Arquivo mensal: maio 2015

Afrodite age nos sentidos

É um prazer falar de Afrodite, uma vez que faz bem aos ouvidos e aos olhos. Digo, pelo simples fato de nos referirmos a ela não só como uma deusa louvada na Grécia, mas também na Ásia, no mundo oriental, recheada de simbolismo e encanto. Vale salientar aqui a importância da poesia grega orada, feita para o ouvido e para o olho, antes de qualquer teorização sobre o amor. Mais do que falar Afrodite, é preciso sentir Afrodite no imaginário grego. Esplêndido este detalhe, na medida em que é perceptível na literatura grega, quer nas tragédias ou nas obras filosóficas, sobretudo em Platão e Aristóteles, como também em Homero e Hesíodo, nuances de Afrodite que age na sensibilidade, no corpo, no físico, ao pé do ouvido.

Como não lembrar que foi ela própria, Afrodite, chamar Helena, que encontrou na alta muralha, no meio de uma multidão de Troianas, em plena guerra. A narrativa é feita no alto da passagem da Ilíada, III, 383-447. Afrodite expõe toda sua hábil sedução para atrair Helena até ao leito nupcial e salvar Alexandre da guerra.

No entanto, a lenda da origem de Afrodite, disseminada no Oriente, que diz que os peixes do Eufrates tinham encontrado um ovo grande nas águas do rio e carregaram esse ovo até a praia, onde uma pomba chegou e quebrou o ovo, e dentro estava Afrodite. Daí, mesmo em cultura ocidental, Afrodite vir representada junto às águas ou aos pássaros. Por isso, sua associação do amor a cenários naturais.

Da tradição grega, herdamos a visão de Afrodite já no Olimpo como filha de Zeus junto a Eros. “Mas dos órgãos sexuais do Céu surgiu também uma outra deusa, que não pertence mais a Eris, mas sim, pelo contrário, a Eros, não mais à discórdia e ao conflito, mas ao amor(proximidade das duas palavras, em grego, parece indicar também uma proximidade nos fatos: muito facilmente se passa do amor ao ódio, de Eros a Eris): trata-se de Afrodite, a deusa da beleza e, justamente, do amor. Você se lembra que o sangue do sexo de Urano caiu na terra, mas o sexo, propriamente, Cronos jogou longe, por cima do ombro, e ele foi se perder no mar. E boiou! Flutuou na água, no meio da espuma branca – espuma que, em grego, se diz, afros, a qual, misturando-se à outra espuma que saía do sexo de Urano, gerou uma sublimíssima jovem: Afrodite, a mais bela de todas as divindades. É a deusa da doçura, do carinho, dos sorrisos trocados pelos apaixonados, mas também a da sexualidade brutal e da duplicidade do que se diz quando se quer seduzir o outro, querendo agradar, palavras que no mínimo são sempre fiéis à verdade, a duplicidade serve para atrair afetos,(…). Afrodite é tudo isso: a sedução e a mentira, o charme e a vaidade, o amor e o ciúme que dele nasce, a ternura, mas também as crises de raiva e de ódio geradas pelas paixões contrariadas. No que, mais uma vez, Eros nunca está muito longe de Eris, o amor sempre na vizinhança da disputa. Se dermos ouvido a Hesíodo, quando ela sai das águas, em Chipre, está sempre acompanhada por duas outras divindades menores que lhe servem, de certa maneira, de ‘acompanhantes’, companheiros e confidentes: Eros, justamente, mas dessa vez se trata de Eros número 2, o pequeno personagem de que falei ainda a pouco e frequentemente será representado, mas bem posteriormente a Hesíodo, como um menino bochechudo, armado com um arco e flechas. E, ao lado de Eros, há Imeros, o desejo, que sempre abre caminho para o amor propriamente dito…”(FERRY, Luc. A sabedoria dos mitos gregos. Aprender a viver II. Trad. de Jorge Bastos. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009, p. 54-55).

Afrodite é impressionante pelo páthos que ela provoca nos corpos, devido ao seu deleite físico. O que seria de nós sem o prazer, o cheiro e a visão do amor que emana do poder afrodisíaco da bela Afrodite em todos os seres? Pascal, filósofo francês, acreditava que é impossível fazer alguma coisa de grande sem paixão. É isso que Afrodite estimula nos seres, nas pessoas, o desejo incessante de seduzir o outro. Talvez seja ela a maior responsável por acordar o amor em nós, despertando-nos do sono dos sentidos.


Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva

Especialista em Metafísica, Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia e Esp. em Estudos Clássicos pela UnB em parceria com Archai Unesco

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Um grito de identidade

Repare bem cautelosamente se você já se viu em alguém. Pode ser alguém da família, seus pares ou membros de um grupo; alguém com quem você desenvolveu seus afetos, sua intimidade, cuja reciprocidade fora aumentando pouco a pouco até não parar mais. Geralmente, além de pessoas, nos identificamos também com lugares, profissões, estudos. Mas, os que marcam mesmo nossas vidas, a bem da verdade, são nossos pais, irmãos, tios, tias e avós, sem desmerecer, claro, a descoberta de um amigo ou de uma pessoa amada.

Ver-se em alguém é identificar-se com este alguém, ultrapassando os limites da aparência. Via de regra, a aparência da identidade está fixa e inerte em registros de identidade, onde cada qual apenas estampa no papel sua face para fins burocráticos e sociais. A identidade não é simplesmente um documento de papel que carrega sua impressão digital e foto, bem como o nome bastante apresentável, aprisionada numa carteira ao bolso, senão guardada e abandonada em gavetas ou pastas.

Perder a identidade para a cultura grega significa perder a vida, equivale a estar realmente morto: “Para os gregos, o que caracteriza a morte é a perda da identidade. Os mortos são, antes de mais nada, sem-nome ou mesmo sem-rosto. Todos que deixam a vida se tornam anônimos, perdem a individualidade.(…) É essa despersonalização que caracteriza a morte aos olhos dos gregos(…)”(In FERRY, Luc. A sabedoria dos mitos gregos. Aprender a viver II. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009, p. 145).

Descobrir seu eu no mundo, seu lugar no tempo/espaço da história é ver-se na mais translúcida imagem de sua subjetividade; é descobrir-se para si mesmo e habitar um mundo possível, crescente, dinâmico e infinito, movido pelo despertar semelhante ao do filho de Ulisses, Telêmaco, quando da sua busca incessante por notícias do pai que estava a vaguear pelo mundo, perdido e com saudades de casa.

As primeiras quatro partes ou capítulos da clássica obra de Homero, a Odisseia, revelam essa busca incansável do jovem pela confirmação dos belos feitos do seu pai, rei de Ítaca. A saída de Telêmaco da ilha ao encontro do pai representa sua saída ao encontro de si mesmo. Assim como Telêmaco, um homem precisa de aventuras ou precisa satisfazer o desejo da maravilha, da curiosidade de querer ver as coisas para forjar, no sofrimento e na nostalgia de casa, a personalidade, construir o caráter e, definitivamente, encontrar seu lugar mundo, quem você é e por que está aqui.

Todos temos uma identidade, quando sufocada e presa, grita de dentro de nós. É o grito da alma humana pelo reconhecimento de sua própria identidade.

Como não acenar aqui para a tão reconhecida obra de Milan Kundera, a identidade, em que Chantal, personagem central da trama, reclama repetidamente por identidade quando pensa: “Vivo num mundo onde os homens nunca mais irão se virar para olhar para mim”. Só que, ao saber quem, de fato, era Chantal, pouco antes de declarar que havia se enganado, Jean-Marc saboreia o prazer de olhar para ela e percebe que Chantal é o “seu único vínculo sentimental com o mundo”, pois “só ela, e mais ninguém, o liberta de sua indiferença. Só por intermédio dela é capaz de se compadecer”. Acordada de seu sonho, pelo “grito” de Jean-Marc, a bela Chantal não quer perder de vista a identidade de seu amor: “Não vou mais tirar os olhos de você. Vou olhar para você sem parar”.


Prof. Jackislandy Meira de M. Silva
Especialista em Metafísica, Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia e Esp. em Estudos Clássicos pela UNB e Archai Unesco

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A consciência da morte do herói Aquiles

(Aquiles chora a morte de Pátroclo – fonte: http://www.flickr.com/photos/brennobastos/1039679003/)

Olhem, compartilho aqui minha colaboração do que tenho lido do texto de Vernant acerca da morte, por sinal muito enriquecedor do ponto de vista da concepção de morte do herói, no caso Aquiles. A começar por uma clássica citação da Ilíada de Homero, é possível notar que o herói Aquiles está tomado pelo sentimento de morte, de uma morte atrelada ao desejo de imortalidade pelo nome. Curioso isso, ao mesmo tempo em que a morte toma conta de seu ser, Aquiles não se desvencilha da necessidade que há em perpetuar seu nome aos tempos vindouros. A morte apoderou-se dele, mas também um desejo de glória: “Não, eu não pretendo morrer sem luta e sem glória(akleiôs) como também sem algum feito cuja narrativa chegue aos homens por vir”(Il., 22, 304-5; 22, 110).

