Arquivo mensal: dezembro 2015

Natalidade

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O nascimento do novo homem de Salvador Dalí

Conforme dados da ONU, nascem mais pessoas do que morrem a cada segundo. Só para termos uma ideia, nascem aproximadamente três pessoas ou mais por segundo no mundo. São cento e oitenta (180) nascimentos contra cento e três (103) mortes por minuto, portanto, a espécie humana é uma máquina de fazer nascer. Mesmo contra alguns prognósticos, teimamos em nascer, queremos nascer.

Independente da exatidão dos números acima, até porque vivemos atropelados pelos acontecimentos e pela onipresença da tecnologia, é interessante notar a força da espécie humana em querer nascer contra as desfavoráveis condições de vida.

Com o passar dos anos, a vida do ser humano está cada vez mais dura em várias frentes. Na frente climática, os dias têm sido de calor insuportável. A sensação térmica vem dificultando o bem-estar físico, o trabalho e até mesmo o convívio social. Na frente econômica, a inflação não deixa nosso dinheiro parar no bolso, sequer conhece o bolso, ganhá-lo está cada vez mais difícil e a oferta de emprego não é das melhores. Na frente política, mesmo com a globalização e o desaparecimento das fronteiras via internet, não conseguimos ser tão políticos como deveríamos, juntando esforços para causas mais coletivas, solidárias e sociais. Na frente religiosa, o Outro na sua diversidade passa ao largo dos interesses humanos, abrindo precedentes absurdos de intolerância, terrorismo e fundamentalismo religioso.

Todas essas frentes, e poderíamos citar mais, representam a dura realidade local e global tentando impedir ou obstaculizar a “natalidade”, o natal, o novo nascimento, o milagre do início, de um novo começo. Porém, as dificuldades da vida apontadas aqui não conseguem impedir a potência, a força, a ação deste nascimento, tal como está descrito nas Escrituras, a partir das perguntas de um fariseu, chamado Nicodemos: “Como pode um homem nascer sendo velho? Poderá entrar de novo no ventre materno para nascer?”(Jo 3.4). Jesus não o deixa sem resposta: “Eu te asseguro que, se alguém não nascer da água e do Espírito, não poderá entrar no reino de Deus”(Jo 3. 5).

Na esteira do que disse Jesus sobre o novo nascimento, a filósofa Hannah Arendt escolhe o conceito de “natalidade” para desenvolver suas ideias de liberdade, amor e educação. Uma liberdade que extrapola os apelos da necessidade. No amor, vale retomar o que disse Agostinho sobre as duas cidades. A cidade dos homens como o amor de si até ao desprezo de Deus. A cidade de Deus como o amor a Deus até ao desprezo de si. Por sua vez, a relação da Educação com a natalidade é que “a essência da educação é a natalidade, o fato de que seres nascem para o mundo” (ARENDT, H. Entre o passado e o futuro. Tradução de Mauro W. Barbosa. 5. ed. São Paulo: Perspectiva, 1990. p. 223).

Para instaurar o nascimento na lei cíclica da mortalidade, interromper o curso inexorável e automático da ordem cotidiana da vida que nos arrasta lenta ou rapidamente até a morte é urgente aplicar nossa faculdade de agir. A ação, segundo Arendt, parece um milagre. “A ação é, de fato, a única faculdade milagrosa que o homem possui, como Jesus de Nazaré, que vislumbrou essa faculdade com a mesma originalidade e ineditismo com que Sócrates vislumbrou as possibilidades do pensamento…”(ARENDT, Hannah. A condição humana. Trad. Roberto Raposo. 7ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1995, p. 258).


Assim como a capacidade de agir interfere no processo biológico da vida, esse mesmo agir também nos adverte que, embora todos devam morrer, “não nascem para morrer, mas para começar”.

A radicalidade, portanto, da capacidade de agir está na natalidade. O agir é essa capacidade humana de interromper a ruína, a destruição e a morte para iniciar algo novo. “O milagre que salva o mundo, a esfera dos negócios humanos, de sua ruína normal e natural é, em última análise, o fato do nascimento, no qual a faculdade de agir se radica ontologicamente. Em outras palavras, é o nascimento de novos seres humanos e o novo começo, a ação de que são capazes em virtude de terem nascido. Só o pleno exercício dessa capacidade pode conferir aos negócios humanos fé e esperança, as duas características essenciais da existência humana que a antiguidade ignorou por completo, desconsiderando a fé como virtude muito incomum e pouco importante, e considerando a esperança como um dos males da ilusão contidos na caixa de Pandora. Esta fé e esta esperança no mundo talvez nunca tenham sido expressas de modo tão sucinto e glorioso como nas breves palavras com as quais os Evangelhos anunciaram a boa nova: ‘Nasceu uma criança entre nós'”(idem, p. 259).

Feliz Natal!

