Arquivo mensal: novembro 2015

Verdade ou amor?

Talvez alguém dissesse: “Que dilema desgraçado”. Não é desgraçado porque não é sem graça. É um dilema até certo ponto, pois depende muito da valoração de cada um. Para quem a verdade vem primeiro, o amor será sempre um pouco sem graça. Aos que enxergam o amor mais na frente, a verdade é que se torna sem graça. Ora, que seria do amor se não tivesse graça? O que pensar da verdade sem um pouco de amor? E o que dizer, então, do amor sem verdade?

Essa relação entre verdade e amor nas situações conflitantes do dia a dia não é de fácil compreensão, tampouco de fácil realização. Quase sempre ficamos em maus lençóis. Como falar a verdade sem desgraçar alguém? Como promover a verdade sem causar ódio ou dano às pessoas? E o que fazer quando amamos demais, ao ponto de nos abestalharmos? O amor nos deixa tolos, abobados e bestas?

Tomemos muito cuidado com o que estamos fazendo conosco e aos filhos no tocante à educação. Os filhos precisam respeitar e vislumbrar nos pais um modelo de comportamento ético. Pais infiéis geram filhos infiéis. Pais mentirosos geram filhos mentirosos. Pais ignorantes geram filhos ignorantes e assim por diante. Numa época em que as famílias de modelo patriarcal estão em demolição pela ausência da figura do pai, no sentido de sua omissão e de sua liderança, as famílias acabam se maternalizando por demais, uma vez que a liderança e a disciplina, tão próprias aos pais para formar os filhos em geral, ficam restritas aos zelo das mães, que não poupam esforços e sacrifícios para fazer as vezes do próprio pai dentro da família. Porém, mesmo que a família nuclear esteja bem composta, o que está se tornando cada vez mais raro, pois encontramos, com mais frequência, as famílias fragmentadas, ainda assim não se percebe uma preocupação explícita dos pais em disciplinar os filhos; combinar horário; afastar a mentira; falar com autoridade; cumprir regras; fidelidade no matrimônio; compromisso com Deus…

Atitudes como estas, cada vez menos presentes no convívio familiar, demonstram que acima do amor deve vir o compromisso com a verdade, que está na linha da lei e da formação da personalidade. Imagine a primeira reação de um filho ao flagrar os pais na mentira.

Todos nós devemos aprender mais com a verdade, e não fugir dela. Engraçado, não suportamos a verdade. No mais das vezes, preferimos o amor à verdade. Queremos muito mais massagear o nosso ego com carinhos e afagos, ouvindo o que se gosta, afirmando o que se pensa, do que ouvir a verdade; que precisamos corrigir isso ou aquilo, pedir desculpas quando ofender alguém, assumir as consequências pelos malfeitos. Não podemos mais deixar pra lá, esquecer e fazer de conta que nada aconteceu. Errou, tem que aguentar as consequências, a fim de se evitar não repetir os erros.

Em decorrência disso, estamos produzindo pessoas menos resistentes às adversidades da vida, ao sofrimento, à dor. O erro está justamente na formação. Não devemos somente passar a mão na cabeça dos filhos toda vez que eles errarem e chorarem, mas precisamos mostrar-lhes, pelo diálogo e pela conduta, que é possível aprender com os erros, e que o sofrimento é uma ótima escola.

O fato é simples: Poucos de nós suportam a verdade. Entre o amor e a verdade é preciso considerar algo. Nem um dos dois é suficiente e absoluto para viver bem. Só o amor nos deixa tontos, meio que vulneráveis diante das atrocidades da natureza humana. Só a verdade pode gerar homens totalitários e absolutos, incapazes de recuar, de relevar, de se soltar um pouco, de se despreder das convicções e assumir que precisa mudar.

Verdade demais pode afastar os amigos da gente, uma vez que ninguém é perfeito. Amor demais pode nos arrastar para a bobagem, na medida em que se perde a admiração e o brilho. Em geral, é muito perigoso quando escolhemos uma em detrimento da outra. O mais razoável seria escolhermos uma e outra em nossas ações, e não uma à outra. Verdade e amor não se excluem, mas se completam admiravelmente.

Depois desse devaneio sobre a verdade e o amor, você ainda concorda com a tão honrosa expressão atribuída a Aristóteles: “Amicus Plato, sed magis amica veritas” – “Amigo de Platão, mas mais amigo da verdade”?


Prof. Jackislandy Meira de M. Silva
Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia e Especialista em Metafísica
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A mentira…

Às vezes me pego a pensar livremente, de um modo estranhamente natural e instintivo, sobre o dado da mentira. A mentira tem várias faces. Tal qual moeda, certamente, tem uma cara e uma coroa. Na política então… Há mais cara do que coroa.