O agathoi Aquiles, sabendo que vai morrer brevemente, isto é, no dizer de Vernant, com base nos cantos da Ilíada, solicita à sua mãe Tétis ao menos a glória. Vejam que estupendo, o herói na iminência da morte ou vendo que ela o rodeia, quer pelo destino que lhe imputaram os deuses, quer pela sua força como guerreiro, ou ainda, por ter os pés ligeiros, sabe-se que a morte lhe é inevitável, sobretudo pela sua característica de herói que retém o “onus” ou “bonus” da honra. A consequência da consciência da morte por Aquiles o faz deixar escapar para além dos dentes um pedido: “Oh mãe, visto que me geraste para uma vida breve, que Zeus olímpico… me dê pelo menos a glória”(Il., 1, 352-3) . A resposta de sua mãe só lhe confirma a certeza de antes, que o mais brevemente irá morrer: “Teu destino, em vez de longos dias, só te concede uma vida breve”(Il., 1, 415-6). Vernant é muito claro ao explicitar a sorte do herói Aquiles envolvido nas malhas da morte, uma vez que não teve sequer direito de escolher. Sua vida estava traçada pela “vita brevis”: “Ou a glória imorredoura do guerreiro(kléos áphthiton), porém a vida breve, ou então uma vida longa, retirada, porém a ausência de qualquer glória”(Cf. VERNANT, Jean-Pierre. A bela morte e o cadáver ultrajado. São Paulo: USP. 1977. p. 32).

Nesse caso particular de Aquiles, predestinado à bela morte, o guerreiro vai pautar sua vida focado somente neste ideal do herói. Sua obsessão pelos feitos heróicos será a convicção de uma posteridade de glória e honra. A morte só tem sentido, se é que tem sentido pra ele, na medida em que é louvada pelo existir reconhecido, estimado e honrado do herói. Vernant comenta os feitos heróicos como um ultrapassamento da morte, renunciando ao envelhecimento: “O feito heróico enraiza-se na vontade de escapar ao envelhecimento e à morte, por inevitáveis que sejam, de a ambos ultrapassar. Ultrapassa-se acolhendo-a em vez de a sofrer, tornando-a aposta constante de uma vida que toma, assim, valor exemplar e que os homens celebrarão como um modelo de glória imorredoura”(idem, p. 40).

A representação da morte do herói grego, tão bem salientada por Vernant, sobretudo em Aquiles, é o esquecimento da vida, o alheamento ao outro. Segundo o autor, o contexto arcaico grego nos remete para o fato de que o indivíduo é medido pelo olhar alheio e pela importância que ele tem na memória da coletividade. Portanto, na realidade, para Aquiles, a verdadeira morte é o esquecimento. Isto é notório quando Aquiles, agathoi, experiencia a própria morte do amigo Pátroclo e daí escolhe a morte, assume seu destino de morte para vingar o companheiro. Ao sofrer e padecer de dor pela morte do amigo amado, Aquiles como que sente na própria pele a consciência de morte. Muito interessante, pois, com a morte do outro amado, o herói Aquiles toma consciência de sua própria morte.

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva

Bacharel em Teologia, Licenciado em Filosofia, Especialista em Metafísica/UFRN e em Estudos Clássicos pela UnB em parceria com Archai Unesco

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Nossos dias

O enigma de um dia – Giorgio de Chirico (imagem)

Há dias que são mais generosos do que outros. Tem dia que não sinto um só nó na garganta, mas tem dia que os instantes são muito angustiantes. Há dias de ira, de guerras e muito barulho, mas também dias de muita paz, calmaria e silêncio.

Como nuvens escuras, alguns dias são carregados de solidão e angústia. Mas, os dias não são todos assim. O que nos consola é que os dias obedecem a uma lei de continuidade natural. Os dias se sucedem, um após outro. Costumamos chamar os dias menos generosos, mais cheios de contrariedades e aflições, de dias maus.

Aqueles mais amenos e cheios de graça são como nuvens claras e luminosas carregadas de alegrias e menos tristezas, chamamos, estes, de dias bons.

Por que chamá-los assim? Não são apenas dias? Os mais otimistas se esforçam para que os dias sejam melhores, mesmo que não sejam. Alimentados por um psicologismo da autoestima e da motivação, os otimistas correm pra algum lugar longe das dores e tristezas do mundo. Não suportam um dia infeliz. Não aceitam a natureza dos dias. Temem a própria natureza das coisas, a natureza humana nua.

