a uma classe, a uma família, a uma nação etc. O estrangeiro é um desconhecido. Ao procurarmos num dicionário a palavra ‘estrangeiro’, encontramos: aquele que não é de nosso lugar, que é de outra nação, que é de outro país; é, pois, um lugar vazio. É por isso que acho que devemos começar por descobrir nossa própria estranheza nos ‘desinstalando’ de algum modo. Eu estava pensando um pouco na proposição do Levítico: ‘Fostes estrangeiros no Egito…’ Se não tivermos sido estrangeiros alhures, temos que descobrir nosso Egito. Nossa ‘estrangeireza’ simbólica. Ser estrangeiro simbolicamente”(pág. 16).

Reconhecer o estrangeiro na sua singularidade especial, como o fez Jesus, o próprio Lévinas, bem como Paul Ricoeur e Jean Daniel, significa superar a nós mesmos, partir de nosso “status quo”, de nossa zona de conforto e ir migrar, senão visitar ou até mesmo morar em outros mundos, em outras pessoas, em outras experiências. Que se trave, portanto, uma relação amistosa de hospitalidade com o outro, em que ambos se recebam mutuamente, de modo que nada os impeça de ampliar ainda mais suas diferenças culturais.


Prof. Jackislandy Meira de M. Silva
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A paciência

Ilustraçao da pacienciaÉ impressionante porque é verdade. A paciência é importante até para tomar água, avalie então o que ela pode fazer em diversos acontecimentos da vida. Ela também nos revela um relacionamento maduro com o tempo. Para simplificarmos, a paciência ainda nos alerta sobre a necessidade de conviver com a vontade do outro e suspender um pouco o ego, uma vez que “o egoísmo da vontade coloca-se à margem de uma existência que já não tem a tônica em si própria”(LEVINAS, Emmanuel. Totalidade e Infinito. 3ª ed. Lisboa, Portugal: Edições 70, junho de 2008, p. 237).
O desconforto físico pode ser evitado ou moderado respeitando o tempo, principalmente ao dormir, levantar ou trabalhar, tendo consciência da abertura de sua vontade em relação ao presente e ao futuro. Uma consciência que se articule com a ideia de tempo necessária para a nossa prevenção, como afirma Levinas: “Ser consciente é ter tempo. Não extravasar o presente, antecipando e apressando o futuro, mas ter uma distância em relação ao presente”(idem, p. 235).
A paciência precisa trabalhar com o verbo esperar. Esperar o melhor momento para agir; a oportunidade certa de decidir que caminho tomar. A isso dá-se o nome de obediência; saber ouvir a voz das coisas; observar a ordem na desordem; intuir a sutilidade do extraordinário nas mazelas do ordinário. Não é nada fácil conter os deslumbramentos do agir. Queremos fazer não importa como, nem quando, nem o quê. Somos tomados pela urgência do fazer, o que também é muito virtuoso, mas o polimento da paciência em nossas decisões pode nos levar a enxergar um sentido bondoso, generoso e feliz no simples agir. Repare que a paciência não exclui a ação de nossas vidas, pelo contrário, produz uma forma diferente de agir mediada pela espera, pela “passio”, pelo sofrimento.

(…); a passividade última que se transmuda, no entanto, desesperadamente em ato e em esperança, é a paciência – a passividade do suportar e, entretanto, o próprio domínio” (idem, p. 236).

O fazer por fazer nos põe num círculo repetitivo onde o mais importante acaba sendo eu mesmo, o apego a mim mesmo, constituindo assim o amor-próprio. Romper com esse círculo implica construir pontes que nos vinculem aos interesses de outros, familiares ou até estranhos a nós, constituindo-nos como um ser em relação.

Na paciência, a vontade perfura a crosta do seu egoísmo e como que desloca o centro da sua gravidade para fora dela a fim de querer como Desejo e Bondade que nada limita” (idem, p. 238).
Há inúmeros exemplos de paciência na literatura. Um episódio clássico é o de Telêmaco, filho de Ulisses, ao ter de esperar cerca de vinte anos para encontrar-se com o seu pai e, finalmente, vingar-se dos que cortejavam sua mãe e destruíam o trono de Ítaca. Ao voltar para casa, seu pai o encontra tomado pela ira, porém, o sábio Ulisses pede-lhe para controlar a ira até o amanhecer, pois tinha um plano em mente. Novamente, Telêmaco tinha que ter paciência e esperar até o dia amanhecer. A paciência o ajudou a ouvir seu pai, a controlar a ira e a não precipitar-se frente ao que estava por acontecer.
Na Bíblia, existe um outro clássico episódio em que vemos a mulher de Jó dizer-lhe palavras duras de blasfêmia contra Deus (Cf. Jó 2.9), mas o sábio, abençoado e, por isso, paciente Jó resistiu à prova da “passio”(sofrimento), da pura passividade, depurado de toda vaidade, ego, orgulho, viu seu cativeiro ser revirado de cima para baixo e tornou-se um homem ainda mais feliz e abençoado junto a Deus.
Diante desses exemplos e de tantos outros que conhecemos de sofrimento, de abnegação, de renúncia mesmo, não podemos mais ser reféns de nossa irritabilidade, falta de esperança, impaciência, quando simplesmente a vida não corresponde como planejamos; quando adoecemos; quando não recebemos o salário ou atrasa; quando não somos bem atendidos num restaurante, por exemplo; quando ouvimos desaforos; quando vemos as injustiças; quando o mundo parece cair sobre nossas cabeças; quando as chuvas não vêm e tudo fica mais difícil; quando temos que cumprir os horários de expediente no trabalho; quando estamos desempregados; quando…
Portanto, não perca a paciência com as adversidades da vida. Exercite-a!