Quando ela mostra sua cara é terrível, pois vem quase sempre carregada ou a serviço de quem amamos. É bem por isso que a Bíblia trata a mentira, lá em Jo. 8. 44, de filha do diabo. Se satanás, na inspiração bíblica, é o pai da mentira é porque algo de muito nefasto, mal e perverso tem a ver com a mentira. A mentira atrapalha vidas de casais, possivelmente quando uma das partes se utiliza dela para esconder uma traição ou uma verdade que implica dor e sofrimento a ambos. A mentira separa velhos amigos e é a causa de conflitos entre pais e filhos. A mentira joga com o engano para nos oferecer o reino das ilusões imediatas. Uma mentira está sempre puxando outra e alimentando a desconfiança de muita gente. Ninguém confia no mentiroso!

Sinto muito aqui ser tão pragmático, mas é o que ocorre quando achamos que podemos enganar as pessoas a vida toda com nossas mentiras. O mentiroso está sempre na linha da falsidade, uma vez que se esconde num “mundinho” só seu. Quase sempre o mentiroso é egoísta e não tolera a verdade. É capaz até de falar a verdade para os outros, mas não suporta a sua verdade. É óbvio que a mentira em si não existe, só passa a existir quando a praticamos, é por isso que as ações incoerentes nos denunciam assustadoramente. Da mesma forma que a honestidade enquanto tal não existe, mas a partir do momento em que tomamos ações honestas, justas e bondosas, aí sim somos honestos, uma vez que praticamos a honestidade. Assim, é preciso praticar a mentira para ser, de fato, mentiroso. Negando a mentira, não significa dizer que sejamos verdadeiros, mas negando a prática da mentira, não a praticando, é que, sem dúvida, somos verdadeiros. Essa é a cara da mentira.

Mentir tornou-se uma constante no mundo da política, haja vista a pauta de planos e de estratégias que os políticos, na sua imensa maioria, têm de cumprir. Estratégias estas, claro, tendo em vista as eleições, os votos, e nada mais. Para conquistá-los, a mentira entra em jogo voluntariamente fazendo qualquer negócio. Ao contrário de muitos de nós que mentem involuntariamente, – até pensando em amenizar a dose da verdade para os outros, e talvez esteja aqui a outra face da moeda, a coroa – o político mente caprichosa e ardilosamente, uma vez que vive mais dela do que ela dele. Explico. O político se serve mais da mentira para atingir seus objetivos, do que a maior parte das pessoas, que são pegas de surpresa por ela, são usadas por ela, quando não gostariam.

Todavia, não sem razão, disse Platão sobre a mentira no diálogo Hípias Menor, algo assim: “Os mentirosos são capazes, e inteligentes, e conhecedores, e sábios naquilo em que mentem…”(PLATÃO. Sobre a inspiração e Sobre a mentira. Porto Alegre, RS: L&PM, 2008, p. 64). É óbvio que o mentiroso ignorante também se engana e acaba falando a verdade. Portanto, é próprio do homem mentir e falar a verdade, quer voluntária ou involuntariamente. Nesse diálogo que ora cito, vem considerada a possibilidade humana de agir com consciência de modo vergonhoso ou não, aí entra a mentira, pois quem mente é versátil e multiforme. Aqui está, sem dúvida, a coroa da mentira, na sua linguagem em parecer-se criativamente com a verdade. O modo de falar a mentira como se fosse verdade, com persuasão, é uma de suas curiosas artimanhas. O sofista era muito habilidoso nesse aspecto. Daí, a mentira ser tão importante para a política.

À deriva de um olhar bíblico-cristão, a mentira vem relativizada, sobretudo, na esfera política, na esfera filosófica até certo ponto, como também no campo da linguagem, da arte e da ética numa visão “extramoral”. Nietzsche foi um exemplo claro de tratar a mentira num sentido artístico, poético e filosófico além dos padrões culturais em que vivia e no qual se sentia aprisionado, talvez por isso seu espírito livre esteja tão presente em sua obra. “Ora, o homem esquece sem dúvida que é assim que se passa com ele: mente, pois, da maneira designada, inconscientemente e segundo hábitos seculares e justamente por essa inconsciência, justamente por esse esquecimento, chega ao sentimento da verdade(…) O que é a verdade, portanto? Um batalhão móvel de metáforas, metonímias, antropomorfismos, enfim, uma soma de relações humanas, que foram enfatizadas poética e retoricamente, transpostas, enfeitadas, e que, após longo uso, parecem a um povo sólidas, canônicas e obrigatórias: as verdades são ilusões, das quais se esqueceu que o são, metáforas que se tornaram gastas e sem força sensível, moedas que perderam sua efígie e agora só entram em consideração como metal, não mais como moedas”(NIETZSCHE, F. Col. Os Pensadores. São Paulo: Ed. Abril. 1999. p. 46-49).