Não é função do pessimista vestir a natureza, tampouco escondê-la em trajes de preconceito e hipocrisia social. Os mais pessimistas tendem a ser menos moralistas e primam pelo despojamento de qualquer tipo de modelo politicamente correto. Não ser politicamente correto nesse caso faz bem a alma. Livrar-se dos preconceitos de uma mente escrupulosa e doente é a obsessão dos que não miram somente no melhor para suas vidas. Quem disse que só o melhor, assim como só o pior, existe?

O curioso é que, certa vez, um admirável professor meu me disse: “Pense sempre no pior para que o melhor aconteça”. Como se o pensamento pior atraísse o melhor.

Esses dois modos de pensar parecem ser bem pertinentes, uma vez que ambos nos ajudam a enxergar possibilidades de leitura do próprio mundo. Alinhar-se a um desses possíveis requer de nossa parte dialogar com a sociedade e seus diferentes modelos de comportamentos e de valores.

Como disse, talvez imbuídos de valores judaico-cristãos, sejamos levados a ler nossos dias sob o paradigma do bem ou do mal, da graça ou do pecado, da vida ou da morte, do melhor ou do pior, quase sempre embalados de supostos melhoramentos. No entanto, “a vida como ela é”, pelas lentes de Nelson Rodrigues, cronista e “filósofo” do cotidiano brasileiro, nos enchem de provocação, de espírito crítico e de deboche em relação à pretensa seriedade com que tratamos a vida: “Toda unanimidade é burra”; “Deus só frequenta igrejas vazias”; “A dúvida é autora das insônias mais cruéis”; “Nunca a mulher foi menos amada do que em nossos dias”; “O desejo é triste”.

Quiçá, os nossos dias suscitem questões que nos incomodem, nos façam pensar e nos provoquem, de tal modo que os escrúpulos e moralismos não nos impeçam de refletir, de despir os preconceitos em busca de uma vida nua.


Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva.

Especialista em Metafísica, Licenciado em Filosofia e Bel. Em Teologia e Esp. em Estudos Clássicos pela UnB/Archai Unesco.

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A graça da vida

(apreciação da obra: Calmaria II, de Tarsila do Amaral)

É curioso, mas toda vez que me reencontro com a palavra “graça”, ocorre-me a impressão de que ela nos põe em conexão com uma abertura ou fissura presente no mundo, no cotidiano ou mesmo no curso mais simples da vida. Se é óbvio que a vida é contingência pura, tão óbvio que a cada ano somos tomados pela experiência do fim, pela sensação do ponto final que nos lança para outras continuidades, a graça, em contraluz a esta carga de contingência, parece ser muito mais uma potência de esperança, uma explosão de alegria e uma assustadora busca por mansidão.

A graça da vida está na descoberta desta mansidão. Nosso mestre Jesus disse coisas admiráveis em relação a isso. Aos seus amigos que estavam apavorados com o mar bravio, Jesus os advertiu para que não tivessem medo, pois estava com eles; o mar se acalmou(Cf. Mt 8.26). Repare bem, Jesus propõe ser uma abertura de salvação ao fechamento imposto pelo medo. Quando a mulher adúltera é apedrejada pelo povo em sinal de condenação, Jesus mais uma vez intervém com palavras de abertura: “Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra”(Jo 8. 7). A intervenção da graça que é Jesus não só interrompe a condenação imposta pelo povo, mas salva aquela mulher.

Quantas vezes Jesus não se tornou a possibilidade de abertura para um mundo fechado à violência, ao medo e à contingência da morte, do fim! O convite “Vinde a mim todos vós que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei”(Mt 11. 28) é a prova de que a vida não fecha seu ciclo sem que antes não ganhe verdadeiro sentido no alívio, na paz trazida por Jesus. Quem não lembra dos que ladeavam Jesus quase morto no alto da cruz, os ladrões, pedindo misericórdia, mas antes murmuravam, “Se és o Cristo, salva-te a ti mesmo”(Lc 23. 39), blasfemavam, injuriavam. Não poucos de nós, também, assim como estes ladrões, continuamos a murmurar por algo que nem sequer entendemos ou desejamos de verdade.

Às vezes reclamamos por alguma coisa que sequer precisamos. Não temos discernimento para compreender o que Deus está querendo fazer conosco há um mês, dois meses, um ano, uma década. Deus simplesmente quer fazer algo maravilhoso conosco e tem uma vida toda pra isso. Mas não temos paciência para agradecer o que Deus já está fazendo e, por isso, murmuramos como fizeram os ladrões. Não sabiam eles o que Jesus estava preparando: “Hoje estarás comigo no paraíso”(Lc 23. 43).