Prof. Jackislandy Meira de M. Silva, filósofo e teólogo

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Um exemplo de hospitalidade filosófica

Obviamente que vivemos num mundo da “ecumene”, num mundo habitado, cujas fronteiras estão cada vez mais invisíveis e podemos até nos considerar cidadãos do mundo, quer pela realidade de uma aldeia global quer pela forma como tratamos o outro, o estrangeiro, os de outra pátria ou sem pátria, os andarilhos, forasteiros, enfim. No cenário atual, as discussões diplomáticas a respeito de atos virtuais de espionagem estão quentíssimas, deixando bastante conturbadas as relações éticas entre Brasil e EUA, o que prova o quanto o mundo virtual tornou inseguras nossas fronteiras; a impressão é que elas já não existem mais.

Ainda assim, mesmo com toda a facilidade do que fazemos aqui respingue ali instantaneamente, há recorrentes casos de extremo nacionalismo, acentuada xenofobia nos mais variados rincões. Os preconceitos com o diferente se sucedem em toda parte. Parece que sofremos de uma certa aversão ao diferente, ao que não é do nosso grupo, ao que não pensa como nós.

Só que surgirão os que não admitem ser preconceituosos, xenófobos ou coisa do gênero, etc., mas consideram ser sociáveis, sem problema algum com os outros, tolerantes. Contudo, a conversa muda no momento em que estas situações começam a interferir na minha vida. Desde que determinados problemas não me afetem tudo bem. Geralmente é assim, o tolerar tem limites e transparece superioridade por parte de quem tolera. Bom quem tolera, coitadinho quem é tolerado.

O interessante é que Emmanuel Lévinas, filósofo judeu, lituano, francês, que viveu o turbilhão das guerras do século passado, é um exemplo crucial não de tolerância, e sim de hospitalidade em seu pensamento. Isso é muito forte porque o exemplo de tolerância ainda traz consigo algo de superioridade, pois ao dizer que sou tolerante a você, a enunciação por si só já demonstra algo de superior. Enquanto superior, traduzo a minha bondade sobre você. Ele diz que há algo muito mais generoso, que é precisamente a hospitalidade, o acolher efetivamente o outro, a alteridade, o diferente, e fazer disso um diálogo rico e fértil sob vários aspectos.

Este diálogo se faz entre ideias, linguagens, temas e assim por diante, tal como essa acolhida, essa hospitalidade que ele concede a temas que vem dos apaixonados romances russos, sobretudo Dostoiévski, depois com a leitura da Bíblia e por fim com uma crítica profunda ao espírito do Totalitarismo presente no hitlerismo, por exemplo.

Nesse contexto, a palavra hospitalidade guarda a ideia de duas outras palavras: atenção e acolhimento, de modo que a hospitalidade expressa uma tensão em direção ao outro, intenção também atenta, atenção intencional ao outro. O primeiro movimento que acompanha o acontecimento da hospitalidade, para Lévinas, é o acolhimento: “A noção de rosto significa a anterioridade filosófica do sendo sobre o ser, uma exterioridade que não apela ao poder nem à posse, uma exterioridade que não se reduz, como em Platão, à interioridade da recordação, e que, contudo, protege o eu que o acolhe” (Totalidade e Infinito, p. 22).

Estamos diante de uma hospitalidade infinita e incondicional, aberta à ética, por isso não restrita simplesmente à ordem do político, mas que ultrapassa o pensamento meramente político, do espaço político. O alcance da hospitalidade, segundo Lévinas, está na afirmação de que “A intencionalidade é hospitalidade”. Vejamos o momento de acolhimento à palavra para a decisão divina: “Decisão do Eterno acolhendo a homenagem do Egito (O Eterno é hospedeiro [host] acolhendo o hóspede [guest] que lhe traz sua homenagem numa cena clássica de hospitalidade.). A Bíblia permite prevê-la no Deuteronômio 23. 8, versículo que o próprio Messias, apesar de sua justiça, deve ter esquecido. Pertence-se à ordem messiânica, quando se pode admitir o outro entre os seus. Que um povo aceite aqueles que vêm instalar-se no seu seio, por mais estranhos que sejam, com seus costumes e seus hábitos, com seu falar e seus odores, que ele lhe dê uma akhsania como um lugar de albergue e de que respirar e viver – é um canto de glória do Deus de Israel”(À l’heure des nations, p. 113).

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva

Bel. em Teologia, Licenciado em Filosofia/UERN, Esp. em Metafísica/UFRN e Esp. em Estudos Clássicos UnB/Archai/Unesco.

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