Joguemos, pois, a moeda para cima e esperemos cair. Se for cara, bastante cuidado com a mentira, ela poderá arruinar sua honra e sua fama. Se for coroa, prudência, a mentira poderá ser um sinal de que não é hora de falar a verdade, porém mais cedo ou mais tarde, a verdade aparecerá com toda a sua força e mais viva do que nunca. De qualquer modo, tenhamos muito cuidado com a moeda da mentira por mais sedutora que ela seja!


Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva

Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia e Especialista em Metafísica e em Estudos Clássicos

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O sentido do trabalho

(Arte: Diego Rivera)

Eis um bem necessário: Trabalhar. Não quando se está para entrar em férias, mas quando se está prestes a sair delas. As férias estão às portas, e está aí uma boa hora para se pensar um pouquinho no sentido que damos ao trabalho. Talvez vejamos melhor o trabalho longe dele ou fora dele. Muitos diriam até que é um mal necessário, no entanto, trabalhar acaba sendo um bem necessário, antes de tudo, porque é um valor insubstituível para a saúde de qualquer cidadão, bem como para a sua sustentabilidade.

É óbvio que, como qualquer outra coisa na vida, o trabalho também é uma falta quando da sua ausência circunstancial. Só se valoriza o estudo quando se deixa de estudar. Só se valoriza o amor quando se passa pelo deserto do desamor. Só se percebe a pessoa do lado até o momento em que ela passa a não estar lá. Assim também é com o trabalho. Sua falta é sentida a partir do momento que deixamos, por alguma razão, de trabalhar. Com as férias, ausência de trabalho, vem a monotonia, o tédio, o sedentarismo e todo tipo de males. Por isso, o trabalho acaba sendo uma das boas saídas para uma vida feliz, sobretudo quando o trabalho é a extensão da família que enriquece o convívio social.

As férias não devem ser encaradas como um tempo de morbidez sem fim, uma vez que são um período apenas de descanso e de recomposição das energias gastas num intenso tempo de trabalho. Sendo assim, nada mal que tenhamos um bom tempo livre para fazer muito do que se gosta, como por exemplo; terminar aquela leitura que ficou inacabada; caminhar com mais frequência para exercitar o corpo e manter o equilíbrio emocional; cuidar um pouco mais de si; dialogar com quem não se via há bastante tempo; visitar os amigos; viajar e respirar novos ambientes… Enfim, volta e meia precisamos tirar umas férias, até porque ninguém é de ferro. Sair das rotinas e se desgarrar dos enfados do trabalho maçante e burocrático, de atividades repetitivas por isso estressantes, nos fazem muito bem.

Não há dúvidas de que a nossa natureza humana reclama descanso, paz e um pouco mais de humor, porém há que se ressaltar, nisso tudo, um certo limite de empolgação para com as férias, até porque quanto mais nos acostumamos com elas e com o lazer, mais e mais nos percebemos que somos homens do trabalho, seres que não vivem mais sem trabalho. Essa é uma consequência dos famosos tempos modernos trazidos pela revolução industrial, êxodo rural e inchaço das grandes cidades. Trabalhamos visando à riqueza, ao lucro e ao acúmulo de bens, ao capital. Isso nos levou a não trabalharmos mais, mas a capitalizarmos, perdemos o sentido do trabalho que vinha acompanhado do pensamento e do prazer. Todavia, não só pelo motivo econômico de sobrevivência e subsistência, mas também pela ocupação terapêutica, pela “salvação” mesma que o trabalho nos propõe é que ele é tão indispensável nos dias atuais. Tira-nos da inércia e nos põe em atividade, em movimento.

É desse ponto de vista muito peculiar que o trabalho acaba sendo uma opção de vida continuada até mesmo para quem se aposenta e não quer, de jeito nenhum, cair na invalidez. Aposentar-se hoje aos 60 anos não é mais uma verdade, tampouco um sonho de muitos. Aposentar deixou de ser um ideal a perseguir.

Acostumados com uma pauta exaustiva, extenuante e até certo ponto corriqueira do trabalho não nos habituamos mais a um ritmo de vida estático e cômodo comparado ao das férias. Talvez isso se deva ao frenético ritmo de atividades que uma mesma pessoa pode desenvolver hoje no mundo do trabalho. Desempenhamos as mais variadas atividades, desde aquelas ligadas ao lar até às inúmeras outras ligadas ao comércio, à indústria, ao estudo e etc. É bem verdade que nos adaptamos a tudo, até mesmo ao mais duro dos muitos trabalhos, como é o caso do trabalhador rural e do trabalhador de construção civil; trabalhadores nos canaviais e pedreiros por exemplo. Estes, de sol a sol, o dia inteirinho, não largam seus instrumentos de trabalho porque precisam produzir ou render intensamente no labor que desempenham.