Muitos passam uma vida inteira atolados na contingência de uma vida sem sentido; num trabalho exaustivo, com um salário miserável; numa família conflitiva e desestruturada; numa sociedade hipócrita e mentirosa; numa cultura ideológica dominante e alienante; num mundo frio, sem calor humano, e violento, onde não há quase lugar para o diálogo e os afetos. A vida, por sua própria contingência, já é cheia de sofrimento e dor, imagine então se nos fecharmos nela mesma, se nos irritarmos com qualquer besteira, se darmos lugar para tolices, se passarmos o dia inteiro reclamando de tudo, ora, não haverá lugar para a paz, a mansidão, uma vez que estaremos fechados em nossa própria ignorância.

Pense, então, se a vida já traz suas próprias desgraças, problemas e mazelas, por que torná-la insuportável, quando podíamos aliviá-la e torná-la melhor, cheia de graça!? Qual a graça da vida se ela não produz maravilha alguma? Qual a graça da vida se ela está fechada em si mesma? Eis a abertura para a graça da vida: paciência e muita, muita mansidão.

Encontre a graça da vida: “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus”(Sl 46. 10).


Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva

Bel. em Teologia, Licenciatura em Filosofia, Esp. em Metafísica/UFRN e em Estudos Clássicos pela UnB/Archai/Unesco.

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Reflexões Veranis

(foto: 1000 homenzinhos de gelo da brasileira Nele Azevedo)

Somos tipicamente ou atipicamente forjados pelo verão, principalmente agora com essa loucura de elevadas temperaturas que chegam a nos sufocar em dias de baixa umidade de ar. Para quem mora no sertão nordestino, acostumado a muito sol e pouca água, feito um de nós, rapidamente nos adaptamos a esta atmosfera equatorial comum em países como o Brasil.

O clima influencia diretamente em nossa cultura, no cotidiano e em nosso modo de viver, basta vermos como nos vestimos, o que comemos e o que fazemos. Verão aqui é basicamente o ano todo! Vivemos num país que não vê mais a passagem de uma estação à outra. Esse fenômeno era visto somente no sertão nordestino, pois íamos do verão ao inverno, do inverno ao verão o tempo todo. Agora, não só o Nordeste, mas o Brasil inteiro experimenta como é viver num país de uma estação só.

Como disse, somos forjados pelo verão. De dezembro a fevereiro, do Natal ao Carnaval, o cidadão brasileiro, seja ele nordestino, gaúcho ou carioca, é exposto ao calor do sol das sucessivas festas que ocorrem justamente nesse período. Um verão com cara de sol literalmente e metaforicamente, pois é tempo de férias, fazer boas viagens, sair com a família, passear, divertir-se, celebrar e etc. Para alguns, o verão parece refletir a alma do brasileiro que gosta de carnaval e futebol. Para outros, significa o esvaziamento de si mesmo, a perdição da alma.

Na verdade, uma grande maioria se permite demais quando está vivendo estes momentos de alta sensação de liberdade. Na mesma proporção em que o calor aumenta, as ações impensadas também aumentam na vida do cidadão. A sensação de intensidade e imediatez que o verão evoca na mente do jovem e de outras pessoas é impressionante. Há que se ter muito cuidado com isso. Não é agora e nem nunca que você vai beber toda a bebida do mundo. Do contrário; você pode não beber. Não é agora que você precisa sair com todas as mulheres do mundo; você pode esperar. Não é agora que você tem de consumir tudo; você pode economizar. No verão, as pessoas se permitem a tudo perdendo a noção de medida, de sobriedade!

Ou seja, o verão vem se tornando, com o passar do tempo, por coincidir com as férias, com 13º salário, com o carnaval e etc., uma concorrência desleal consigo mesmo do “salve-se quem puder”, numa espécie de “happy hour”, momento feliz em que é preciso aproveitar tudo deste período custe o que custar. Até o corpo é trabalhado para o verão; muita malhação e pouca comida. Se já não há limites para a ditadura do corpo, imagine no verão. Para satisfazer os prazeres do corpo, tudo vale, tudo é permitido, não sobra tempo para mais nada em meio às parvoíces veranis.

O que sobra? Nada. Aí está o risco que muitos correm no verão: perder o controle da vida. No vale tudo da vida deste breve verão, que tem dia e hora para acabar, não vale a pena expor-se ao sol da promiscuidade sexual, das drogas, do consumismo exagerado, do desperdício e, muito menos, do vaivém de aventuras tão próprias a este relativo período, uma vez que possa ser mais difícil desacelerar até voltar ao ritmo natural de outras estações do ano; voltar ao controle da vida.


Prof. Jackislandy Meira de M. Silva

Bel. em Teologia, Licenciado em Filosofia, Esp. em Metafísica/UFRN e em Estudos Clássicos pela UnB/Archai/Unesco.