Ilustração: O nascimento do novo homem de Salvador Dalí.

Prof. Jackislandy Meira de M. Silva, filósofo e teólogo.
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Cuidemos de nossos animais

Tão logo me casei e mal me dei conta de que havia em companhia da minha esposa um cachorro mui amigo da família. Seu nome é Black(preto). Minha esposa cuidava dele desde seu nascimento, desde muito pequeno mesmo. Contava-me que, assim que nasceu, era a coisa mais fofa do mundo, uma espécie de bolinha bem peludinha. A vontade de qualquer pessoa que o via era só mesmo a de apalpar e cheirar. Todos queriam abraçá-lo, apertá-lo e fazer carinho nele, inclusive a família. O cachorro faz parte essencial da família. É um membro que integra, e ao passar o tempo, faz uma falta danada à família.

Blackinho, como o chamamos, já está conosco há 70 anos no tempo dele e há 10 anos na idade das contas da gente. É um animal espertíssimo que, além de proteger a casa e a família, alegra e contagia o ambiente em que estamos. Ele nos disciplina. Faz-nos entender que não existe só o nosso mundo, mas também o mundo dele. É impressionante, mas quando chega a hora de passear, seu relógio biológico não falha. Começa a latir, a pular em cima de nós, a cheirar, dando sinais de que está chamando para andar, pois está na hora. Seu relógio é mais sensível às necessidades do que o nosso. Queremos controlar tudo, até mesmo o nosso relógio biológico, imagine o de um cachorro! É aí que entra o aprendizado. Deixamos tudo e partimos para atender às necessidades do outro, no caso aqui, o meu companheiro de todas as horas, o meu estimado blackinho. Aprendemos a não ser tão egoístas.

É engraçado. Dizemos que somos um povo civilizado, educado, avançado e extremamente inteligente, mas esquecemos ou anestesiamos a consciência ética de que pertinho de nós tem vida animal circulando, até porque os animais, quer sejam gatos, cachorros, aves, etc, são indispensáveis para o equilíbrio ambiental. Se há animais em nosso meio é um ótimo sinal, pois as esferas de vida vegetativa, mineral e humana geralmente estão em boas condições de qualidade de vida. O ecossistema precisa da existência desses seres, que extinguimos, maltratamos e, muitas vezes ignoramos, para preservar os recursos naturais à nossa sobrevivência.

É lamentável, mas não entendemos nossos animais! Pouco, muito pouco sabemos a respeito dos animais, até que um dia passemos a criar algum ou alguns e logo mudemos nossa maneira, muitas vezes, de vê-los e aceitá-los em nosso convívio. Já perdi as contas dos gatos de estimação que criei, tratei e cuidei, tendo que amargar a dor de perdê-los por envenenamento, simplesmente porque pessoas não gostam, não aceitam, melhor dizendo, não entendem seus comportamentos. Animais morrem atropelados, são eliminados todos os dias com tiros e exterminados. Vocês sabiam que nós somos os únicos animais que matamos por maldade!?

Inúmeros fatos ocorrem frequentemente em nossas cidades, bairros e ruas, de pessoas que maltratam sem piedade os animais. Animais existem para ser protegidos, não sacrificados sem motivo algum, só porque vivem soltos na rua. Ora, se são sadios, se não ameaçam a vida de ninguém e são alimentados por moradores, qual a razão para sacrificá-los? Talvez, isso ocorra por falta de punição à altura do dano. As pessoas deveriam ser punidas por isso. Quantos de nós conhecem a Declaração Universal dos Direitos dos Animais pela UNESCO?

Quem chuta animais por bel-prazer ou joga pedras neles precisa rever suas ações e princípios. Os animais são criaturas de Deus e têm uma importância fundamental para o meio ambiente. Segundo a UNESCO, todos os animais têm o mesmo direito à vida; Todos os animais têm direito ao respeito e à proteção do homem; Nenhum animal dever ser maltratado e por aí vai…

Olhem que curioso, no Japão existe um restaurante com uma enorme e variada quantidade de gatos espalhados por todos os lados. Cada um de dar gosto de ver e de acariciar. Muito bonitos e bem cuidados. A maioria dos clientes que vai ao restaurante está interessada em se divertir e entreter-se com os felinos. Os bichinhos são mimosos, atenciosos e acalmam o pior dos clientes, que escolhem os gatos de sua preferência e pagam pelo serviço. A ideia do restaurante, diz o dono do negócio, é trazer bem-estar, tranquilidade e propor uma terapia natural aos clientes por meio dos pichanos, enquanto se servem dos deliciosos pratos da casa. Uma coisa é certa, tudo vem incluído na conta.

Estaria certo Platão ao afirmar que o homem nada mais é do que “um bípede sem penas”?!


Prof. Jackislandy Meira de M. Silva

Bacharel em Teologia, Licenciado em Filosofia e Especialista em Metafísica

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