Não importa o trabalho ou as suas diferentes formas, todos eles são necessários para o desenvolvimento humano e cultural de um povo. O que é indispensável fazer, além de fabricar e criar com as mãos e outros membros do corpo, é arte com o trabalho. Trabalhar com arte é permitir-se ao novo, ao desconhecido, ao inusitado. Trabalhar é transcender à sua ordem do dia. Trabalhar é agradecer em meio ao deserto, fruto da irritabilidade, do cansaço e da falta de vocação para tal. Trabalhar é também comer o pão do suor de seu rosto. Trabalhar, tal como se ouve música ou como se faz teatro, encenando, representando, deixa de ser uma tragédia, um incômodo e passa a ser arte, algo muito agradável.

Para terminar, não se deslumbre muito com as férias, pois assim como se cansa do trabalho, cansa-se também das férias!


Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva

Bacharel em Teologia, Licenciado em Filosofia e Especialista em Metafísica.

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Generosidade…

Cá estou eu novamente para grafar os últimos devaneios deste ano. “Um bom ano”. Lembram do filme que traz esse título!? Nele o autor leva o espectador a viajar do ritmo frenético dos negócios a uma pacata cidadezinha da França, cheia de vinhedos, com suas peculiaridades convencionais e muito provinciana. Da cidade à Província. Está aí uma bela passagem. Ou vice-versa. Uma das muitas passagens que podemos fazer: Da agitação à calmaria. O protagonista do filme consegue encontrar o seu destino onde menos esperava. Ao tomar conta dos negócios do vinhedo do tio numa pequena cidade, encontra-se pessoalmente e descobre o amor e a felicidade.

Para sair e fazer a passagem do “grande” ao “pequeno” sujeito, como diria Charles Chaplin, será preciso que a generosidade nos acompanhe em cada gesto. Dar um pouco do que é seu a outro revela uma parte sua antes desconhecida. Dar lugar à generosidade nesse fim de ano parece ser uma boa sugestão para quem, de fato, ainda pretende livrar-se de si mesmo e de suas vicissitudes egoístas e desonestas. A generosidade nos faz mergulhar maravilhosamente na mais pura vida, sem dinheiro e sem politicagem, e ir experimentar o quase nada dos outros. Passar do solitário ao solidário com as mãos e o coração cheios de amor e de atenção para dar.

Já se perguntou o que pode dar? Dar. Dar o quê? Dar algo além de presentes, dinheiro e uma boa mesa. O falso clichê de que “ninguém dá o que não tem” se confronta com a ideia de que algo se pode dar do que se é. Sim, pode-se dar o que se é. Não há nada que não possamos dar de nosso ser, uma vez que é próprio do ser dar, dar sempre mais. Quem nunca ouviu a frase: “Ninguém é tão necessitado que não tenha nada para dar e ninguém é tão suficiente que não tenha nada para receber”. Generoso ao dar, mas generoso também ao receber em todos os sentidos. Por exemplo: Há pessoas que são muito generosas para falar, mas pouco generosas para ouvir.

Não me refiro somente ao nada econômico, o mais desprezível de todos porque é o valor mais focado por todos, mas me refiro ao que quase ninguém liga mais, aos afetos, ao que é interno e que se encontra na linha do amor. Na estreita linha do amor estão os inexplicáveis atos de bondade e de generosidade tão próprios aos seres humanos, a tudo que é humano. É daí que vem, sim, a verdadeira generosidade.

Quantos não fecharam suas mãos, não só as mãos, mas fecharam o coração durante todo este ano! Portanto, é hora de abrir as mãos, o coração, a cabeça, os olhos, a vida para quem não pode abrí-los devido aos inúmeros impedimentos, a saber: fome, miséria, doença, desemprego, violência, corrupção, ganância e egoísmo. Romper a barreira de todos esses impedimentos é a graciosa sugestão da generosidade possível ao homem.

O mais engraçado da generosidade é que sem gratidão dificilmente poderá ser experimentada. A gratidão é a força da generosidade. Sem gratidão, a generosidade se transforma em vaidade. A honra da generosidade é um coração grato. Veja que, só com amor, a generosidade faz sentido. Para conservarmos a dignidade do ato de dar, é necessário reconhecermos nossa consciência, vontade e liberdade ao dar. Ser generoso é, antes de tudo, ser gracioso pelas muitas coisas que chegaram até nós sem esforço algum. Reconhecer que o calor do sol, a luminosidade da lua, a fonte dos rios, o movimento dos mares, a fertilidade da terra, o carinho dos animais, a bondade das pessoas, a beleza das florestas e o presente dos filhos não têm preço, é de graça que recebemos, na verdade, já são um esplendor de generosidade.


Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva

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Filosofia da saúde

A cada ano vislumbramos uma explosão avassaladora de pessoas que querem buscar a boa forma. O verão já chegou e um certo “frenesi” acompanha aqueles que, a qualquer custo, não poupam esforços por um corpo sarado, sem os famosos culotes, barriguinhas, etc. As academias estão lotadas e os calçadões das cidades repletos de gente que não se cansa de lutar contra os excessos de peso no corpo, sinônimo de feiúra e de incontinência alimentar.

A sociedade, que agora se apresenta, estampa em suas vitrines de cultura televisiva e virtual diversos padrões de comportamentos, dentre os quais são vendidos sem nenhuma reflexão, mas simplesmente negociados à revelia dos desejos desmedidos e irresponsáveis da população. Isso é muito preocupante porque as pessoas estão emagrecendo e engordando sem qualidade de vida, sem saúde. A saúde, bem como a doença que é a sua falta, desponta aqui como um alerta ou indicador de que precisamos urgentemente pensar a saúde. Às vezes, muita atenção ao corpo ou uma alucinadora inquietação para com ele pode representar doença e não saúde: “(…) Diferentemente da enfermidade, a saúde não é nunca causa de preocupação, antes, quase nunca somos conscientes de estarmos sadios. Não é condição que convida ou adverte a cuidar de si próprios: de fato, implica a surpreendente possibilidade de ser esquecido de si”(Gadamer, Dove si nasconde la salute, … In REALE, Giovanni. Corpo, Alma e Saúde. O conceito de homem de Homero a Platão. São Paulo: Paulus, 2002, pág. 185).

Estranho, enquanto damos muita atenção ao corpo a ponto de nos preocuparmos com ele demasiadamente, mais próximos estamos da enfermidade. Não seria uma doença moderna essa excessiva obsessão por exercícios físicos?

A corrida por um corpo malhado, sarado e fisicamente em forma não pode ser motivada apenas pela estética, pelo prazer de desfilá-lo nas praias, clubes, calçadões e ruas, mas tem de existir também um sentido de satisfação interna, conforto e bem-estar, felicidade e enchimento de si. Ou seja, tudo começa com um corpo bem cuidado na “medida certa”, na “justa medida”, como diz a metafísica de Platão. Os filósofos se esmeravam nisso, numa saúde do corpo e da alma voltada para o equilíbrio. É óbvio que a educação física constante e frequente tira o enfado, a preguiça e aumenta a concentração e a disposição para o trabalho! Parece até que voltamos à Grécia, à disciplina com relação ao corpo e com o perfeccionismo atlético, no entanto, falta-nos o equilíbrio físico e intelectual, falta-nos metafísica, falta-nos “justa medida”.

A rotina de malhação e educação física aumenta cada vez mais. É cada vez mais comum vermos gente caminhando, pedalando, correndo e se exercitando nas academias, pois, enquanto muitos têm de suar para deixar o corpo em dia, pronto para o verão, outros vêm fazendo o possível em continuar a frequência extenuante de exercícios físicos para manter a saúde do corpo, debilitado pelo tempo ou pelo excesso de trabalho.

A saúde é um tema emblemático. Veja que ao pronunciarmos a palavra “saúde” enchemos a boca quase que completamente de vida, de gozo, de saliva. Ela tem importância. Representa o ponto de equilíbrio e saciedade da pessoa humana. A saúde reveste os binômios filosóficos “aparência/ideia”, “corpo/alma”, “sensível/inteligível”, “experiência/razão”, “existência/essência” de unidade, de beleza e de bem-estar no ser humano, de tal modo que a vida mesma com saúde se torna mais leve, mais amena e muito mais feliz. Quando isso de fato está ocorrendo é porque a educação está funcionando como uma tomada de consciência do sujeito frente aos desequilíbrios naturais de seu organismo.

Sendo assim, a nossa saúde depende da Filosofia a fim de encontrar os meios mais sábios de equilíbrio de tudo aquilo que há na natureza, de restaurar a “justa medida”em nossa natureza. Saber o “mais”, o “menos”, “proporção”, “peso”, “excessos”, enfim. Lidar com isso é fazer Filosofia da saúde, uma se liga com a outra: “O médico é chamado a restaurar a medida oculta, quando a doença vem alterá-la. Em estado de saúde, a própria natureza se encarrega de implantá-la, ou antes, é ela própria a justa medida. O conceito de mistura, tão importante, e que na realidade representa uma espécie de justo equilíbrio entre as diversas forças do organismo, anda estreitamente relacionado com os de medida e de simetria. É de acordo com esta norma – assim a devemos denominar – cheia de sentido que a natureza age…”(Jaeger, Paideia, … In idem, p. 186).