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A proximidade de nossas relações

Aprendi que quanto mais nos aproximamos de Deus, mais parecemos com Ele. Quanto mais nos aproximamos das estrelas, mais parecemos com elas. Engraçado, mas descendo gradativamente nessa visão, é possível dizer ainda que quanto mais nos aproximamos das pessoas, mais nos parecemos com elas; quanto mais nos aproximamos dos nossos pais, mais nos parecemos com eles; quanto mais nos aproximamos dos nossos amigos, também parecemos com eles; quanto mais nos aproximamos de nossas esposas e vice-versa, mais nos assemelhamos a elas.

Descendo escada abaixo, o procedimento é o mesmo. É possível fazer essa relação de proximidade com tudo na vida, inclusive com as coisas, com o mundo, com as estruturas sociais, políticas e culturais de um modo geral. Embora se diga o contrário em alguns casos, o elemento aproximativo é fundamental para não só conhecermos com quem estamos lidando, mas com quem escolhemos para nos aproximar, para nos relacionar.

Esta mesma forma de aproximação se dá também com um livro, um animal de estimação, um filme, uma história, uma ideia, enfim. Quanto mais me aproximo de um livro, mais me pareço com ele. Quanto mais me aproximo de uma ideia, mais me assemelho a ela.

Imersos neste emaranhado de relações, seja com pessoas ou coisas, não estamos imunes aos conflitos, às injustiças e às incoerências deste mundo, pois reagimos de alguma forma. Mesmo quando não reagimos externamente ou fingimos não reagir, ainda assim reagimos positiva ou negativamente. E por mais que conheçamos as pessoas, o próprio mundo e Deus por essa cadeia de proximidades, não quer dizer que os riscos de uma traição, de uma certa leviandade ou de golpes de crueldade não parem de nos ameaçar, até porque nunca somos traídos por estranhos.

Na maior parte das vezes, nossas aproximações também denunciam com quem ou com o quê queremos parecer, com quem nos assemelhamos. Obviamente que aceitamos o contraditório, uma vez que nem todo mundo se parece com quem anda, com quem se relaciona ou com quem tem certa amizade. Todo cuidado é pouco, pois com o passar do tempo somos levados, até involuntariamente, a nos parecermos com o outro, cada vez mais íntimo e próximo de nós.

O nível de aproximação, claro, pode evitar uma série de investidas negativas contra nós, porém a mesma aproximação pode nos fazer entender que não são com todas as coisas ou pessoas que queremos parecer. Ou seja, não é bom parecermos com tudo que nos aproximamos, visto que muitos de nós não queremos parecer com o traidor, com o maldoso, com o perverso e o saguinário.

Penso que aproximar-se é, na verdade, uma tarefa importante para aqueles que se sentem parte do mundo das intrincadas relações sociais, onde muita coisa é meio obscura, sinistra e enganosa. Não há modo mais eficaz, talvez, de desmascarar as coisas do que participar delas de perto. Diria até que a proximidade do cidadão às instituições sociais pode diminuir o nível de corrupção política nessas instâncias, mesmo sabendo que, ao nos aproximarmos destas pessoas, não gostaríamos de nos parecer com elas.

Prof. Jackislandy Meira de M. Silva

Especialista em Metafísica, Licenciado em Filosofia, Bacharel em Teologia e Especialista em Estudos Clássicos pela UNB e Archai Unesco.

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Nem tudo é o que parece

Capitalismo! Uma ideia de ordem que vende sem parar. Passando pelo que comemos, bebemos e pelo que vestimos, como se não bastasse, pelo que desejamos, inclusive, a felicidade. Sim, vende-se também felicidade. Lucra-se com ela, por ela e para ela. Nunca se vendeu tanta autoajuda como hoje. Vendemos conselhos motivacionais. Eles valem ouro. As pessoas buscam o tempo todo uma receita para viver melhor. Uma receita que lhes ensinem a viver. Mas tudo em nome do capitalismo. Uma dominação política sustentada na ilusão de que nossos desejos são satisfeitos, quando na verdade não são. Isso mesmo é uma farsa.

No capitalismo liberal, nem tudo, ou melhor, quase tudo não é o que parece. As sociedades capitalistas como a nossa se esforçam, sacrificam-se único e exclusivamente por uma fantasia de satisfação de desejos. Não refletimos sobre o que se passa conosco. Simplesmente nos basta o gozo ou o prazer fantasmático de algo satisfeito, de um conforto mentirosamente alcançado. O capitalismo, então, nos dá este conforto, e ele, assim como nós, não se dá por satisfeito, mas cria outros e mais outros novos estímulos, de modo a nos controlar compulsivamente. Não só nos tornamos consumidores por necessidade de sobrevivência, mas por manutenção de prazeres diários.