Prof. Jackislandy Meira de M. Silva

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O “homo otarius”

Como filhos do Ocidente no séc. XXI, não mais herdeiros saudosistas de um tonto racionalismo que nos levou à duas grandes guerras mundiais, menos ainda dispostos a zombar de uma ciência que quis ilusoriamente exterminar a doença e a fome no mundo, mas descendentes da máscara do terror disseminado pelos EUA, pós-11 de setembro de 2001, de onde partiu para o mundo todo imagens fortíssimas de desabamento de uma das mais poderosas potências econômicas da terra, mostrando a nossa real fragilidade, estamos sendo agora tentados a perpetuar a espécie em vários campos da atividade humana. Na ciência ou na política, na ecologia ou na religião, nas artes ou na culinária, na filosofia ou no mundo do trabalho, o discurso é o mesmo: “Que mundo queremos deixar para os nossos filhos?” Isso gera conformismo, passividade política e, ao mesmo tempo, subestima outros povos ao risco, uma vez que odiamos o risco. Queremos controlar a vida, não mais arriscá-la!

A notícia de que assumimos a colocação de 6ª economia mundial nos deixou meio tontos, senão bestas. O tão almejado sonho de viver uma realidade econômica semelhante ao dos países mais desenvolvidos sempre foi uma marca presa ao imaginário cultural coletivo de nosso povo. A cultura do conforto e da pasmaceira ideológica de que está tudo bem, três refeições ao dia, salário no final do mês, estabilidade econômica, casa própria, emprego e renda sendo criados, dinheiro no bolso 24 horas, “nunca antes na história desse país”, enfim, toda essa zona de conforto e “calmaria” apenas nos afoga numa dimensão de “sobrevivencialismo” , cuja ideia importo aqui da filosofia de Zizek: “(…) Parece que a divisão entre o Primeiro Mundo e o Terceiro está mais na oposição entre viver uma vida longa e satisfatória cheia de riqueza material e cultural e viver uma vida dedicada a uma Causa transcendente(…). Duas referências filosóficas se apresentam imediatamente a propósito do antagonismo ideológico entre o modo de vida consumista do Ocidente e o radicalismo muçulmano: Hegel e Nietzsche. Não seria esse antagonismo o que existe entre o niilismo ‘passivo’ e o ‘ativo’ de Nietzsche? Nós, no Ocidente, somos os Últimos Homens de Nietzsche, imersos na estupidez dos prazeres diários, ao passo que os radicais muçulmanos engajados na luta estão prontos a arriscar tudo, até a autodestruição(…)”(S. Zizek, Bem-vindo ao Deserto do Real, São Paulo, Boitempo, 2003, p. 57).

Segundo Zizek, paira sobre nós uma distorcida ideologia de que o bom mesmo é prolongar a vida, conservá-la ao máximo e purificá-la. Esse falso clima de sustentabilidade econômica e tudo mais é gritante em nossos dias. As pessoas estão estagnadas no conforto e na burocracia. A fajuta ideia de zona de conforto econômico pelo estado brasileiro está produzindo pessoas não só sedentárias, cômodas e preguiçosas, mas indivíduos bestas que renunciaram sua subjetividade em função de um estado de coisas prontas, dotadas do espírito do capitalismo, cheias de fantasias, insensíveis ao que há em volta, amargas com a realidade, seduzidas pelo virtual. É tão patente essa mentalidade que o próprio Zizek expressou-se assim sobre a importância que damos ao virtual: “Hoje encontramos no mercado uma série de produtos desprovidos de suas propriedades malignas: café sem cafeína, creme de leite sem gordura, cerveja sem álcool, sexo sem sexo, guerra sem guerra, a realidade virtual é sentida como a realidade sem o ser. Mas o que acontece no final desse processo de virtualização é que começamos a sentir a própria ‘realidade real’ como uma entidade virtual”(idem, p. 24-25). É o que está acontecendo conosco no Brasil. Vivemos uma certa satisfação econômica sem saber até quando e qual a real implicação que tem tudo isso para a totalidade da população e não apenas para uma parte.

O mais engraçado disso é que achamos que conquistamos algo. Não conquistamos nada ainda, basta olharmos o nosso mais recente IDH, a infraestrutura de nossos municípios, as estradas, a educação que não avança, os serviços públicos à saúde que sucumbem diariamente, altos gastos  em campanhas eleitoreiras para políticos corruptos e analfabetos, pousando de letrados. Além de acharmos que somos a 6ª, porém falsa economia mundial, ainda criamos o engodo de que vivemos o melhor dos mundos possíveis. Não temos vida boa coisa nenhuma. Estamos sendo enganados o tempo todo por discursos políticos desgastados e por índices de pesquisa que não sabemos se correspondem aos fatos.

Somos esses homens prenunciados por Nietzsche, o “homo otarius”, que não sabe realmente a vida que tem, a vida que leva, a vida sem vida talvez. Vejamos o que diz Slavoj Zizek ao retomar a pergunta paulina, “Quem está realmente vivo hoje?”: “E não se percebe claramente a mesma reversão no impasse dos Últimos Homens, indivíduos pós-modernos que rejeitam como terroristas todos os objetivos mais altos e dedicam a própria vida a sobreviver, a uma vida cheia de prazeres menores cada vez mais refinados e artificialmente excitados?(…) O que torna a vida digna de ser vivida é o próprio excesso de vida: a consciência da existência de algo pelo que alguém se dispõe a arriscar a vida(podemos chamar esse excesso de liberdade, honra, dignidade, autonomia, etc.). Somente quando prontos a assumir esse risco estamos realmente vivos”(idem, p. 108-109).

Deixamos o risco de vida pra lá e optamos por essa pasmaceira econômica que camufla a vida até a raiz da sua realidade, de tal modo que está anestesiando as nossas condições subjetivas de fazer a clínica, a análise da existência com toda sua carga de dramaticidade, transformando-nos em “homo otarius”.


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O filósofo prefeito

Não precisa ser nenhum “expert” em gestão pública para saber que governar uma cidade é, com dúvidas, um desafio. Digo “com dúvidas” porque nem sempre se entra numa prefeitura com tanto ímpeto assim. Se para alguns é um desafio, e aí se percebe uma certa preocupação com a coletividade, em fazer mais pelo bem comum, um bem que compete mais a todos do que a uma parte. Para outros, é uma ciranda de roda(brincadeira), onde o centro das atenções está voltado para o umbigo de quem administra e de suas ambições, relativamente mesquinhas. E, para um filósofo, como seria administrar? Tiraria o umbigo ou faria de conta que ele não existe?

O umbigo aqui representa interesses particulares, ambição no seu mais alto grau. Na época de Michel de Montaigne, por volta da segunda métade do séc. XVI, administrar não era um ofício dos mais encantadores, mas esse filósofo foi prefeito por duas vezes na cidade de Bordeaux, na França. Ligado às campanhas  militares entre os nobres, não abria mão de escrever. Aceitou ser prefeito, mas com uma condição, não abdicar de seus escritos por hipótese alguma. Isso o fazia primeiro filósofo, depois prefeito. Certamente, herdeiro de algumas convicções da burguesia francesa, portou-se muito mais como um aristocrata no poder do que como um democrata populista afeito aos camponeses e aos pobres das províncias.

Ora, estamos no contexto do avanço do humanismo racionalista, em pleno Renascimento,  com as roupas sujas da Idade Média. A política ainda estava se aperfeiçoando. Teorias políticas como as de Hobbes, Maquiavel, Tocqueville, Marx e outros ainda estavam em germe. Montaigne se destacou justamente por desafiar, com suas dúvidas pertinentes, um humanismo dogmático que pretendia imputar ao homem um poder ilimitado e centralizador. Como bom renascentista, Montaigne cultivou bom humor, imaginação, e um determinado tipo de realismo ao discutir questões do cotidiano humano.

Porém, o que marca talvez o seu humanismo, embora cético e limitado, é a humildade, pois coloca o homem como um grão de areia comparado às infinitas espécies de seres que existem sobre a terra. Via o homem em relação aos outros animais, não mais nem menos do que eles, a não ser pela filosofia e pela religião. É possível encontrar inúmeras referências de animais nos “Ensaios” de Montaigne, algumas até com uma preciosidade em detalhes, o que endossa a tese de que não somos seres tão perfeitos assim, uma vez que somos falhos e passíveis a cometer tolices, sobretudo na esfera pública(Cf. Ghiraldelli Jr. A Aventura da Filosofia. Vol 1. São Paulo: Manole, 2010, p. 103-113).

É óbvio que não tenho a pretensão de colocar Montaigne como um prefeito de referência para o universo dos prefeitos de hoje. As cidades estão cheias de problemas de urbanização; não são mais províncias, pelo menos no estilo de vida; poluição; desemprego; superpopulação; transportes públicos sucateados; estradas e rodovias esburacadas. A industrialização chegou, a tecnologia também; a servidão diminuiu com o ganho de liberdade; a democracia abriu as portas à participação popular no poder central; as guerras militares praticamente diminuíram, o terror surgiu como a maior das armas de guerra, depois da bomba atômica. O capitalismo transformou o trabalho feudal de sobrevivência humana em trabalho industrial que visa concorrência, exploração e acúmulo de bens(riqueza).