A verdade é que, por causa do capitalismo, somos incapazes de ver além de nossos desejos, de dar sentido a eles, de descobrir quem somos. Com isso, passamos a ser vistos aos poucos como máquinas de produção de conforto, porém muito conforto. Atolados demais em conforto, a sociedade fica doente, vulnerável a toda sorte de males. Nós ficamos doentes, ao ponto de sequer questionar o modo como vivemos. Não damos mais alternativas ao capitalismo e nem desconfiamos dele, visto que “parece mais fácil imaginar o fim do mundo que uma mudança muito mais modesta no modo de produção, como se o capitalismo liberal fosse o ‘real’ que de algum modo sobreviverá, mesmo na eventualidade de uma catástrofe ecológica global…(…) Pode-se afirmar categoricamente a existência de uma ‘qua’ matriz geradora que regula a relação entre o visível e o invisível, o imaginável e o inimaginável, bem como as mudanças nessa relação”(Slavoj Zizek, in Um Mapa da Ideologia, p. 07).

Repare que paira sobre nós uma sensação estranha de dominação política, sobretudo em tempos de realidade virtual, de sofisticação tecnológica, outro dado que se junta ao capitalismo para controlar nossos desejos e ansiedades. Vivemos meio que deslocados do mundo real, fora do espaço e tempo em que ocupamos. Estamos nos enchendo de informações via celulares, Ipads e Laptops, e isso costuma não dar em nada, pois nos tornamos até mais despolitizados. Consumimos ideologia por desejo e não por reflexão.

Interessa-nos muito mais a relação amorosa de uma atriz que mora em Londres ou em New York do que o número alarmante de separações de casais em nosso país. Rende mais debate um terremoto que ocorre no Japão ou um desequilíbrio climático ao redor do mundo do que com a carência de fios de aço para cirurgias na saúde pública do RN. Discussões sobre o descaso com a infraestrutura do país como transportes, saneamento, educação, políticas públicas de convivência com o semiárido… Nada disso importa o quanto importa a realização de uma Copa do Mundo no Brasil, o que é preocupante porque nem a Copa e tudo o que dizem dela é o que parece. Nem tudo é o que parece. A Copa do mundo, bem como o Carnaval e uma porção de coisa no Brasil tentam esconder corrupção, altos impostos e inflação que oprimem a população.

Penso que a pauta das discussões políticas e sociais está indo na onda do capitalismo liberal que pretende esvaziar mais ainda o debate cultural entre os povos pela via superficial da informação virtual cada vez mais disseminada no mundo. O filósofo esloveno Slavoj Zizek, numa obra organizada por ele, Um Mapa da Ideologia, assim nos alerta para o perigo do capitalismo: “Hoje em dia, muito ouvimos e lemos sobre como a própria sobrevivência da espécie humana está ameaçada pela perspectiva da catástrofe ecológica (diminuição da camada de ozônio, o efeito estufa etc.). O verdadeiro perigo, entretanto, acha-se em outro lugar: o que está ameaçado, em última análise, é a própria essência do homem. Ao nos esforçarmos por prevenir a catástrofe ecológica iminente, com soluções tecnológicas cada vez mais novas, estamos, na verdade, simplesmente jogando lenha na fogueira e, com isso, agravando a ameaça à essência espiritual do homem, que não pode ser reduzido a um animal tecnológico”(p. 22).

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva

Bel. em Teologia, Licenciado em Filosofia, Esp. em Metafísica/UFRN e em Estudos Clássicos pela UnB/Archai/Unesco.

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Medicina filosófica

(hipócrates)

Não é incomum ouvirmos queixas do tipo: “Isso é tão caro!”. Sobretudo, quando vamos ao mercado, às lojas ou quando planejamos alguma viagem. Já disse por aqui, muitas vezes, que quase tudo nesse país esbarra em dinheiro, principalmente para aqueles que mais carecem dele; trabalhadores assalariados e os menos favorecidos socialmente.

A bem da verdade, é que volta e meia somos flagrados, até involuntariamente, a certos sobressaltos de admiração pelo alto custo das coisas. Porém, a muitos que andam tão indignados com a inflação, é bom que se faça a seguinte reflexão: Se você tivesse que deixar oitocentos reais ou mais do seu orçamento mensal numa farmácia para manter-se vivo? Certamente, a situação seria outra e as queixas não se repetiriam tanto. Pensando bem, antes de levantar qualquer indignação nesse sentido, parece ser mais razoável agradecer. O ato de agradecer também nos deixa mais resistentes, muito embora não concorde com toda esta exploração financeira do mercado.