Com isso, não pensem que Montaigne foi superado. Não. Montaigne apenas foi modificado. O homem se transformou desde Montaigne até aqui e continua a se transformar. O fato é que problemas como a corrupção que já existia na época de Montaigne estão mais visíveis. A história não mente quanto à burguesia absolutista na França nesse período e logo depois o clima de insatisfação popular que eclodiu com uma tremenda revolução em 1789, fazendo surgir a tão sonhada República e a emancipação dos direitos humanos.

Todavia, algo de Michel de Montaigne os prefeitos deviam herdar, a sua humildade e o seu zelo para com a coisa pública. Diferentemente de Luís XIV que reinou a França de 1643 a 1715 e que ficou conhecido pela frase: “C’était c’est moi” – “O estado sou eu”, Montaigne advertia em seus “Ensaios” que em cada cidade devia haver um lugar onde as pessoas pudessem ir até lá a fim de resolver seus problemas e satisfazer suas necessidades, este lugar era a prefeitura, imagino eu, de modo a abrigar os que não tem casa, salários, roupas e comida. Este era um conselho de seu pai que preenche as lacunas de uma administração, lamenta Montaigne por não ter seguido tal conselho a risca. Já naquela época, o pai de Montaigne orientava o filho que para administrar uma casa era necessário registrar as transações financeiras, inscrever as contas, exigir que o secretário anote todas as informações num diário, enfim…(Cf. MONTAIGNE. Col. Os Pensadores. São Paulo: Abril, 1972, p. 113-114).

Além do mais, ser prefeito do quilate de Montaigne significa admitir erros, incoerências e duvidar das certezas. Jamais pensou que governava sozinho, muito menos para um grupo. Ele governava com humildade e com muita naturalidade. Sua responsabilidade com as dívidas era de impressionar, basta conferir o que diz acerca das orientações do pai em relação às contas da família, avalie então o que seu pai não diria a respeito das contas públicas!

Cidadão, como estão as contas de seu município?


Prof. Jackislandy Meira de M. Silva

Especialista em Metafísica, Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia

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Um alerta sobre drogas e más companhias

 

Caros jovens, abaixo segue a história de uma carta de alguém muito jovem que acabou perdendo a vida por causa das drogas, em consequência das más companhias. Faça uma análise na sua vida e observe com quem você tem andado. Se seus amigos não são cristãos, ou se comportam de uma maneira que desagrada a Deus, isso significa que você precisa cortar essas amizades e fazer novos amigos. Lembre-se: a igreja ainda é o lugar mais seguro para se desfrutar boas amizades (Pv 4.18).

Influenciado por seus “amigos”, começou a usar drogas. As drogas afetaram severamente a sua saúde, levando-o ao hospital. Bastante debilitado ele escreveu uma carta para o seu pai, relatando sua triste experiência. Veja um trecho da carta escrita por ele antes da sua morte.

“Sinto muito, meu pai, acho que esse diálogo é o último que tenho com o senhor…

           O tóxico me matou, meu pai. Travei conhecimento com meu assassino aos 15 ou 16 anos de idade. É horrível, não pai?

            Sabe como nós conhecemos isso? Por meio de um cidadão elegantemente vestido, bem elegante mesmo e bem falante, que nos apresentou ao nosso futuro assassino: o tóxico. Eu tentei, mas tentei mesmo recusar, mas o cidadão mexeu com meu brio, dizendo que eu não era homem. Não preciso dizer mais nada, não é? Ingressei no mundo do tóxico.

            No começo foram as tonturas, depois as alucinações e a seguir a escuridão. Não fazia nada sem que o tóxico estivesse presente. Depois veio a falta de ar, o medo, as alucinações, e, em seguida, a euforia novamente. Sabe, pai, a gente, quando começa, acha tudo ridículo. Hoje, neste hospital, eu reconheço que Deus é o ser mais importante no mundo. Eu sei que sem a ajuda d’Ele não estaria escrevendo o que estou…

            Pai, eu só tenho 19 anos e sei que não tenho a menor chance de viver; é muito tarde para mim. Para o senhor, tenho o último pedido a fazer: diga a todos os jovens que o senhor conhece e mostre-lhes esta carta. Diga-lhes que, em cada porta de escola, em cada cursinho, em cada faculdade, em qualquer lugar, há sempre um homem elegantemente vestido, bem falante, que irá mostrar-lhes o seu futuro assassino, o destruidor de suas vidas que os levará à loucura e à morte como eu.

            Por favor, faça isso, meu pai, antes que seja tarde demais também para eles…

            Adeus meu pai”

Depois desta carta, ele morreu. Este é um caso verídico. Aquele jovem morreu no hospital em 23 de maio, na cidade de São Paulo.

Carta transcrita por Jackislandy Meira de M. Silva da Revista da Escola Dominical de Adolescentes “Conselhos para o dia a dia”, editora CPAD.


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