O que pretendemos com essa simples demonstração de humanidade? De imediato, tirarmos nosso foco existencial da economia, do capitalismo e da baboseira de que sem dinheiro não somos nada. Não somos nada sem saúde. Este é o ponto de nosso interesse aqui. Com o país em situação econômica estável, pelo menos até agora, a indústria farmacêutica tende a acelerar-se cada vez mais, enriquecendo, em função da prática de uma medicina paliativa e não preventiva, tampouco educativa e filosófica. Contudo, tal prática vem mudando com a orientação médica de caminhadas, exercícios físicos, regimes, dietas, práticas de higiene e o cuidado com o corpo.

A medicina antiga, dos tempos de Hipócrates, era extremamente preventiva, ética e, por isso, filosófica. Estamos falando da segunda metade do séc. V a.C. e das primeiras décadas do séc. IV a.C., o mundo era outro, a cultura também, os valores eram diferentes, mas o corpo era o mesmo. Afinal, a medicina sempre operou sobre ele. Hipócrates era contemporâneo de Sócrates, Platão e Aristóteles que o consideraram como o grande médico.

Da mesma linha ascendente a que se remetiam os médicos no passado, Hipócrates herdou um ofício divinizado de Esculápio, o primeiro a ser chamado de “médico” ou “salvador” por ter aprendido do centauro Quíron a arte de curar os males. Com Hipócrates, a medicina alcança o status de ciência e passa a compreender as doenças como causas naturais do homem. Assim como Sócrates na Filosofia, Hipócrates com a medicina desenvolve toda uma observação racional acerca do ser humano, seu corpo e alma. O “conhece-te a si mesmo” e o “meden agan”, isto é, o nada em excesso, vão nortear os princípios sábios da medicina hipocrática.

Curiosamente, os regimes, dietas, reeducação alimentar, passeios, atividades físicas, higiene e tudo a que nos submetemos hoje para preservarmos uma boa saúde era observado com precisão e justa “medida” por Hipócrates no IV livro das Epidemias: “os exercícios (ponoi), os alimentos (sitia), as bebidas (pota), os sonos (hupnoi), as relações sexuais (aphrodisia) – todas sendo coisas que devem ser ‘medidas’. A reflexão dietética desenvolveu essa enumeração. Dentre os exercícios distingue-se  aqueles que são naturais (andar, passear), e aqueles que são violentos (a corrida, a luta); fixa-se quais são os que convém praticar, e com que intensidade, em função da hora do dia, do momento do ano, da idade do sujeito e da sua alimentação. Aos exercícios são relacionados os banhos, mais ou menos quentes, e que também dependem da estação, da idade, das atividades e das refeições que foram feitas ou que ainda se vai fazer. O regime alimentar – comida e bebida – deve levar em conta a natureza e a quantidade do que se absorve, o estado geral do corpo, o clima, as atividades que se exercem…”(In FOUCAULT, M. História da Sexualidade: o uso dos prazeres. Rio de Janeiro: Edições Graal, 1998, p. 93).

Interessante notar como a medicina, na aurora da Filosofia, exercia um papel de formidável educação das pessoas, na medida em que ela levava a pensar a conduta humana; a maneira pela qual se conduzia a própria existência, despertando um comportamento em função de uma natureza, de modo que o homem compreendesse sua “physiologia”, a fim de saber preservá-la e conformar-se a ela. A dietética hipocrática se constituía, para os antigos, uma arte de viver.

As práticas de cuidado com o corpo de Hipócrates eram tão presentes no modo de vida, no cotidiano das pessoas da antiguidade que influenciaram fortemente a Filosofia em seu nascimento, tanto é que Platão faz ressalvas, em seus diálogos, aos excessivos exercícios e dietas que visam apenas à longevidade, e não a uma vida útil e feliz. Relatos de Xenofonte, nas Memoráveis, traz Sócrates orientando seus discípulos para serem “capazes de se bastarem a si próprios”(IV, 7); “Que cada um se observe a si próprio e anote que comida, que bebida, que exercício lhe convêm e de que maneira usá-los a fim de conservar a mais perfeita saúde”(idem). Portanto, o mestre Sócrates ensina a ter autonomia para com sua saúde: “Se vos observardes desse modo, dificilmente encontrareis um médico que possa discernir melhor do que vós próprios o que é favorável à vossa saúde”(idem).

Prof. Jackislandy Meira de Medeiros Silva

Bel. em Teologia, Licenciado em Filosofia, Esp. em Metafísica/UFRN e em Estudos Clássicos pela UnB/Archai/Unesco.

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